sexta-feira, 5 de junho de 2009

O rock do "eslache"

Por volta de 1999, 2000, 2001, sei lá, fui a Ribeirão passar uns dias na casa de meu pai. Nesse período, aproveitava para visitar o velho amigo Osvaldo, ex-proprietário da melhor loja de vinis da cidade, a Cantinho Discos.

Através dele, conheci a figuraça do Henry Blues Boy, o Henricão, um sujeito troncudo, que tinha um apiário e nos dias de folga era gaitista de uma banda de blues, além de ser DJ de um programa do estilo em uma extinta AM Comunitária.

Certo dia, Henry me convidou para fazer um programa especial de soul music. Viajei com uma penca de cds pra Ribeirão e fomos, eu e o Osvaldo, para lá.

O programa do Henry era algo de inusitado, pois ficava entre um de pagode (antes) e um de metal (depois). Uma verdadeira salada musical.

Bom, ficamos numa ante-sala esperando o pessoal do pagode finalizar a bagaça deles, e entramos com os discos, cds etc... De repente, um neguinho da turma do pagode viu um CD meu e exclamou:

- Meu, mas que capa mais louca, cara, muito maneiro. Que é isso aqui, mano?
- Ah, um cd de rock.
- Rock, cara?
- É, rock, um disco de rock. Você sabe, rock and roll, guitarras...
- Ah, meu tô ligado. É o som do eslache (com som de "A" mesmo)! Aquele cara é loucão, mano!
- Eslache, mas que eslache?
- Pô, mano, o eslache, não vai dizer que não conhece?
- Acho que não...
- Pô, como não? É aquele maluco com um cabelão cumprido que tampa os olhos e com uma cartola maneira.
- Ah, o Slash (ex-guitarrista do Guns N'Roses)!
- Esse aí memo, mano! Pô, vocês vão tocar o disco do eslashe?

- Não, cara, é de outro.
- Pô, nem sabia que tinha outros aí. Falou velho, fica na paz, bom show aí....

E meu rock and roll se resumiu ao eslashe... eu mereço.

Eita!