sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Trilha-sonora do dia

O bica-bica no "jardim de inverno"

Por alguma razão que jamais entendi, nas duas últimas casas que morei - e moro - encontrei "jardins de inverno". Logicamente falo daqueles bem vagabundos.

A casa antiga tinha uma dessas telhas de plástico, amianto, sei lá e os passarinhos misteriosamente ficavam bicando nela toda amanhã, uma sinfonia do cacete! O pior é que essa abertura - pois tinha uma abertura do lado, inexplicável, no telhado - deixava entrar água e vento que inundavam a casa em tempos de tempestades, uma tortura infernal.

Após sairmos daquele covil dos infernos, viemos para essa casa. E qual não foi minha surpresa que no corredor ao lado dos dois quartos ter a mesma telha e que é visitada diariamente por passarinhos que bicam e bicam e bicam...ah, como bicam!

Não entendo a razão, pois não há árvore ao lado, não há nada comestível que caia em cima delas. Talvez com o vento venha algumas coisas, sementes que sirvam de alimento. Mas é incessante, eles bicam por uns 30, 40 minutos, 1 hora e várias vezes ao dia. E o tal jardim do inverno não tem a menor razão de ser, porque nunca vi um vaso nesses lugares quando cheguei.

Aliás, o único que encontrei nessa casa estava praticamente morto, sem água e eu o revivi dando generosas quantidades de H2O e o bichinho está todo frondoso agora.

Mas a tal telha??? Pfui, algo inexplicável. Assim como o bica bica bica bica...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dias prozacianos

Ah, reminescências. que merda ficar velho e ver que as lembranças são boa parte de sua vida.

Vou repetir - até porque ninguém leu mesmo na época e acho que ninguém vai ler agora também, mas, enfim - uma história dos tempos de Sweet Jane, outra história, quase lenda...

Salsicha tinha sua mania, como todo doente. A pior delas - ou uma das, o cara era caso para Freud, Jung, Reich e Analista de Bagé, juntos - eram suas fitas cassetes.

Salsicha tinha um gosto parecido com o meu e do Carlos - nem tanto assim, na verdade.

Gostava de Television, Echo, Japan (foto), mas tinha um dom: só gravava as músicas mais chatas de cada artista.

E tinha um defeito irritante: as gravava em uma fita de 90 minutos e levava no bolso de suas horrorosas camisas para tocar na Sweet Jane.

A loja tinha um aparelho e todos eram autorizados a tocar seus discos: Carlos comandava 80% da ação com seus progs infindáveis, eu ficava com 10%, Gustavo com uns 5% e tinha, infelizmente, os 5% do Salsicha.

Não posso me lembrar da cena sem um calafrio: ele sempre usava alguma camisa com bolso. Por volta das 14h30, 15h, tirava daquele lugar do capeta, uma fita, pegava uma caneta e começava rebobiná-la, calmamente. Era pior do que pau-de-arara. E... a tocava.

Eram 90 minutos de dor, de depressão, de confessar crimes nem cometidos. Qualquer coisa, menos aquilo. Às vezes tinha a impressão que ele gravava os discos fora de rotação. "Não é possível, Marcelo, sua fita está com problema. A voz do Ian McCulloch não é desse jeito!".

A coisa era tão grave, que, certa vez eu cortei uma fita com tesoura.

Ele ficou puto, desconfiou de mim, mas como neguei com toda calma, começou a levá-las dentro do estojinho de acrílico e só tirava na hora de tocá-las.

Eram 90 minutos intermináveis. E viva a democracia!

Um dia, irritado, ele foi ao banheiro e deixou a fita lá. Carlos e eu trememos.

"Rubens, ele vai tocar Japan de novo. Eu não aguento mais, Rubens, faça alguma coisa!"
"Faça você, a loja é sua. Demita-o, caralho!"
Não, não tenho coragem. Faça algo, eu imploro!"

As merdas sempre caem no meu colo...

Não tive dúvidas. Peguei a fita e joguei atrás do móvel onde ficava o aparelho. Dei um olhar pro Carlos do tipo "a gente não sabe de nada."

Ele foi pro escritório e eu fui até a lanchonete pegar um refrigerante, a cinco metros dali, só esperando a merda acontecer.

"Rubens, viu minha fita?"
"Que fita?"
"A fita que deixei aqui."
"Não vi, Marcelo."
"Puta merda, cara, era minha fita especial do Japan, com lados Bs e um show raro! (socorro, senhor!)
"Você deixou aí mesmo?"
"Claro que deixei, fui até o banheiro e a coloquei aqui."
"Não deixou no banheiro?"
"Claro que não!"
"Bom, eu não vi."

"Carlos, viu minha fita?"
"Não, Marcelo."
"Meu Deus, minha fita, vou morrer, minha fita amada, ouço-a sem parar há uma semana. Não, por favor, quero minha fita!"

Senti que ele ia enlouquecer, mas aguentei firme. Carlos deu uma de patrão.

"Marcelo, controle-se, isso é um estabelecimento comercial. Sua fita não está aqui, você esqueceu em algum lugar."
"Não esqueci não, eu sei!" (ele babava a essa altura). Vou procurá-la no banheiro.

Cinco minutos depois, o segurança vem nos chamar. Marcelo está fazendo um barulho dos infernos no banheiro, revirando tudo e entrando até nas cabines onde as pessoas estavam quietas, se aliviando.

"O amigo de vocês está com algum problema. Poderiam ir tirá-lo de lá?"

Marcelo estava louco. Tão louco que não me deu alternativa. Peguei a fita e disse:
"Calma, Marcelo, a fita caiu do balcão e acho que você não percebeu. Acalme-se."

O rapaz quase chorou. Mas a gente não ia ouvir aquela fita nem fodendo, por isso pedi pro Carlos mandá-lo para casa e descansar. Contrariado, obedeceu.

Dias depois, o aparelho começou a dar, "estranhamente", problemas, no toca-fitas...

Vida num segundo

Frases do tipo "quando tive um enfarte, minha vida passou inteira num piscar de olhos como um filme" sempre me deixa intrigado.

Dizem que uma mera piscada pode resumir tudo o que você viveu. Imagino que minha vida deva valer mais que isso ou, ao menos, uma piscada de uns 10 segundos, sei lá.

Como eu ainda não morri e nem enfartei - e espero continuar assim um bom tempo - só posso imaginar como deve ser isso.

E como seria esse filme? Uma comédia ácida do tipo Woody Allen um cinemão a la Spielberg, um filme B estrelado por Jason ou uma pornochanchada da Atlântica?

Então fico imaginando falas do tipo "sossega Rubão, sua vida até que foi boa, você conseguiu quem te beijasse e ainda tinha bom gosto para música. Tudo bem que podia se vestir melhor e ter um chulé menos lazarento, mas, enfim."

Obviamente que minha vida foi um pouquinho melhor do que isso.

Mas e como seria se você morresse? O que São Pedro - se é que ele existe - diria?

Para mim seria bico:

"Andar errado, desce!"

Revolucionário de berço

E é literalmente. Imagine se tivéssemos meninos aqui com essa consciência....

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sensacional - Hungria 4x2 Uruguai, Copa de 54

Vendo os arquivos do meu blog descobri que no post de 20 de fevereiro de 2008 tinha colocado 4 vídeos da final de 1954, entre Alemanha Ocidental x Hungria. Os alemães venceram por 3x2 numa partida sensacional com mais de 30 chances reais de gols. Apesar de muitos reclamarem que a derrotas húngara foi injusta, eles tiveram um adversário à altura.

Pois Menon encontrou agora o jogo entre húngaros e uruguaios. Assim vou repetir e colocar os mesmos 4 vídeos.

Aproveitem minha bondade!







segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A mística do "Diez"

O grande assunto da semana é a má fase da Seleção da Argentina. Brasileiro anda tão medíocre que, ao invés de falar bem do time de Dunga, fala mal do time de Maradona.

Nesse quesito a asquerosa Rádio Jovem Pan deu um "show", com o inclassificável narrador Rogério Assis comemorando cada gol do Paraguai como se fosse brasileiro e no final ridicularizando o time argentino.

Fosse eu dono da emissora teria sido demitido por tamanha falta de respeito com o ouvinte. Mas, não sou, claro.

Vamos botar as coisas no "is". Primeiro; o time argentino é bom ou você acha que uma equipe formada por Messi, Tevez, Aguero, Mascherano, Verón não sabe jogar bola? Segundo ponto: Maradona é o "Diez" eterno, mas não é treinador de futebol.

A efetivação de Diego mostra como os dirigentes não têm a menor idéia de como se comanda o futebol. Depois que Donadoni e Dunga assumiram as seleções acharam que ele poderia fazer o mesmo.

Quem conhece futebol sabe que "El Pibe" desfruta de um status em seu país que Pelé sonharia em ter aqui. E Pelé e Maradona são tão bons treinadores quanto eu sou físico nuclear.

Pelo seu carisma e por ter opiniões fortes - mesmo que erradas - levou o time ao medo maior: a desclassificação da Copa. Ora bolas, será que ninguém sabia que isso poderia acontecer com um não-treinador dirigindo o time?

E o que deve fazer Maradona? Pedir demissão, ser demitido? Ficar?

Como mito que é e por tudo que representa, só vejo uma solução para ele: ficar, fazer uma grande reunião com os jogadores, exigir mais amor e classificar na raça.

Se sair e um outro treinador classificar a seleção, choverão críticas em cima dele. Se assumir outro treinador e perder, dirão que o time já estava condenado. Ou seja, Diego se ferra nas duas.

Maradona já percebeu isso e por isso mesmo vai viajar à Europa e conversará com todos os outros jogadores. Maradona tem a seu favor algo que Messi não possui e jamais terá: um carisma e uma mística únicos.

Está na hora dele mostrar que sabe assumir responsabilidades enormes e riscos também. Já que colocou seu rabo nessa fogueira que conduza o time ao Mundial e que faça das tripas coração. E se tiver um pouco de juízo, com o time já classificado, pede demissão ali mesmo na coletiva após a partida contra o Uruguai, no estádio Nacional.

A AFA que ache o seu Dunga. Deixem Diego com a mística de ser o "Diez de la gente".

Somos quem éramos?

Hum... quando eu morava no interior e minha vida nada mais era do que sonhos sem forma e sem sentido, ficar trancado no quarto ouvindo música e lendo eram as poucas opções que me sobravam.

Eu nunca gostei dos colegas de escola e conversando com alguns amigos do passado vi que tinha razão. A maioria se transformou naquilo que sempre sonhavam, réplicas paternas fascistas e que sempre acham que tudo é justificável se for em benefício deles, algo que nunca aprovei.

Por que o mundo é tão absurdo eu não sei dizer, mas é uma razão para que você veja as notícias do mundo e a baixeza de espírito em alguns blogs - alguns deles de amigos - para perceber que a humanidade não perdeu a guerra; ela jamais teve chance alguma de vencer.

Talvez eu esteja ficando velho demais, mole, condescendente, bundão, no sentido próprio da palavra. Deve ser isso. Mas como minha própria esposa me disse ontem ao jantar "às vezes acho que vivi 500 anos porque tanta coisa já aconteceu na minha vida em pouco mais de 30 anos."

Tenho a mesma impressão dela. Ao conversar com uma ex-colega de faculdade, fatos ocorridos há 15 anos pareciam ter sido vividos em outra época, outra vida. Nada tem a ver comigo.

Aí fiquei pensando: será que tudo foi mesmo há aproximadamente 5500 dias atrás? Não foram 5500 semanas ou meses ou anos? Como posso ter mudado tanto e ver pessoas que conheci permanecerem as mesmas e ainda mais mesquinhas?

Mas aí essa minha amiga que não me vê desde aqueles dias olha minha foto e exclama: "mas você continua com a mesma carinha dos tempos da faculdade!"

Isso é bom? "É ótimo", ela cravou.

Que bom então que algumas coisas não mudaram. Mas até quando?