No Brasil, espera-se um gênio morrer ou estrangeiros o celebrarem para só, depois, dar alguma atenção. Em um país de música cada vez mais pobre, banal, burra e apelativa, nomes como Baden Powell possuem a mesma importância do ET de Varginha.
Baden foi grande, foi monstruoso e monstrou ao mundo todo seu talento. Tive a chance de vê-lo nos anos 90 em um barzinho minúsculo em São Paulo. Só o conhecia de nome e fiquei mudo vendo-o mexer aquelas seis cordas de violão como se fossem 300.
Baden não merecia ser esquecido no Brasil como foi. Mas esse país é cruel, não?
Assim, deixo oito vídeos de dois especiais gravados na Alemanha, onde morou tantos anos.
Ao mestre. Com carinho.
Canto on Guitar
Saarbrucken, 1970
sexta-feira, 27 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Relembrando o passado
Reminiscências
Quando se é garoto, os sonhos são as únicas coisas possíveis.
Você não tem noção de dinheiro, não tem noção de como o mundo é feito, a ingenuidade é a coisa mais linda que existe.
Me lembro que não entendia porque minha mãe ia ao banco e tirava apenas um pouco de dinheiro.
"Ora, se o banco está dando, pegue mais". Ela só ria e dizia "pois é, mas preciso deixar também pros outros". Como minha mãe era gente fina. E como eu era aéreo.
Mas, aí você cresce, mesmo que continue sem entender o que significa ser de esquerda ou de direita. Os sonhos vão se formando, virando mais sonhos, pesadelos ou sendo construídos.
A barba começa a crescer, os problemas também, os hormônios te empurram pra fora de casa ou pra dentro do quarto com um monte de discos e livros.
As discussões em casa se tornam repetitivas, a vontade de ir embora aumenta, você faz as malas, encara um novo mundo com a cara, coragem e lágrimas.
Os primeiros vazamentos te deixam irritado, a cidade grande te deixa maravilhado, as primeiras tentativas e erros, frustrados. Você está crescendo, cara!
Mas, aí, o mundo se lembra de você e lhe aplica um belo pontapé nos fundilhos. E você só chora. E vai pro pau.
Trabalho, novos amigos, possíveis amores, desilusões, até que um dia senta em uma mesa qualquer com um copo de cerveja entre amigos e passa alguns segundos catatônico, até ser desperto:
"Tá pensando em quê, na morte da bezerra?"
"Não, tô querendo lembrar o que sonhava em ser quando menino."
"E o que você sonhava?"
"Não sei, mas, com certeza, não era fazer tal pergunta nessa altura da vida".
E vira um outro copo de cerveja. Quente. O fundilho nunca mais terá paz.
Quando se é garoto, os sonhos são as únicas coisas possíveis.Você não tem noção de dinheiro, não tem noção de como o mundo é feito, a ingenuidade é a coisa mais linda que existe.
Me lembro que não entendia porque minha mãe ia ao banco e tirava apenas um pouco de dinheiro.
"Ora, se o banco está dando, pegue mais". Ela só ria e dizia "pois é, mas preciso deixar também pros outros". Como minha mãe era gente fina. E como eu era aéreo.
Mas, aí você cresce, mesmo que continue sem entender o que significa ser de esquerda ou de direita. Os sonhos vão se formando, virando mais sonhos, pesadelos ou sendo construídos.
A barba começa a crescer, os problemas também, os hormônios te empurram pra fora de casa ou pra dentro do quarto com um monte de discos e livros.
As discussões em casa se tornam repetitivas, a vontade de ir embora aumenta, você faz as malas, encara um novo mundo com a cara, coragem e lágrimas.Os primeiros vazamentos te deixam irritado, a cidade grande te deixa maravilhado, as primeiras tentativas e erros, frustrados. Você está crescendo, cara!
Mas, aí, o mundo se lembra de você e lhe aplica um belo pontapé nos fundilhos. E você só chora. E vai pro pau.
Trabalho, novos amigos, possíveis amores, desilusões, até que um dia senta em uma mesa qualquer com um copo de cerveja entre amigos e passa alguns segundos catatônico, até ser desperto:
"Tá pensando em quê, na morte da bezerra?"
"Não, tô querendo lembrar o que sonhava em ser quando menino."
"E o que você sonhava?"
"Não sei, mas, com certeza, não era fazer tal pergunta nessa altura da vida".
E vira um outro copo de cerveja. Quente. O fundilho nunca mais terá paz.
domingo, 22 de março de 2009
Adeus, vovó
Algumas pessoas parecem eternas, imortais. Vivem como quer, são independentes e não dão satisfação para ninguém.Dona Gláucia era assim. Me lembro de certa vez conversar com um vizinho dela, um senhor de nariz grande e que tinha muito apreço por ela: "sua avó é daquelas pessoas que não se fazem mais; pessoas fortes, firmes, decididas e sempre de bom humor, igual àquelas varas de marmelo que vergam e jamais quebram."
Pois a vara quebrou, hoje de manhã.
Ok, nunca me dei muito bem com ela, éramos muito diferentes. Porém, fui o único neto que morou no apartamento dela, por 1 ano.
Minha grande ligação era com o meu avô, falecido em 1985. Mas sempre a amei. Minha avó sentia imensa falta dele e sempre dizia que não via a hora de reencontrar o Jeff amado. "Não tenho medo de morrer, pois se quando acontecer, ficarei perto do seu avô para sempre."
Bom, ela se foi hoje, exatos 24 anos e 10 dias depois dele.
E a gente não se despediu, assim como não me despedi do meu avô. Só soube da morte dele, por telefone. Chorei muito no seu enterro.
Meu avô foi uma figura fundamental na minha vida, pois me ensinou o amor ao futebol, que me deu uma carreira.
E, agora, distante 3 mil km de São Paulo, sou informado que ela também se foi. Não dá para explicar o que a gente sente, é um vazio só.
Gostaria que o vizinho dela estivesse certo, mas quem não gostaria de vermos nossos parentes e amigos sempre do nosso lado, com saúde e felizes? Mas a vida não é assim, infelizmente.
Não acredito em Céu, Paraíso, mas espero que ela encontre o conforto eterno e, quem sabe, encontre meu avô. Sei que eles se amavam.
Dona Gláucia era tão forte, que se recusou a dormir em outra casa no dia seguinte, ao velório. Queria a cama dela, onde viveu com meu avô por mais de 40 anos. Encarou e sofreu a perda com dignidade e sobriedade, características marcantes em sua personalidade.
Eu vou sentir muita falta do apartamento 81 do Edifício Acrópole. Vou sentir falta até das nossas discussões. Sentirei falta das sessões de filmes que fazíamos.
Eu te amei vovó, do meu jeito, da minha maneira, assim como você me amou.
Não posso me despedir de você, mas essa imagem eu a conservo como um prêmio.
Um beijo, vó. Vá em paz.
E obrigado por tudo.
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