quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fatos e lendas

Em minhas andanças reais e imaginárias - tenho o costume de incorporar lendas em minha vida e, muitas vezes, acreditar nelas como se tivesse realmente acontecido a ponto de não conseguir, depois, separar ficção da realidade - aprendi muitas coisas da melhor maneira. E, muitas, aprendi da pior maneira.

Aprendi que a gente não pode trair quem se ama, mas nunca me ensinaram a amar. Aprendi que meninos têm que gostar de meninas, mas nunca me disserram o que se fazia quando eu ficava com raiva ou humilhado ao ser recusado.

E, também, ninguém me ensinou como não corar quando via alguém fazendo algo constrangedor. Sim, eu sofro de vergonha alheia e ao ver uma cena constrangedora em um filme, simplesmente colocava (e ainda coloco) uma almofada no rosto, de vergonha, e não vejo o mico, mudando de canal, quando possível, ou saindo da sala.

Minha mãe me ensinou a se portar na mesa. Levei umas garfadas na mão; não foi dela. Aliás, não me lembro se levei mesmo, mas sei que algumas pessoas faziam isso com os filhos. Seriam meus parentes? Não me lembro...

Me lembro - vagamente - das minhas andanças sozinho, pelas ruas de SP, nas horas em que deveria estar na faculdade. Gosto de acreditar que eram horas românticas e que eu vivia meus tempos de boemia. Mas sei que não era bem assim. Muitas vezes eram horas doídas, solitárias, sem ter com quem conversar e ia nas galerias só para puxar um papo, me sentir menos carente e espantar os barulhos que a noite trazia quando eu tinha insônia.

Eu também me lembro dos meus dias de redação, lembranças tão doídas. Gosto de fingir que fui mais feliz do que triste, mas quantas e quantas vezes fui trabalhar quando devia estar realmente de cama, dormindo, ou em tratamento...

E será que minha terapia teve tantos momentos felizes e úteis?


Pois é, as coisas vão ficando nebulosas e por mais que eu tente me esforçar algumas memórias me escapam. Pouco me lembro dos dias entre 2000 e 2001. Na verdade, sinto que várias vezes devo ter ido no piloto automático, pro Netgol, embora o pessoal me achasse bem, algo normal, pois não me conheciam direito.

Cara, eu tinha crises de ansiedade assustadoras e vomitava dentro do carro! Uma vez aconteceu isso, na Nove de Julho. Ainda bem que estava o maior trânsito e o carro parado ou eu tinha batido. E isso não é lenda. É verdade.


Nossa, isso tá dando medo!

Melhor parar.

Ano sabático

Para quem trabalha (ou trabalhou) no jornalismo esportivo sabe que não há nada mais abominável do que as férias de dezembro e janeiro, quando as notícias acabam e vive-se de especulação e boatos sem fundamentos.

Assim sendo, nesses dias, toma-se Vágner Love, a volta do Schumacher, retrospectivas e time que "acerta 99%" com fulano e depois desmente, quando o 1% reina absoluto. É muita mediocridade.


Mas as pessoas gostam disso, vende e é o que a maioria quer. E a mediocridade pulula, feliz.

O que tem ajudado é esse maluco campeonato inglês, que tem jogo até no sábado de madrugada, se deixar e com jogos sensacionais e com meu Tottenham sonhando com a Liga dos Campeões
(estamos em quarto!).

Rigorosamente não estou nem aí se o Love vai ou fica. Deixem ele ir logo pros cariocas verem o tamanho do bonde!

O Palmeiras me decepcionou tanto esse ano -
e não falo só da perda mais incrível da década, o Brasileiro - e o Belluzzo se mostrou tão baixo que nem quero mais saber o que vai acontecer.

Não fui eu quem fez a dívida, quem contratou o Toninho Cecílio como gerente (socorro!), que paga 400 mil por mês para um atacante que não faz nada, que paga outros 500 mil para um técnico desesperado em ir embora, que lambe a bunda da Traffic, que vê o Mustafá ganhar força dia após dia.

Eles que se fodam!

Estou me reservando no direito, às vésperas de completar 41 anos, de tirar um ano sabático (chique isso!) do Palmeiras.

Prometo não escrever uma linha em 2010. Vai ser duro, mas é compromisso, bem como cuidar mais da saúde e do meu casamento e ganhar um herdeiro.


Espero ter saúde e estar vivo daqui 367 dias
(1 de janeiro de 2011) para vir aqui e escrever: "promessa cumprida".

Quem viver, verá.

Momento U2

Uma das mais mais coisas mais sensacionais das reedições de clássicos discos em CDs, com faixas bônus e etc é o apuro na remasterização do som e nos extras - libretos, faixas a mais, etc.

Eu, que ando decepcionado com o novo U2, comprei esses dias as edições especiais de The Unforgettable Fire (1984) e The Joshua Tree (1987).

No Fire veio, no cd bônus, as quatro faixas do EP Wide Awake in America, de 1985, que traz a versão definitiva de "Bad" e a sensacional "A Sort of Homecoming", em versão mais curta do que a original.

Esses dois vídeos foram editados no VHS The Unforgettable Fire e que vêm de extra na edição importada, mas que aqui custa mais de 250 reais. Como ainda não sei se vou comprar, deixo os dois vídeos abaixos.

Há um terceiro vídeo, retirado do filme Rattle and Hum (mas não do disco), onde aparece a letra traduzida de "Bad", com inserções de "Ruby Tuesday" e "Sympathy for the Devil", ambas dos Rolling Stones.

Bom divertimento.





domingo, 27 de dezembro de 2009

Feriado longo

Não aguento mais esse feriado! E o pior é que há outro igual daqui cinco dias.

Natal sendo comemorado na quinta e na sexta e deixando os bebuns encherem meu saco com essas merdas de forró e axé tocados no talo, até domingo de noite, é pra pedir a conta.


Começa logo, 2010!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Durutti Column em três momentos

Meu Deus, como eu nunca tinha procurado isso antes!!!!

Três clássicos extraídos do fundamental LC, de 1981. A primeira é uma homenagem ao amigo Ian Curtis, ex-vocalista do Joy Division, que se enforcou aos 23 anos, no dia 18 de maio de 1980, "Missing Boy". Apresentação ao vivo, na Finlândia, com o impagável Bruce Mitchell na bateria, mostrando um sorrisão imenso.

A segunda é a música que abre o disco, "Sketch for Dawn". Um clip meio cafona para algo tão deslumbrante. E a terceira é o clip de "Never Known".








Falando em Bowie...

O homem foi simplesmente o primeiro branco a participar do extinto e lendário programa de TV Soul Train onde tocavam apenas artistas negros, na década de 70. Bowie teve a chance com "Fame" e "Young Americans", do álbum de mesmo nome desta última canção, lançado em 1975.

Era uma época em que ele odiava dormir, vivia em Los Angeles e consumia toneladas de cocaína. Era tanta que uma vez ao ver um programa médico mostrando os males da droga no cérebro, disse "ops, parece o meu!".

Nesse vídeo, de 1976, dublando "Golden Years" e "Fame" percebe-se como estava lotado, com a voz quase não saindo, gaguejando e suando.

O segudo vídeo é do extraordinário CD duplo - edição limitada e eu ainda tenho! chupem, motherfuckers!!! - Bowie at the Beeb: The Best of the BBC Radio Sessions, de 2000, com um show para poucos convidados, no mesmo ano. Ele, no auge de sua voz, elegância e classe, sensacional.

Vejam com que alegria ele canta (até olha pro céu e diz "thank you", por volta dos 4 minutos e 20 segundos). Sem falar na beleza da percussionista loira! Programaço!


Curtam!



Personagem

Rob Gordon - o Rob Fleming do livro -, em Alta Fidelidade, disse que gostaria que sua vida fosse uma canção de Bruce Springsteen.

Eu morro de medo que a minha vire a de algum grupo punk de terceira liderado por um emo imbecil, então prefiro que ninguém queria me "homenagear" com um baixo, uma guitarra e uma bateria.

Mas a vida serve pra ser tocada ao menos uma vez. Não falo dessas coisas de comercial de margarina, falo da realidade. Arriscar, sair da toca, espiar e ver o que acontece.

Fico perguntando o que seria de mim se tivesse ficado em SP em 2003. Acho que não estaria vivo, teria cometido suicídio.

Minha vida não estava indo a lugar nenhum, como bem cantou David Bowie em "Golden Years".

Seria apenas igual ao personagem de "The River". Por sinal, minha canção favorita de "The Boss" Bruce. E, volto a dizer, não quero ser um personagem dele. E nem de Nick Hornby.


Mas a canção é do cacete!

Canção do dia

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Bloqueio católico? Não se reprima!

Elimine tudo. Como?

Eis a resposta...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O maior filme de todos os tempos

Ele é, provavelmente, o maior pensador de todos os tempos.

Frases como "eu gosto da humanidade, só não suporto as pessoas" ou "que lástima!", mostram o tamanho de sua genialidade e bondade com os demais seres.

Um dos maiores personagens já feitos, uma pessoa doce, sensível, sempre dispostar a ajudar, mesmo acreditando que nem sempre se sairá bem.

Por isso, é a estrela maior de um dos filmes mais emblemáticos do Século XX, ainda que completamente ignorado - o que por si só mostra o quanto é bom e sua importância - por esses babacas "críticos de cinema".

Sim, eu falo dele, do grande revolucionário dos anos 60. Danem-se Beatles e Jimi Hendrix. Quem mudou o mundo foi... Linus van Pelt!

Sua participação no brilhante e devastador É a Grande Abóbora, Charlie Brown, mostra o tamanho de sua genialidade e deve ter levado Sartre às lágrimas.

Um jovem que lutou contra as convenções sociais, com o bobo Papai Noel, que foi ridicularizado pelo beagle mais chato da história e que resolveu ir aos extremos para encontrar a Grande Abóbora, sacrificando uma noite de Halloween.

Sim, seus ideais falaram mais alto, e não importava o escárnio alheio; Linus sabia exatamente o que queria e esperava.

Anos-luz de qualquer outro personagem dos quadrinhos e dos desenhos animados, Linus é o ídolo número zero aqui em casa.

Agora, com licença que preciso rever o filme; sabe como é, clássicos desse porte são sempre merecedores de nova visita.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Amor

Nos tempos em que se vendiam santuários e as revoluções não eram sangrentas, o Cult entrou na minha vida com o fantástico Love, de 1985.

Completamente esquecido entre os grandes álbuns dos anos 80, Love trazia uma volta aos sons dos anos 60, mas não teve o respaldo que merecia, talvez, porque, vendessem o amor em uma época tão negra para a Inglaterra.

E Ian Astbury e Billy Duffy seguem sendo uma das mais injustiçadas duplas de vocalista-guitarrista da história.

Um dínamo com o microfone e um monstro das seis cordas, que entre outras coisas, ensinou uns truques a Johnny Marr e o recomendou que procurasse Morrissey, já que Marr sonhava em ter sua própria banda.


Tá bom ou quer mais no currículo do garoto?


Segue o som...





The Cult - She Sells Sanctuary

Yxklyx | Vídeo do MySpace

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Não se vendem mais santuários

Definitivamente, sou um dinossauro. Já era desde os meus 15 anos, mas, aos 41, virei de vez.

Não consigo achar mais graça nas músicas modernas, nos programas, nas pessoas, nas notícias. O ideal seria, ao ter conhecido a Naiacy, que o mundo retrocedesse uns 25 anos, para que nós tivéssemos a chance de arranjar uma grana para ver, em Londres, as novidades: The Smiths, Cocteau Twins, The Cult ou mesmo o Echo & the Bunnymen ou The Cure, em seu auge.

Ouvindo o novo cd do U2 e os vendo na televisão dá vontade de pedir pra que morram, porque estragam tudo o que eu gostava deles.

Não, não se vendem mais santuários hoje em dia, não se usa um monte de pano na cabeça, babados nos punhos, sem parecer emo. O pessoal tinha estilo e não essa conotação "sensível" atual.

Ah, como queria que alguém vendesse santuários, ainda hoje. Mas eu tenho 41 e voltar ao passado pelas imagens é tudo que posso fazer. Ah, o que a Naiacy e eu iríamos curtir nos "bons tempos".

Dinossauros, eles nunca desistem.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Calling Wonka

Nesses dias em que a patroa viaja pro interior desse estado sem alma e sem esperança para dar aula, estava fuçando por aí no Orkut.

Sem a amada ao lado acordo cedo, durmo mal, tenho pesadelos e 5 da manhã já estou olhando por onde anda minha próxima encomenda da cdpoint enviada via sedex -
a edição remaster do clássico álbum Love (1985), do The Cult - e resolvi visitar uns perfis de amigos, que abrem seus álbuns de fotos.

O meu é pobre como o estado que hoje moro, mas me deu uma bruta, tremenda saudade, ao ver as fotos que você fez de SP, essa cidade tão arrasada por Serra e Kassab, lar da elite mais besta e conservadora de todas, que venera Jovem Pan, Juca Kfouri, Folha e Veja.

Mas é a cidade que vive dentro de mim, que merece posts e mais posts chorosos em meu blog, a cidade do meu time tão judiado, das noites no boliviano, dos passeios de carros, dos aps que morei perto da Av. Paulista, da garoa tão amada, das lojas de cds que percorria com o conhecimento de causa e que me traria um pouco de paz na alma.

Tempos em que pilha, fitas, casaco e discman me preparavam para o mundo, justo agora que me sinto tão despreparado há poucos dias de completar 41 anos.

E aí te mandei esse email - talvez eu o reproduza no blog* - para dizer que sinto falta de tudo isso, de seu papo e de outras coisas. Mas a vida é feita de escolhas e não tivesse vindo para cá, não conheceria o amor da minha vida. E, acredite, Naiacy é bem maior que SP.

Afinal, nela "manda" um coração imenso, uma bondade sem tamanho e um sorriso maior que as Marginais, juntas. E, melhor: não há Kassab ou Serra para dizer o que ela precisa fazer. Tá certo, ela tem um Rubão bem mala, às vezes, mas que a ama e a entende cada vez mais (assim espero).

Abraços, Billly the kid.

até.

* promessa cumprida

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A canção mais manjada do mundo

Thanks, David. Thanks, Kurt.

Momento Augusto Cury

Há dias em que se acorda e o mundo parece tão pequeno para sua genialidade. Mas aí você senta no vaso sanitário e... bem, a visão do que você é, exatos 30 segundos depois, não é lá muito animadora.

E há dias em que você se sente a pior bosta do mundo, mas ao dar a descarga vê que há coisas mais feias e desagradáveis que você.

Esse momento "Augusto Cury escatológico" - incrível como adoro passar minha (não) filosofia de vida aqui e desconfio que ninguém mais acessa exatamente por isso - me faz pensar nos meus eternos erros que vivo prometendo consertar, mas acabo sendo preguiçoso demais ou burro demais ou incompetente demais para fazer.

Então aperta-se o botão do foda-se nos bons e maus momentos, tranca-se em casa e tenta enxergar com olhos imparciais - como se faz isso? - para dar um passo à frente.

Ah, se Augusto Cury lesse isso iria correndo no banheiro e ao invés de dar descarga iria querer, aposto, arremessar em mim o seu "talento".

Mas como ele nem desconfia onde moro...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Menon e Juca são infames. Eu sou cool!

Enquanto Juca Kfouri e Menon escrevem a mesma piadinha infame em seus blogs (a do pontos de alagamento em SP) - ambos são infames e com péssimo gosto clubístico - vou aqui me deliciando com os cds e dvds que chegaram em casa.

Após um mês leonino de trabalho e correndo pra lá e pra cá, aproveito um feriado estranhíssimo - como tudo nesse lugar - para relaxar ouvindo Marvin Gaye, Grateful Dead, The Byrds e vendo M - O Vampiro de Dusseldorf, enquanto, lá fora, o sol brilha mais do que minha genialidade.

Assim sendo, deixo um presente àqueles que se descabelam no trabalho e praguejam contra a enchente. Aliás, dois. Muito mais do mesmo.

Mas só porque sou (estou) bonzinho.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Instinto

Se Iggy é o pai dos punks, o proto-punk em questão, esse disco é o mais heavy metal de todos que já fez.

Odiado pela crítica e pouco aclamado pelos fãs, Instinct (de 1988) é um disco de transição entre o pop de Blah Blah Blah - que vendeu mais do que todos seus álbuns anteriores - e a perfeição de Brick by Brick, com "Candy" em alta rotação na MTV.

Acompanhado de Steve Jones na guitarra (ex-Sex Pistols), Iggy faz rock and roll básico, sem frescura, com a produção esmerada de Bill Laswell.

Um ótimo disco para deixar rolar enquanto você cozinha, toma banho, namora ou quer apenas curtir um som.

Como brinde, a faixa que abre o disco, "Cold Metal", onde Iggy parece uma mistura de Mick Jagger com Sergei.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"Um punk, um punk!"

Essa é a história favorita do meu amorzinho e, acreditem, é real...

Em algum momento da minha vida entre 1994 e 2001 estava em Ribeirão na casa do meu pai e fomos ao mercado central, no domingo - tradição dos tempos de infância - e na volta, ao fazermos um caminho alternativo - sempre gostei de guiar por aquelas ruas, tão familiares, mas nunca lembro os nomes -, meu pai quase bate o carro e berra, chocado:

"Rubinho, Rubinho, olha isso, filho, um punk, um punk!" (e ele disse "punk" no sentido abrasileirado, com o "u" não soando como "a").

"Ok, pai."


"Como, ok? É um punk, filho. Não vá me dizer que você já tinha visto algum, antes?"

"Pai, eu moro em São Paulo há anos e o que mais se tem lá é punk. Aliás, pai, se fala "pank" e não "punk".


Obviamente, ele ficou azedo, me chamou de metido e fomos calado até em casa.

Mas, sempre que vejo a Naiá meio triste, aponto um ser imaginário e berro: "um punk, um punk!".

Meu pai não iria curtir muito...

A agonia de um arqueiro atrás do gol

Por um tempo, a minha vida se resumiu a um binômio: trabalho e encontro com as internautas.

Entre 1994 e 1996, eu labutava na Folha e dedicava algumas noites - ou tardes - aos encontros com mulheres dos chats do UOL, ZAZ (não havia o Terra ainda), entre outros.

Mas havia a pausa pro guerreiro, o descanso. E o meu descanso era uns dos mais primais entre os membros do sexo masculino: o futebol.

Desde 1990 eu era assíduo frequentador do futebol dos funcionários da GV, cortesia de um antigo amigo, colega desde os 3 anos, na casinha de madeira do Jack and Jill, o Gustavo, bibliotecário do local.

Chamar de "quadra", aquele cimento velho, podre, com duas traves sem redes era uma ofensa e não entendo como uma instituição como a Fundação Getúlio Vargas permitia algo tão revoltante.

Mas, era lá, que quase todo o sábado e por mais de 3 horas, eu jogava no gol. Às vezes ia pra linha e fazia meus golzinhos, abusando do meu chute forte de direita e do corpo que ganhava todas as divididas.

Eu era um goleiro razoável. Não tinha altura, mas era arrojado, ia em todas as bolas e voltava com os antebraços roxos para casa. Às vezes ia pro jornal e neguinho pensava que eu tinha me envolvido em uma briga ou em algum acidente.

Além de mim, havia um goleiro fixo, o melhor que já conheci. Berg era mais novo do que eu, tinha 2,03 m, magro, feio, mas jogava como um profissional.

Certa vez cismou que queria tentar um teste em um time de futsal - já havia tentado antes, sem sucesso - e pediu para um outro funcionário da casa, de nome Ulisses para treiná-lo.

Ulisses havia sido goleiro anos antes. Ulisses topou, mas Berg disse: "só faço se o Gordo topar". E me chamou.

Foi um crime. Ulisses tirava o couro nosso em três treinos semanais, às 22h, quando a quadra fica vazia, enquanto quase morríamos, completamente fora de forma. E ainda tínhamos que pagar para sermos arrasados!

No primeiro dia, quase caí duro. Após 50 minutos de treino físico - "vou arrancar essas banhas suas, Gordo!" - Ulisses nos mandou para o gol e começou a chutar de maneira violenta. De cinco, só uma era permitida entrar. Mais do que isso, eram 50 abdominais por bola.

Na primeira leva, entraram três. Na segunda, mais três. 200 abdominais depois e pronto para socá-lo, fui para o gol.

Peguei todas, sendo a última, uma bola venenosa rasteira, que catei com o punho, que inchou na hora. "Parabéns, Gordo, que reflexo você tem!"

Saí de quadra mais morto do que vivo e ainda tive que andar mais 1,5 km a pé, até chegar em casa.

Berg e eu treinamos mais um tempo, mas os dias eram duros, a grana, curta, não dava para pagar mais. Logo, ele desistiu pra voltar a tocar pagode no grupo da vizinhança.

Pouco tempo depois foi demitido e nunca mais o vi.

Mas jamais vou esquecer a defesa que dá título a esse post.

Era um amistoso na Freguesia do Ó, uma quadra sensacional, linda mesmo, larga. O jogo era duro, estava 7x7, quando um adversário entrou em diagonal, pela esquerda, e chutou rasteiro, com violência.

Berg apenas espalmou a bola, que bateu na trave e correu para o outro lado. A meio metro da linha do gol, o fixo chegou e encheu a pé. Gol. Quase. Quase, porque Berg, mesmo deitado do outro lado, deu um pulo, desses de cinema, e não apenas fez a defesa, como a agarrou, para desespero da torcida, que já comemorava.

Atrás da rede, não acreditei no que vi. Berg pedia que me posicionasse atrás dele, para ajudá-lo na "leitura tática" e para deixá-lo mais aceso. "Vai lá, Gordo, berra igualzinho a que você faz na GV. Acho um barato ver você dar aqueles esporros!"

Eu ficava atrás do gol e berrava até ele dizer "pára de falar um pouco, porra!". Mas eu continuava. E vi a maior defesa da minha vida.

Pena que não foi filmada, pena que nenhum Gol do Fantástico mostrou.

Cansado e mesmo matando a pau, pediu para que eu entrasse no gol. Recusei. "Então você veio brincar e não vai jogar? Entra aí e mostre como você joga".

Eu mostrei. Perdemos por 10x8, com dois frangos meus. Saí arrasado.

"Esquenta não, cara. Isso aqui é apenas uma brincadeira, não é sério. E daí que tomou dois frangos? Você fecha o gol lá na nossa quadra e é um cara bacana".

Bacana era o Berg. Que podia ter sido um dos grandes. Um Yashin (o cara aí da foto). Bom, pelo menos para mim.

Sinto saudades, nem sei ainda está vivo. Mas sei de uma coisa: quando me perguntam qual a melhor defesa que vi, nem titubeio: a do Berg.

domingo, 29 de novembro de 2009

A (nossa) falta de cultura esportiva

Por conta de alguns frilas fiquei lendo algumas matérias sobre o futebol inglês esses dias.

Algumas coisas me fascinam: primeiro, o cuidado com os sites oficiais dos clubes. Dá pena ver a nossa indigência e nossa preguiça esportiva. Depois, o cuidado com a marca, com a história, com os fãs.

O futebol inglês vive uma fase exuberante, embora essa bolha financeira possa explodir a qualquer momento por causa dos bilhões que entram de investidores misteriosos. Mas o que quero falar é da cultura esportiva.

Após a eliminação do Liverpool na primeira fase da Champions, especulou-se da saída do manager e treinador, o espanhol Rafael Benítez.

Só que ele e o clube renovaram recentemente o contrato, por mais cinco temporadas e o presidente dos Reds disse que não há chance alguma dele sair porque está apenas com quatro meses do novo acordo e uma derrota - no caso para o Lyon, na Champions - não pode servir de parâmetro, até porque o time perdeu jogadores fundamentais na janela - Xabi Alonso e Arbeloa - e ele precisa de tempo para remontar o time, coisa que o craque do time, Gerrard, concorda totalmente.

Estão certíssimos.

Desde 2004 no time, Rafa levou o time ao título europeu em 2005 e montou uma nova estrutura no time e uma equipe sempre forte. E, aqui, arautos da mediocridade travestidos de jornalistas - Lédio Carmona é um deles - diz que ele já encerrou o ciclo e deve ir embora de Anfield.

E aí me lembro de Sir Alex Ferguson. O homem chegou ao Manchester United em 1986, viu uma terra arrasada e demorou 4 temporadas para conquistar seu primeiro título (Copa da Inglaterra)!

Aí, pergunto: qual clube brasileiro de grande porte daria esse respaldo a um treinador?

O primeiro título do Campeonato Inglês veio apenas em 1993 e o da Champions, em 1999.

A essa altura, o time já era uma máquina bem construída, bem estruturada e com jogadores que marcaram época. Mas, veja, ele passou uma década - 10 anos, para quem não sabe - construindo uma estrutura.

No Brasil, planejamento a longo prazo é, no máximo, 24 meses, e 12, sem título. E aí você vê bons treinadores em clubes médios e bem estruturados como o Avaí perdendo o técnico porque recebeu uma oferta salarial melhor. E quanto tempo ele dura no novo clube? Por que não fica onde está e ajuda a construir uma estrutura forte e permanente?

Há uma diferença básica da visão brasileira e da européia: Aqui, o importante é conseguir um título a qualquer preço para acalmar os torcedores e tentar captar recursos e investidores, para, só depois, começar a pensar (talvez...) em montar uma estrutura, enquanto lá faz-se exatamente o inverso: primeiro, estrutura-se o clube todo para começar a sonhar com as conquistas.

Os técnicos são tão culpados quanto os dirigentes, não se enganem. Com esse papinho de "fazer a independência financeira" se mandam na primeira proposta deixando um bom clube e bom lugar para se trabalhar apenas pra encher os bolsos, se aventurando sem saber se receberá em dia ou que condições terá para exercer o cargo.

Uma lástima.

O mesmo vale pra Dorival Junior. Antes de ir pro Vasco ganhava uns 50 mil mensais. Chegou lá recebendo 280 mil e pediu 450 mil pra renovar! Fala sério! Meio milhão prum novato que nem saiu das fraldas? Onde estamos?

Não sei quanto tempo Muricy dura no Palmeiras. Não sei o que é planejamento no Brasil - porque simplesmente não existe - mas ao perceber a (falta) de cultura esportiva do nosso país, entende-se porque sempre seremos mão de obra exportadora. E nossos "analistas" sabem tão pouco ou menos do que quem comanda.

Pagar um caminhão de dinheiro a um técnico, sem um planejamento correto e sério, sem projetar o futuro,
não resolve nada. Mas, vá falar isso para um Belluzzo, um Dinamite ou para as "torcidas uniformizadas", esse maldito câncer, cada vez mais forte e intolerante.

Uma tristeza.

Ah, sim, vejam a pequena lista de títulos de Sir Alex Ferguson, após um começo difícil, segundo o site oficial do time. E visitem o site do time e babem com a viagem virtual por dentro do Old Trafford.

Sir Alex Ferguson

Manager From: 06 Nov 1986
Years as Manager: 24
Premier League: 1993, 1994, 1996, 1997, 1999, 2000, 2001, 2003, 2007, 2008, 2009
FA Cup: 1990, 1994, 1996, 1999, 2004
League Cup: 1992, 2006, 2009
UEFA Champions League: 1999, 2008
FIFA Club World Cup: 2008
UEFA Super Cup: 1992
UEFA Cup Winners Cup: 1991
Inter-Continental Cup: 1999
FA Charity / Community Shield: 1990 (shared), 1993, 1994, 1996, 1997, 2003, 2007, 2008

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Está tudo na minha cabeça?

Acho que sim...

Música fofinha

Deve ser a preguiça ou excesso de convivência - via e-mail, que fique claro - com um bambi vitaminado que aniversaria hoje, mas a verdade é que hoje deixei o rock pesado dos últimos dias e quis ouvir algo "fofinho", na linha Belle and Sebastian.

E aí me lembrei de uma história dos tempos de balconista da Sweet Jane.

Marcelo Nova - aquele mesmo, o cantor do Camisa - estava buascando mais um pacote semanal na loja quando um garotinho indie pegou uma cópia da banda escocesa para levar.


Fino como uma sequóia, Nova tascou: "ah, mais um cd dessa banda de bichinha", baixo, mas o suficiente pro indie ouvir. Ao que Carlos retrucou:

"Marcelo, sabe quem foi o primeiro cliente a comprar um cd do Belle and Sebastian aqui na loja?"
"Não faço, idéia, Yoko. O Kid, imagino..."
"Não, foi você. Te vendi uma cópia do If You're Feeling Sinister...."

Revoltado, Marcelo negou, pagou a conta e logo se pôs porta afora...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Gordo de futuro

Hoje pela manhã fiquei relembrando alguns momentos de minha vida na faculdade, antes de entrar no jornalismo.

Ok, nunca fui bom aluno, era mais um turista.

Guardo poucas lembranças, poucos nomes de colegas.

Guardo, porém, viva um dia em que disputávamos um torneio de futsal da engenharia.

O time oficial deles se dividiu em dois para disputarem a final. Mas não contavam conosco, especialmente com esse que teve uma atuação na semifinal que São Marcos - ainda um juvenil cabeludo, em 1993 - aplaudiria de pé.

Saí com o pé inchado por uma defesa no último segundo do primeiro tempo, tomei bolada na clavícula, no queixo, no nariz, na barriga e numa dividida em um contra-ataque rival derrubei o adversário e, no embalo, o juiz e o bandeirinha.

Saí todo esfolado direto pra casa - morava há menos de 500 metros do Mackenzie - e ganhei beijos - na bochecha - de três colegas, uma delas, paixão secreta daqueles dias.

Ao final do time, o mascarado time "oficial" saiu resmungando "de onde saiu esse gordo que jogou no gol? Cara, que fdp!". O juiz me cumprimentou pessoalmente e deu um conselho - "emagreça que você pode ser profissional" - Profissonal, aos 24 anos, cara-pálida?

Os meus colegas me abraçaram, sorriram e tentaram - tarefa inglória - me erguer nos ombros. Tomei cerveja com eles, minha atuação virou um dos mitos naqueles dias no campus, e revoltada, a diretoria do Centro Acadêmico, misteriosamente suspendeu o torneio, pois seus quadros "A" e "B" caíram para nós: o primeiro por 5x3, e o segundo, por 2x0.

E, pela primeira vez na vida, ser chamado de "gordo fdp" foi música pros meus ouvidos.

PS: reza a lenda que São Marcos viu aquele jogo e o decorou na retina. Segundo consta até chegou a dizer anos depois: "cara, vi um gordo jogando uma vez, o fdp tinha futuro. Se ele emagrecesse...."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A nova cara do Palmeiras...


...o horror, o horror...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A vida

Não se pode discutir com a vida. Eventualmente, você tem que vivê-la.

E tantas vezes você tenta discutir com os fatos, discutir ou fingir que as coisas não são como você vê, mas como gostaria que fosse como você as vê. Mas, a vida é mais do que isso.

Você não pode escolher a vida. Quer dizer, até pode, mas você é guiado por ela. Ok, você pode abreviá-la. Mas há sentido em abreviar algo tão excitante, algo que te puxa pro próximo capítulo?

Muitos se frustram por ser não o novo Hemingway, o novo Garrincha. Mas você quer morrer com um tiro de espingarda, quer morrer na miséria, bêbado? O preço da fama pode ser alto demais. E ser mais um pode te fazer ser mais um, e - surpresa - mais um bem feliz.

Aí você pensa mais uma vez: vou deixar minha marca nesse mundo? Irão se lembrar de mim? Bom, por quem deseja ser lembrado? Se você quer fãs e uma fama fugaz o BBB está dando sopa, cara!

Agora, pense um minuto: imagine achar alguém que te ame tanto a ponto de se perguntar por que isso acontece. Você, aquela pessoa depressiva, que ficava só, longe de todos, curtindo a solidão com seus cds, livros e anti-depressivos? Você, que sonhava em ter alguém só para dividir as noites, só pra brigar, bater a porta na cara, pra andar na chuva, dividir uma pizza, um pouco de saliva?

Você prefere estar na primeira página no dia da sua morte ou no coração de alguém único que te fez sentir único?

Vai deixar a marca no mundo? Quem se importa com isso? Deixe uns bons amigos, boas memórias, alguns sorrisos cravados em algumas faces, alguns cds de herança para uns, uns livros para outros, umas palavras melosas pra fulano, um abraço pra sicrano, coisas pequenas.

O mundo é feito de coisas pequenas. No final é o que guardamos. Me lembro da canção "O Velho" de Chico Buarque.

O velho, sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar


Mais triste do que a letra só uma vida que a imita.

Por isso, não discuta com a vida. Viva da melhor maneira que você pode. E lembre-se: eventualmente terá que vivê-la.

Tente. É melhor do que virar notícia de jornal. Garanto.

I was a cool guy...

O que mais sinto falta de São Paulo é a melancolia gostosa. Meu momento ideal era sair embaixo daquela garoa fina, quase invisível e andar. Muito melhor quando ia a pé até as galerias do centro comprar algum LP ou CD. Eu ia andando, não ia de metrô, queria curtir o momento. Pacote completo, saca?

Parava para comer algo, tomava um guaraná diet, via as revistas nas bancas, olhava as moças. Pacote completo...

Aquela gentarada correndo, berrando. Eu estava protegido pelo meu walkman e uma das mais de 900 fitas cassetes numeradas e catalogadas que tinha em casa. Música, dinheiro, pilha, casaco. Eu estava preparado para tudo.

Não havia pressa. Era fuçar, conversar, negociar, rever os amigos, trocar figurinhas. Um almoço, de repente, com o Calanca, ser balconista de outra loja por alguns minutos enquanto alguém ia cheirar uma no banheiro, dando a desculpa que precisava sair rapidinho. E eu lá, vendendo, comendo picanha. Vida boa.

Aquela melancolia, aquela sensação de ser um ser etéreo, igual ao Motorcycle Boy de Rumble Fish.

Já repararam como o personagem de Mickey Rourke andava pelas calçadas lotadas sem esbarrar e ser esbarrado por alguém? Nesses momentos eu era o ser mais cool do planeta.

Minha vida não foi filmada por Francis Ford Coppola. Aliás, nem fotografada por alguém, porque odeio tirar fotografia. Uma pena. Poderia ter tirado uma desses momentos e lembrar o tempo em que música, dinheiro, pilha e casaco me preparavam para tudo.

Rubão, o camera-man da tv boliviana

Em 1999, eu estava fora do Lance! e, também, de órbita. Com a ajuda do Noriega fui até a Gazeta Esportiva procurar um bico.

Consegui uma coluna semanal de xadrez no jornal, que tentava voltar aos bons tempos. Por causa dela, angariei contatos mil no esporte. Naqueles dias aconteceria um torneio importante,a Copa Itau de Xadrez com jogadores de todo o continente.

Fui em todos os dias e o título ficou mesmo entre Gilberto Milos e Rafael Leitão, com Milos sendo campeão. Mas, no último dia, meu celular tocou e era um velho amigo, o boliviano Jorge, que havia conhecido durante a Copa de 1998, no Lance!

Jorge me ligou pedindo se poderia ir ao torneio, pois queria fazer uma matéria. Disse que sim, claro, e combinei de encontrá-lo lá.

Na hora marcada, ele chegou com um camera man e queria saber se tinha algum boliviano no torneio. Fui falar com a organização e descobri gêmeos que estavam naquele momento no andar de cima.

Jorge era repórter de uma grande emissora e os dois ficaram orgulhosos em falar, imagino que fosse a primeira entrevista deles. Mas, cioso como todo bom jornalista, ele queria uma entrevista com o campeão e o vice e pediu para que eu arranjasse. Como Gilberto e Rafael eram meus amigos, não haveria problema.

O único problema era que os dois estavam ainda jogando e demoraram tanto que o camera man precisou ir, pois tinha compromisso agendado. Já havia passado das 22h30. Jorge ficou contrariado e nem pensou. Virou-se pra mim e disse:

"Rubens, você pode ser meu camera?"
"Eu, Jorge? Mas não entendo nada disso."
"É fácil, vou te explicar."

E começou a mexer em todos os botões, falando como se fazia zoom, como tinha que acomodá-la, a melhor posição.

Não acreditei, mas não tinha para onde correr. Fizemos um rápido teste e ele começou a falar com os dois, primeiro com Rafael e, depois, Gilberto.

Fazia um calor infernal naquela salinha, eu suava feito um porco, minhas costas doíam porque eu não encontrava uma posição correta e meu braço adormeceu. Isso sem falar no foco, sempre mais pra lá do que pra cá.

As duas entrevistas levaram uns 15 minutos e teve uma hora que minhas costa doeram tanto que precisei encostar na parede e quase derrubei a camera.

Ao final, eu estava inteiro ensopado, e escorria suor feito louco. Os três começaram a perguntar se eu estava bem.

Nunca soube do que aconteceu com aquelas imagens distorcidas, imagino que foram cortadas. Muitos anos depois, encontrei Jorge pela internet e mandei um email. Perguntei sobre aquela matéria e ele jurou que nem se lembrava mais do ocorrido ou do que fez com ela.

E até hoje me pergunto: será que os bolivianos viram aquilo? Se viram, o que pensaram?

Se algum boliviano passar por aqui, me avise, please.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Meninas do hóquei

"E aí, Rubão, pronto para a pauta de hóquei feminino no Canindé?"

Eu andava meio sonado na redação, meio descrente do mundo - havia começado o caminhão de remédio - quando a ordem me foi passada. Mas o que diabos eu entendia de hóquei feminino? e por que na Portuguesa?

Na época - acredite, se quiser - a Lusa era o melhor time do mundo, com um histórico de 149 vitórias e apenas 1 empate e títulos mundiais, continentais etc.

Peraí, Rubão, a Portuguesa de Desportos, do Canindé?

Essa mesma, cumpadi.

Imagine adentrar o ginásio da Lusa sem eira nem beira e idéia pra montar uma pauta. A ordem era ir nos três dias e acompanhar e o torneio e voltar com boas idéias.

Eu me lembro que no primeiro dia conversei com uma japonesinha bonitinha e que era reserva do time. Ela iria voltar pro Japão, apesar de ser titular da seleção do seu país. Foi um pequeno abre com a foto dela.

Depois dessa pauta - que foi colada no mural do ginásio, no dia seguinte, apesar de eu ter levado um puxão de orelha da assessoria por ter chamado a Lusa de time com fama de perdedor - todo mundo me cercava, louco para ser matéria.

É preciso que se diga uma coisa: apesar do campeonato em questão fosse o brasileiro adulto de hóquei feminino sobre patins, as jogadoras tinham idade entre 13 e 25 anos. Ou seja, era de mirim a adulto mesmo.

E as garotas?

"Pô, Rubão, isso que é pauta, mano. Olha quanta gatinha."
"Sossega, Djalma, a gente é feio demais para conseguir algo."

Djalma Vassão, o fotógrafo que me acompanhava, ficava pedindo para as meninas fazerem pose e gastou uns 20 rolos de filme.

Os times vinham de todo o canto - aliás, não me lembro se era brasileiro ou sul-americano - e eu entrevistava o técnico da seleção brasileira, dos outros times, perguntava de estrutura, etc e tal. Minha lembrança do esporte era o time do Sertãozinho em 80, 81 ou 82, e que era o orgulho da região quando eu morava em Ribeirão Preto.

Todo dia dava uma notinha, mas o Laguna me disse que queria algo bom pro domingo. "Você segura umas duas ou três páginas?" Meu amigo, para quem fez uma central de xadrez no carnaval - a clássica "Eu Sou Normal" - , seria bico.

No último dia, com a Lusa já campeã - é possível isso? - armei a confusão com as garotas. Pegamos uma quadra, fechamos, colocamos luz e as meninas tiravam fotos como se fossem modelos. O Djalma estava pra lá do seu estado normal.

Minha idéia era pegar todas as fotos, escolher as mais bonitas - eram várias - e fazer um painel das belas.Algo bem batido, eu sei.

Mas jornal é jornal e não pergunte os motivos pelos quais as pautas morrem sem mesmo começar. Eu tinha recebido material impresso dos clubes, da confederação, da sul-americana, coisa para fazer um caderno especial, se quisesse.

E sabe o que saiu? Zero. Nada. Necas.

O pior é que as meninas iam todos os dias nas bancas de jornal comprar o Lance! e procurar as matérias. E não achavam. Quem havia conseguido o telefone do jornal, ficava me perturbando diariamente perguntando quando sairia. Tinha de tudo: de garotas tristes a dirigentes furiosos, me chamando de mentiroso e aproveitador.

E para explicar que eu apenas obedecia, não era o chefe de pauta?

Essa, o Laguna ficou me devendo. E nem imagino o que o Djalma fez com as fotos. Mas a mão direita dele deve doer até hoje.

O que fazer quando....

Sua mina está arredia...

1 - Fazer carinho
2 - Sair para jantar
3 - Falar como está lindo o cabelo dela (ainda que tenha o pintado de roxo e verde...)
4 - Pagar a conta sem pedir desconto pro garçom
5 - Acabar a noite num lindo roçado ao som de "Penetration" de Iggy and the Stooges


Está para ser demitido...

1 - Chegar um pouco mais cedo
2 - Não chamar a atenção do chefe
3 - Fazer cara de trabalhador
4 - Se vestir bem e estar com a barba feita
5 - Sair com a secretária dele para ela te dar umas dicas e acabar a noite ao som da mesma "Penetration"

Sua conta bancária kapuft!

1 - Pedir empréstimo
2 - Pedir outro empréstimo
3 - Pedir mais um empréstimo
4 - Empréstimo, de novo???
5 - "Penetration" na gerente

e, finalmente...

Quer se matar

1 - ler Paulo Coelho
2 - ler Lair Ribeiro
3 - tomar vinho chapinha no gargalo e quente
4 - ouvir música evangélica
5 - ouvir "Penetration" munido de uma peixeira paraibana...

dessa maneira, podemos ver que Iggy and the Stooges tem sempre a resposta para seus problemas. CQD

Trilha-sonora do dia

Por que bom humor é fundamental.

sábado, 14 de novembro de 2009

Celso Cardoso, o maior lixo

No meio do lixo que assola às tvs abertas em termos esportivos, fica difícil escolher o PIOR. Mas, Celso Cardoso, é fortíssimo candidato.

Primeiro, por comandar o Gazeta Esportiva, de longe o mais infame programa esportivo de todos, com os incompetentes Flávio Prado, Garrafa e Chico Lang, além da esganiçada, brega, feia e queixuda Michelle.

O pior é ver fazer cara de ético vendendo qualquer coisa durante o programa, o que é, no mínimo, lamentável. Noticiário é para se "vender" notícia e não cogumelo do sol ou implante dentário. Qual a credibilidade de um programa assim?

Ah, mas fosse "só" isso, vá lá. O diabo é quando ele vai "comentar" jogos pelo Esporte Interartivo.

Longe de ser uma boa transmissão - o tal Leonardo Baran ou Baram e os narradores são de doer - é, ao menos, uma opção para ver jogos interessantes para quem não tem tv por assinatura.

Mas quando surge o tal Celso... é um clichê infinito de bobagens e absoluta falta de competência para sequer fazer uma simples leitura tática. E, na falta disso, tome lugar-comum na sua orelha.

Ao menos, Celso é um cara com boa sintaxe e bom vocabulário. Ou era até no jogo da Rússia meter no ar um "muito enorme" ou algo do gênero, aos 32 minutos do segundo tempo. Doeu tanto meu ouvido que na mesma hora desliguei a tv e nem sei quanto acabou o jogo.

O pior é que o velho esquema de ligar o rádio e abaixar a tv, nem funciona muito, porque está igualmente feio pelas ondas do rádio.

Acho que o jeito mesmo é tirar o som, ouvir uma música e ficar só com a imagem. Até porque nesse esporteinterartivo a cada 40 segundos eles falam dos tais 45 centavos de mensagens no seu celular.

Realmente, vende-se de tudo na tv aberta. Menos qualidade e boa informação.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fora, Muricy! Fora, Diego Souza!

Todo torcedor é masoquista, precisa crer mesmo quando não dá. Acredito que eu ainda seja assim, mas em doses menores.

Após encerrar meu dia de trabalho, fiquei na cama deliciado com os livros da Agatha Christie que havia comprado, via Americanas. O prazer era tão grande, que de tarde li um inteiro e comecei um segundo, tão logo jantei.

Foi aí, que de repente lembrei que tinha o Palmeiras na tv. A dúvida me consumia: ver ou não?

Como a imagem da Globo é ruim em casa, precisaria aguentar novamente Luciano do Valle e Bacon Boy Neto e o futebol insípido do Palmeiras. Arrumei um meio-termo: enquanto eu ouvia AC/DC no discman e lia Agatha, deixei a imagem sem som, vendo ora e outra, os lances.

O que mais irrita no Palmeiras é a absoluta falta de consciência tática e técnica: ao mesmo tempo em que Muricy tenta colocar uma equipe "ofensiva" com TRÊS VOLANTES, esses mesmos deixavam verdadeiras crateras na defesa.

Os dois primeiros gols do rebaixado foram frutos tão grandes de sandices do sistema "queijo suíço", que até Marcos entrou na "brincadeira" e resolveu ter uma postura de imbecil, no segundo gol. Aquilo é jeito de um goleiro campeão mundial sair do gol? Me vi atuando nos tempos de Playball.

Sinceramente...

Eu tinha certeza que no intervalo o time não perderia, mas não venceria. Iria empatar e rebaixar aqueles desqualificados.

Mas ver o Palmeiras jogar - ainda que apenas de rabo de olho, pois o livro e o CD eram bem melhores - é uma tortura sem fim. Um time completamente, indo no estilo "vamo que vamo" e sendo ajudado pelo juiz no gol de empate, pois ele não seria besta de anular aquele gol depois do assalto dominical.

E aí, me dei uma última chance de ter raiva antes de dormir. É pra isso que a diretoria contratou essa besta chamada Muricy? É pra perder pontos e mais pontos em casa contra rivais medíocres, pra botar esse exército de volantes e ficar apenas no "abafa" como "esquema de jogo"?

Sei que vão dizer que agora é tarde, mas porque não apostaram no Jorginho? O Palmeiras tinha mais padrão. É claro que ele poderia se perder também e a diretoria seria criticada por não ter trazido o "tricampeão". Afinal, como falta personalidade a essa "trinca de diretores de futebol" (tão (de)eficientes quanto os três volantes da besta), precisam aproveitar o lixo dos rivais. E ainda pagando bem mais caro por isso.

Mas Muricy claramente não sabe o que faz no Palmeiras. Não se identificou, acho que até gosta do clube, mas seu estilo de jogo nada tem a ver conosco.

Sei que isso não irá acontecer agora, mas tá na hora desse sujeito ir embora. Que vá encher o rabo na Arábia como o Autuori - algum imbecil irá enfiar R$ 18 milhões no rabo dele nos próximos dois anos - porque não aguento mais ver o Palmeiras com três volantes, ou três zagueiros - um deles sempre sendo o (in)falível Marcão - e tomar tanto gol besta e ver os mesmos lá na frente esperando bola alçada. Sem gozação, pra fazer isso, me contratem por 10 contos, que dou melhores resultados.

E a saga continua: se alguém encontrar Diego "Wally" Souza, avise que o Zico (outra enorme enganção) o quer lá na Grécia e que tem um bilhete em Cumbica o esperando. Que vá e não volte, enganação dos infernos! Eles se merecem.

Fora, Muricy e leve esse camisa 7 contigo!

Pelo menos descobri quem matou Roger Ackroyd, ouvindo "Who Made Who" no talo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Pra não dizer que não falei das flores

Eu deveria estar pulando de ódio com o gol anulado do Obina. Deveria, mas os 40 anos e as surras passadas já deixaram meu lombo marcado demais para isso. Futebol é bem menos importante do que anos atrás, mas não me furto de um comentário.

O time não será campeão. Não depois de hoje. Acabou. Psicologicamente destruído. Vão deixar o Toninho Lexotan berrar contra a Comissão de Arbitragem enquanto se perguntam onde erraram (mas não encontrarão as respostas, óbvio!).

Pois eu digo onde:

1) É INADMISSÍVEL perder três jogos para times que serão REBAIXADOS. E o pior é que o time não fez um gol sequer (tá, fez um hoje, que o caseiro Simon operou). O time não teve postura de quem quer ser campeão. E fez contra o Santo André a pior partida de sua história, ou a pior dos últimos 30 anos.

2) O que diferencia os times campeões do Palmeiras é que primeiro ganha-se e depois faz o oba-oba e não o contrário.

3) Estou começando a acreditar que é verdade aquela gozação dos sãopaulinos que disseram que foram tricampeões APESAR do Muricy. Só tem bola aérea e adora mexer errado.

4) Alguém sabe por onde anda o Diego "Wally" Souza, o "CRAQUE" do Brasileirão?

5) Marcão e Edmílson: e ainda têm contratos até dezembro de 2010. Valha-me Deus.

6) Diretoria fraca nos bastidores: não fazem a lição de casa e agora fica o bobo Toninho servindo de boi de piranha.

7) Ainda bem que Vágner Love está suspenso e volta o Ortigoza. Aliás, se falou mais das tranças dele do que dos gols que ele marcou.

E, assim, mais uma vez faremos a festa dos rivais.

É duro.

Trilha-sonora do dia

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

40 anos

E aí você acorda e vê que suas rugas aumentaram, que as coisas estão fora do eixo.

Mas que eixo, man???

E você percebe que os son(h)os foram trocados por (im)possibilidades e que você está ficando mais pra lá do que pra cá.

As costas doem, os tornozelos, idem, você pula apenas na imaginação porque a hérnia te diz "na na ni na não!" e você se imagina voando num palco imaginário como um Pete Townshend detonando mais uma Gibson sob os olhares anfetamínicos de um Keith Moon.

Puta, que bom seria, não????

Mas você não é músico, não é inglês, não é destro. É um brasileiro de mais de 100 kg, sem ritmo algum e canhoto.

E que sonha em ser qualquer coisa e gostaria que parasse de pensar nas (im)possibilidades e amasse o que tem e seu futuro.

Assim mesmo, com os tornozelos fodidos, o peso acima e com quem te ama e te ajuda a comprar mais cds e dvds. Para poder sonhar.

Para poder fazer do (im)possível, real.

É pra acordar!

YEAHHH!!!!!!!!
(que seus pulmões continuem berrando assim por muito tempo, Roger....)




quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Música é tudo

Eu queria ser um músico para não depender de que outros fizessem a trilha sonora que vive dentro do meu cérebro. Mas, minha inabilidade com qualquer instrumento e a falta de concentração nunca me deixaram realizar esse sonho. Assim sendo, sou obrigado a usar a música dos outros.

Poderia discorrer - acho que só sei fazer isso - sobre bandas, discos, etc e tal e contar minha vida sob a ótica de determinada canção.

Podia falar de pessoas, paixões antigas, alegrias, tristezas, amizade, mágoa e terminar com aquela famosa frase de Lou Reed -
"música é tudo, só ela nos impede de ficarmos loucos."

Pensando bem, já terminei.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Gordos saudáveis

Entre os colecionadores de discos existe uma frase que é "tal disco é o Sgt. Pepper's desse grupo" para designar que o álbum em questão era a grande obra-prima do artista mencionado.

Tinha um colega, beatlemaníaco de carteirinha, que dizia uma pérola, digna de antologia: "O Sgt. Pepper's dos Beatles é o Revolver."

Indo no mesmo caminho quero fazer uma campanha a favor dos "gordos saudáveis": são aqueles que não bebem, não fumam, dormem cedo e só saem de casa acompanhado de suas respectivas patroas.

Menon e eu somos os dois primeiros sócios. Quem mais se habilita?

Conversations With Myself

Tarde da noite, o telefone toca:

- Alô.
- Rubens, o que você está fazendo aí, homem de Deus? Não ficamos de sair?
- Ah... É... foi.. Me desculpe...
- Venha logo, então!
- Não dá, aconteceu um imprevisto.
- Qual?
- Um amigo veio me visitar de repente.
- Um amigo? Você tá de brincadeira!
- Sério! Ele veio do estrangeiro e passou aqui.
- E quem é?
- Ah, é um cara chamado Bill!
- Bom, fale que você tem um compromisso.
- Não dá, pô, ele veio de longe!
- Tá bom, traga-o então!
- Impossível!
- Por que?
- O piano é muito pesado.

E desliguei o telefone da tomada...

Esse pequeno naco de minha atormentada bio é para dizer como amava ouvir anos atrás, trancado em casa o CD Conversations With Myself, do pianista Bill Evans. Bill se tornou um dos meus pianistas favoritos depois que ouvi infinitas vezes Kind of Blue, gravado por Miles Davis, em 1959 e no qual ele participa.

Anos depois de ter dizimado minha coleção, achei esse CD por uma pechincha. Claro que não vou dar o fora em ninguém até porque hoje sou casado. Mas já que estou ouvindo-o nesse momento, deixo o telefone desligado. Só pra garantir. Só pra garantir.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Trilha-sonora de uma vida

Em dois momentos. Calem a boca e ouçam.



sábado, 31 de outubro de 2009

Hai-kai ateu

"Não sou mau", disse o Diabo
"dei-lhes diversão."
"Sou mau", disse Deus
"dei-lhes esperança."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ELE VOLTOU!!!!

Os gambás já estão tremendo!!!

Casa da banha e medíocres associados vão sentir a fúria do baiano matador!!!!


HA HA HA HA!!!!!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Reminscências

Quando se é garoto, os sonhos são as únicas coisas possíveis.

Você não tem noção de dinheiro, não tem noção de como o mundo é feito, a ingenuidade é a coisa mais linda que existe.

Me lembro que não entendia porque minha mãe ia ao banco e tirava apenas um pouco de dinheiro. "Ora, se o banco está dando, pegue mais". Ela só ria e dizia "pois é, mas preciso deixar também pros outros".

Como minha era gente fina. E como eu era aéreo.

Mas, aí você cresce, mesmo que continue sem entender o que significa ser de esquerda ou de direita. Os sonhos vão se formando, virando mais sonhos, pesadelos ou sendo construídos. A barba começa a crescer, os problemas também, os hormônios te empurram pra fora de casa ou pra dentro do quarto com um monte de discos e livros.

As discussões em casa se tornam repetitivas, a vontade de ir embora aumenta, você faz as malas, encara um novo mundo com a cara, coragem e lágrimas.

Os primeiros vazamentos te deixam irritado, a cidade grande te deixa maravilhado, as primeiras tentativas e erros, frustrado. Você está crescendo, cara!

Mas, aí, o mundo se lembra de você e lhe aplica um belo pontapé nos fundilhos. E você só chora. E vai pro pau. Trabalho, novos amigos, possíveis amores, desilusões, até que um dia senta em uma mesa qualquer com um copo de cerveja entre amigos e passa alguns segundos catatônico, até ser desperto:

"Tá pensando em quê, na morte da bezerra?"
"Não, tô querendo lembrar o que sonhava em ser quando menino."
"E o que você sonhava?"
"Não sei, mas, com certeza, não era fazer tal pergunta nessa altura da vida".

E vira um outro copo de cerveja. Quente. O fundilho nunca mais terá paz.