sábado, 5 de janeiro de 2008

Trilha-sonora do dia

Trabalhar em loja de cd durante a época do desemprego no jornalismo foi, em parte, a realização de um sonho. Parte, porque o dinheiro era curto e o sentimento de injustiça de como fui demitido ainda doía. Mas, inegavelmente, eu curti muito. Durante quase dois anos vivi o período "Rob Gordon", já que ficava horas discutindo música com Carlos, Gárgula Boy, Salsicha e clientes variados e acumulando mil histórias.

Lá comprei e ouvi pela primeira vez um músico que é hoje uma das minhas paixões, tanto que coloquei sua imagem no início do meu site de música: Rory Gallagher.

O que mais me atraiu, além do seu blues pesado, bem tocado, foi sua simplicidade e seu jeito simpático. Extremamente talentoso, virei fã e acabei comprando todos seus discos. O primeiro foi o clássico Irish Tour, mas guardo carinhosas lembranças de Tattoo, de 1973, e anterior ao duplo álbum ao vivo.

Ouvir Rory é relembrar de um período triste, mas também alegre. Triste por estar no auge da minha depressão, fazendo cada vez mais tratamento em infinitas sessões de análise e toneladas de remédios, mas alegre porque mexia com algo no qual sempre fui apaixonado e com o que sonho, um dia, em retomar.

Obrigado, Rory. Mesmo não estando entre nós e jamais tê-lo conhecido, saiba que é parte importante de minha vida, ainda que não faça mais a menor diferença para você. Para mim fez e faz. Muito.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ano novo, incinerador velho

Ano novo, incinerador velho. Não sou daqueles que fica fazendo promessas de tudo que será diferente ou uma lista do que quero "conquistar". Se eu não morasse tão longe dos meus parentes talvez nem ligasse nessas datas. É mera convenção social desejar feliz natal, ano novo, etc. Não que eu não goste deles, mas não acho que precise me expressar através desses chavões, embora o faça para não me chamarem de esquecido.

Sejamos sinceros: 2008 será pior que 2007 assim como foi pior que 2006. Teremos mais desgraças, mortes, aumento da violência no Rio (ótimo) e muitas mentiras e promessas não cumpridas.

Veremos mais programas lixo na televisão, mais cultura inútil e ficaremos praguejando contra tudo e com vontade de detonar uma bomba. Você, com certeza. Eu, não.

Vivo com quem gosto e acho que ainda posso ter jeito. Meio difícil acreditar em que está perto demais dos 40 anos, mas enquanto há vida há utopias para serem abraçadas.

Sendo assim, comemore enquanto você não tem um enfarte, o Imposto de Renda não te pega na malha fina ou se sinta (novamente) um trouxa por acreditar em promessas de campanhas. Sim, teremos eleições esse ano e aposto que praguejará contra os candidatos, mas não perderá um só programa eleitoral.

Como se vê, nada muda. Nem a estupidez humana.