sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Anorexia, não!

Definitivamente não é comigo, antes fosse. Eu podia ter uma por uns cinco meses e minhas costas e meu bolso não reclamariam.

Mas, agora nessa droga de carnaval quando o país pára e as águas atacam o Maranhão, vou combater a anorexia cultural que será (mais ainda) a televisão, internet etc...


Então, teremos bastantes jogos legais na internet para assistir, filmes para ver, coisas para escrever - tô adiando mais do que pagar dívidas - e muitos beijos e carinhos na esposa.

Porque se tem uma coisa que aprendi com Menon (ver foto abaixo) é isso:

Que medo!

Em noites como essa, em que o mundo parece desabar e a água não dá trégua por toda a noite, só me lembro do Obelix, ao dizer que o único do medo dos gauleses é que o mundo caia sobre suas cabeças.

Quase me joguei embaixo da cama com a intensidade da tempestade.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Eu

Eu poderia dizer que gosto de todo mundo...até de mim.

Hum, isso não é verdade. Já perdi o gosto pela amizade há algum tempo e se gostasse de mim estaria mais magro e saudável. Eu gosto de mim, mas não percebo que gostar de mim significa realmente gostar de mim e me querer mais tempo nesse planeta.

Talvez eu tenha ficado cínico muito cedo, ou perdi as esperanças quando não devia. Vejo a Naiacy e noto nela um despojamento, uma falta de ego que chega a ser desumano. Ela jamais quer mal a alguém, jamais tem uma palavra amarga. E eu sou tão o oposto.

As dores nas costas sempre vêm em momento de tensão ou de decepção, basicamente comigo mesmo e que transfiro para os outros.

Poderia ser mais doce, mais compreensivo, eu era assim. Mas há sempre um caminho que se perde na vida e que depois parece nunca ter existido. É estranho. Assustador.

Então prefiro dizer que "todas as pessoas legais têm seus dias de filhos-da-puta... eu sou o contrário". Soa ácido, mas também não é assim. Não sou um filho-da-puta. Mas afinal eu sou o quê?

Um infeliz mimado, de 41 anos que reclama de barriga cada vez mais cheia? Com certeza.
Um cara que gostaria de ser mais do que é? Com certeza.
E não sou um cara que tem sorte de ter muita coisa e uma existência relativamente tranquila perto de muitos e que poderia estar mais fodido? Com certeza.


Então, só há uma conclusão: jamais serei Pedro Bloch.

E é preciso viver com isso que sou.

A imprensa e o mito da hora

Devo estar louco. Ou sou burro. Sou muito burro e muito louco. É isso.

Mal completamos 40 dias de 2010 e o mundo do futebol já tem um novo deus, um novo Messias, aquele que fará Pelé se ajoelhar, entregar sua coroa e dizer que, enfim, foi superado.

E o mais incrível de tudo é que ele conquistou tal façanha com a mesma idade com que Pelé virou Rei na Suécia - 17 anos - e derrotando sete potências futebolísticas num torneio de nível altíssimo: o Campeonato Paulista.

Falo, é claro, da histeria do momento, o Neymar.

Mas, afinal, em que mundo estamos?

Dia após dia, vejo a imprensa correr, sedenta, atrás da maior ave de rapina entre os empresários, Wagner Ribeiro, que jura vender o atleta em julho por inacreditáveis 40 milhões de euros e confessa que os grandes europeus estão se matando pelo novo ESCOLHIIDO.

Será? O mundo enlouqueceu de vez, então.

Neymar é um garoto de apenas 18 anos, outro peladeiro de habilidade inacreditável- ainda que completamente cru - que vem desmontando adversários em um medíocre torneio regional. Em sete rodadas apenas - menos de 1/3 do campeonato para o time que se sagrar campeão, após 23 partidas - só há um assunto possível, no futebol: Neymar. E há quem o queira já na Copa da África do Sul e como titular.

Que Ribeiro queria vender seu peixe como fez com Kaká e Robinho, vai lá. Que ele encontre seus pares na imprensa esportiva, vai lá também. São medíocres iguais a ele.

Mas, de repente, só se fala nisso e mesmo alguns que eu respeitava razoavelmente perderam completamente minha confiança com essa lenga-lenga absurda.

Boa parte da crise no futebol brasileiro se deve a termos uma imprensa fraca, conivente, covarde, beijadora de mão, que só escreve e fala lugares-comuns, que se revolta no conforto de sua sala com ar condicionado, mas que não tem culhões para investigar e denunciar. Corrupta. E eles não são mais exceção, são regra. Exceção são os poucos caras sérios que combatem isso. Embora alguns que combatam sejam patéticos demais.

Neymar é bom? Ele ESTÁ bom, é diferente, pois vem enfrentando o vento. Não fez um campeonato decente inteiro, não pegou times grandes, defesas pesadas, finais duras, não fez nada disso. Está massacrando Oeste, Santo André, Barueri, baluartes da mediocridade.

E com tanto assunto sério para se falar no futebol, como a farra do boi comendo com o dinheiro público para erguer estádios, ninguém aperta os dirigentes dos clubes, das federações, o ministro do esportes, nada. Vamos de Neymar.

Nós estamos em 2010 mesmo? Temos uma imprensa ativa, que pensa sério? Porque os blogs dos "grandes jornalistas" na internet são risíveis. Os blogs dos caras da Jovem Pan são inacreditáveis, difícil é saber se aquilo é sério ou piada. Outros, moralistas e sabedores de tudo, como Lédio Carmona, provocam risadas.

Mas Neymar deve ser o novo Messias mesmo. Deve ser isso. Claro que é, pô! É melhor que Robinho, o "passado" que morde 1 milhão de reais/mês.

Deve ser mesmo uma mistura de Pelé e Garrincha com uma pitada de Romário, por que não?


É bom menino, evangélico, reza sempre, humilde, tudo certo, embora não saiba nem pensar.

Tudo certo.

Mas quero ver um time europeu engolir o "Novo Robinho" e pagar, novamente, 40 mi de euros. Mas, de repente, pagam, né?

A lavagem cerebral não é exclusividade só nossa. Ainda mais tendo uma imprensa tão participativa e imbecil e absurda como a brasileira.