Uma das mais belas canções dos esquecidos Fine Young Cannibals, contra o descaso do governo britânico, com os pobres.
Ooooohaaaah.
I've had a bad day, yeah.
My hometown is falling down,
I'm mad about that.
And people there don't seem to
care, I'm mad about that.
Chorus:
Good god, almighty
There's no denying life
Would be better if I never ever
had to live with you,
Blue - it's a colour so cruel
Repeat chorus
Government has done me wrong,
I'm mad about that.
And it makes me feel like I
don't belong, I'm mad
about that.
It's making life a misery,
you wouldn't have taken the
liberty
Government has done me wrong,
I'm mad about that.
Chorus
Repeat chorus
There you go telling lies, it's no surprise
I say a prayer, to make you care,
You wouldn't listen
It's been too long, it's time you're gone
Get away from here
I've had too much - but not enough
It's time you left
Chorus x 3
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Ser minoria
Publicado originalmente no dia 6 de março de 2010....
Muito, muito antes de me casar e, ao menos nessa parte, me estabilizar, vi as mulheres como um enorme tabu. Algumas coisas eram tão malucas que explicar aqui seria absolutamente inútil.
Quem foi ou é gordo, sabe como nossas chances são reduzidas com as mulheres bonitas. Elas preferem obviamente os caras sarados, ainda que tenham um cérebro de minhoca atrofiada.
Quem foi ou é gordo, sabe como nossas chances são reduzidas com as mulheres bonitas. Elas preferem obviamente os caras sarados, ainda que tenham um cérebro de minhoca atrofiada.
Mais vale uma barriga tanquinho do que centenas e milhares de horas de papo inteligente. No fundo, tudo se resume ao coito, concordem ou não e saber se "andaria com esse homem na rua de mão dada? o apresentaria à minha família? posso confiar em alguém que não se importa tanto com a sua aparência?". Cada um tem sua resposta.
E, naturalmente, algumas mágoas sobram na vida devidamente apagadas quando você encontra quem te ama como você é, e te aceita, e te cuida e faz juras de amor e planos contigo.
Como parte de uma minoria - além de gordo, sou gago, retraído e prefiro a companhia dos meus discos, livros e sonhos às pessoas - sempre tenho simpatia pelas partes, digamos, "menos favorecidas".
E, naturalmente, algumas mágoas sobram na vida devidamente apagadas quando você encontra quem te ama como você é, e te aceita, e te cuida e faz juras de amor e planos contigo.
Como parte de uma minoria - além de gordo, sou gago, retraído e prefiro a companhia dos meus discos, livros e sonhos às pessoas - sempre tenho simpatia pelas partes, digamos, "menos favorecidas".
Porque ter uma imperfeição não significa ser menos favorecido; é apenas ir contra o modelo vingente. E eu gosto de ser do contra. Sempre gostei de peitar chefe, de mandá-los tomar no cu quando me desse na veneta, de me agarrar aos meus ideais e de dizer "foda-se" a quem não concorda ou me acha um ser bizarro.
Demorei anos pra ser quem sou e não vou deixar que meia dúzia de opiniões medíocres mudem isso.
É claro que a questão envolve não só as mulheres preferirem os homens "sarados", como também ao lado inverso, dos homens só procurarem as gostosas.
É claro que esse texto não mudará a opinião de alguém, até porque dirão que foi escrito por uma parte interessada. Mas essa parte interessada já casou. Eu só espero que ao ter uma criança (menina ou menino) possa passar algumas crenças minhas.
Não sei se serei um bom pai, mas vou tentar. Sei que a teoria é linda e a prática, por vezes, perversa. Mas assim é o mundo, assim é a vida. A maioria sempre manda e vence, mas a minoria pode ter suas pequenas vitórias diárias, suas pequenas batalhas conquistadas.
E é muito mais gostoso saber usar palavras bonitas e ter algo a dizer ou uma amizade sincera para oferecer do que ter um corpo sarado, um cabelo "a la rebelde" e um cérebro de ervilha desidratada.
Fosse eu mulher, jamais ficaria com um homem desses. Talvez homem nenhum. Seria lésbica. É isso. Seria sapatona. De uma gostosa, claro.
Nesse ponto, mesmo sendo minoria, procuraria uma da maioria. Com barriga tanquinho e peitões.
Assim é a vida. Assim é o mundo. Vai entender.
Demorei anos pra ser quem sou e não vou deixar que meia dúzia de opiniões medíocres mudem isso.
É claro que a questão envolve não só as mulheres preferirem os homens "sarados", como também ao lado inverso, dos homens só procurarem as gostosas.
É claro que esse texto não mudará a opinião de alguém, até porque dirão que foi escrito por uma parte interessada. Mas essa parte interessada já casou. Eu só espero que ao ter uma criança (menina ou menino) possa passar algumas crenças minhas.
Não sei se serei um bom pai, mas vou tentar. Sei que a teoria é linda e a prática, por vezes, perversa. Mas assim é o mundo, assim é a vida. A maioria sempre manda e vence, mas a minoria pode ter suas pequenas vitórias diárias, suas pequenas batalhas conquistadas.
E é muito mais gostoso saber usar palavras bonitas e ter algo a dizer ou uma amizade sincera para oferecer do que ter um corpo sarado, um cabelo "a la rebelde" e um cérebro de ervilha desidratada.
Fosse eu mulher, jamais ficaria com um homem desses. Talvez homem nenhum. Seria lésbica. É isso. Seria sapatona. De uma gostosa, claro.
Nesse ponto, mesmo sendo minoria, procuraria uma da maioria. Com barriga tanquinho e peitões.
Assim é a vida. Assim é o mundo. Vai entender.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Tom e John
Todos sabem que o 8 de dezembro de 1980 é uma das datas mais tristes da humanidade, desde que John Lennon foi assassinado em frente ao seu edifício, em Nova York, por um imbecil que entrou para a história, ainda que pela porta dos fundos.Mas pouca gente se lembra que no mesmo dia, mas em 1994, morria Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o maior compositor que esse país já teve.
Tom pode ser chamado de nosso Duke Ellington, um homem que foi reverenciado por todos os cantos do planeta, que fez um disco subline com Francis Albert Sinatra - ele mesmo.
Tom foi o brasileiro brincalhão, alegre, humilde, amante das mulheres, da bebida, do charuto, da vida.
Um homem que faz parte de uma geração que assiste seus últimos heróis se despedirem em pouco tempo. Gente que conhecia e amava a música, que estudava profundamente e buscava referências de várias maneiras.
Tom e John não foram e ainda são ídolos apenas pela imortais composições.São heróis pela sua postura perante a vida, pelo amor à arte, ao próximo, por darem ao mundo muito mais do que receberam e pedimos e podemos suportar.
Boa parte da música atual anda insuportável e se deve, em parte, a ausência de talentos como eles.
E, acredite, hoje, boa parte dos jovens desse país já não sabem que foram os Beatles. Daqui a pouco serão apenas nomes da história.
Hoje, já temos uma geração que desconhece "Imagine", "Let It Be", "Desafinado" e "Garota de Ipanema".
Triste.
Ao menos, aqui não serão esquecidos.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Van Morrison no boteco
Um texto antigo....
Quando eu cabulava aulas (seja no colegial, na faculdade, no cursinho...) eu gostava da sensação do dia começando, ao passear pelas ruas. Nada mais me irritava do que o período das 7h às 9h da manhã, que é quando o sono bate ainda pesado e os minutos custam a correr.
Mas eu sempre gostei de sair ouvindo música pela manhã e caminhar por aí, sem rumo. Às vezes aproveitava para fazer visitas inesperadas e era divertido verem as pessoas ficarem assustadas e me perguntarem o que diabos eu estava fazendo lá tão cedo.
Foram inúmeras pessoas a quem visitei e com reações diferentes. Lembro-me de uma vez que comecei a conversar com um senhor que não era meu vizinho, mas sempre parava para tomar café em um bar perto da minha casa. Todos os dias entabulávamos um papo sobre futebol, música, cinema, etc...
Era um daqueles caras judiados pela vida, muita tragédia, roupas rotas, mas com um conhecimento inacreditável. Você podia não dar um centavo pelo sujeito, mas com certeza não tinha um milésimo do conhecimento dele.
Ele ali, sozinho, tomando um café-com-leite, comendo seu pão com manteiga, me abordou um dia e perguntou afinal o que eu tanto ouvia naquele walkman. "É uma dessas bandas de rock barulhentas?", me perguntou. Por sorte minha, não era, estava naquela fase celta do Van Morrison, Astral Weeks, essa coisa toda.
Meu Deus, ele conhecia Van! Começou a falar dos discos dele de maneira correta e disse que tinha assistido um show do bardo em 75, na Califórnia (o que podia ser verdade, ou não).
Daí, ficamos horas e horas conversando e, como ele não tinha grana, e eu tinha um pouquinho a mais do que ele, comprei alguns salgados e ficamos gastando saliva. Essa cena se repetiu por dias e dias e era apenas um outro motivo extra para não ir estudar.
Porém, eu sou um cara que odeio rotina e quando aquilo virou uma, passei a ficar até mais tarde na cama ou ia simplesmente fazer outra coisa (até aparecia para estudar, incrível!).
Após algum tempo, entrei no bar e o balconista perguntou por onde eu andava e disse que meu parceiro estava saudoso de mim. "De mim ou das guloseimas que eu pagava?", perguntei irônico.
Ele me respondeu que realmente o lanche que eu pagava a ele pela manhã era o que ele tinha de mais substancial durante o dia, mas disse que o velhinho era muito solitário e ficou muito feliz de ter conhecido alguém tão jovem e com os mesmos gostos dele. Me senti um canalha.
No dia seguinte, fui lá, mas ele não tinha ido. Estava internado em um hospital. Eu não sabia que ele era doente terminal. Até fui visitá-lo, mas ele estava inconsciente e não soube que lá estive. Dias depois, morreu.
Embora eu não consiga lembrar mais seu nome (tantos prozacs, haldols e efexors minaram algumas lembranças), eu sempre me sinto melancólico quando toco Van Morrison, especialmente Astral Weeks.
No entanto, certas vezes me orgulho de ter largado um pouco os estudos de lado para viver as ruas. Pode não ser muito certo ou ter me custado caro, mas certas experiências te ensinam mais do que uma aula de cálculo integral...
Quando eu cabulava aulas (seja no colegial, na faculdade, no cursinho...) eu gostava da sensação do dia começando, ao passear pelas ruas. Nada mais me irritava do que o período das 7h às 9h da manhã, que é quando o sono bate ainda pesado e os minutos custam a correr.
Mas eu sempre gostei de sair ouvindo música pela manhã e caminhar por aí, sem rumo. Às vezes aproveitava para fazer visitas inesperadas e era divertido verem as pessoas ficarem assustadas e me perguntarem o que diabos eu estava fazendo lá tão cedo.
Foram inúmeras pessoas a quem visitei e com reações diferentes. Lembro-me de uma vez que comecei a conversar com um senhor que não era meu vizinho, mas sempre parava para tomar café em um bar perto da minha casa. Todos os dias entabulávamos um papo sobre futebol, música, cinema, etc...
Era um daqueles caras judiados pela vida, muita tragédia, roupas rotas, mas com um conhecimento inacreditável. Você podia não dar um centavo pelo sujeito, mas com certeza não tinha um milésimo do conhecimento dele.
Ele ali, sozinho, tomando um café-com-leite, comendo seu pão com manteiga, me abordou um dia e perguntou afinal o que eu tanto ouvia naquele walkman. "É uma dessas bandas de rock barulhentas?", me perguntou. Por sorte minha, não era, estava naquela fase celta do Van Morrison, Astral Weeks, essa coisa toda.
Meu Deus, ele conhecia Van! Começou a falar dos discos dele de maneira correta e disse que tinha assistido um show do bardo em 75, na Califórnia (o que podia ser verdade, ou não).
Daí, ficamos horas e horas conversando e, como ele não tinha grana, e eu tinha um pouquinho a mais do que ele, comprei alguns salgados e ficamos gastando saliva. Essa cena se repetiu por dias e dias e era apenas um outro motivo extra para não ir estudar.
Porém, eu sou um cara que odeio rotina e quando aquilo virou uma, passei a ficar até mais tarde na cama ou ia simplesmente fazer outra coisa (até aparecia para estudar, incrível!).
Após algum tempo, entrei no bar e o balconista perguntou por onde eu andava e disse que meu parceiro estava saudoso de mim. "De mim ou das guloseimas que eu pagava?", perguntei irônico.
Ele me respondeu que realmente o lanche que eu pagava a ele pela manhã era o que ele tinha de mais substancial durante o dia, mas disse que o velhinho era muito solitário e ficou muito feliz de ter conhecido alguém tão jovem e com os mesmos gostos dele. Me senti um canalha.
No dia seguinte, fui lá, mas ele não tinha ido. Estava internado em um hospital. Eu não sabia que ele era doente terminal. Até fui visitá-lo, mas ele estava inconsciente e não soube que lá estive. Dias depois, morreu.
Embora eu não consiga lembrar mais seu nome (tantos prozacs, haldols e efexors minaram algumas lembranças), eu sempre me sinto melancólico quando toco Van Morrison, especialmente Astral Weeks.
No entanto, certas vezes me orgulho de ter largado um pouco os estudos de lado para viver as ruas. Pode não ser muito certo ou ter me custado caro, mas certas experiências te ensinam mais do que uma aula de cálculo integral...
Stray Cats!
Stray Cats - Rock This Town
Well, baby and me went out late Saturday night
I had my hair piled high, my baby looked so right
Well, pick you up at ten, gotta have you home at two
Your mama don't know what I got in store for you
But that's all right ‘cause we're looking as cool as can be
Well, we found a little place that didn't look half bad
I had a whisky on the rocks, and changed half a dollar for the jukebox
Well, put a quarter right into that can
But all that played was some disco, man!
Come on, baby, baby, let's get out of here right away
We're gonna rock this town
Rock it inside out
We're gonna rock this town
Make ‘em scream and shout
Let's rock, rock, rock, man, rock
We're gonna rock till we pop
We're gonna roll till we drop
We're gonna rock this town
Rock it inside out
LEAD
Well, we're having a ball just 'a bopping on the big dance floor
Well, there's a real square cat, he looks "1974"
Well, he looked at me once, he looked at me twice
Look at me again and there's gonna be fight
We're gonna rock this town
We're gonna rip this place apart
We're gonna rock this town
Rock it inside out
We're gonna rock this town
Make ‘em scream and shout
Let's rock, rock, rock, man, rock
We're gonna rock till we pop
We're gonna roll till we drop
We're gonna rock this town
Rock this place apart
LEAD
We're gonna rock this town
Rock it inside out
We're gonna rock this town
Make ‘em scream and shout
Let's rock, rock, rock, man, rock
We're gonna rock till we pop
We're gonna roll till we drop
We're gonna rock this town
Rock it inside out
We're gonna rock this town
Rock it inside out
We're gonna rock this town
Rock it inside out
We're gonna Rock This Town
We'er gonna Tear it up
Rip it down
Rock This Town
Rock it inside ooooooooooooout
domingo, 5 de dezembro de 2010
CLÁSSICO DO DIA
Agitando em um mundo livre
Há cores na rua
Vermelho, branco e azul
Pessoas arrastando seus pés
Pessoas dormindo em seus sapatos
Mas há uma placa de aviso na estrada a frente
Há um monte de pessoas falando que nós estariamos melhor mortos
Não me sinto como Satã, mas eu sou para eles
Mas eu tento esquecer disto, de qualquer maneira que eu posso.
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Eu vejo uma mulher na noite
Com uma criança em suas mãos
Sob uma luz de uma velha rua
Perto duma lata de lixo
Agora ela deixa a criança, e ela vai receber um golpe
Ela odeia sua vida e o que fez para ela
Mais uma criança que nunca irá para a escola
Nunca irá se apaixonar, nunca poderá ser legal.
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Nós temos milhares de pontos de luz
Para o homem desabrigado
Nós temos um delicado, amável,
Revólver
Nós temos lojas de departamento e papel higiênico
Temos caixas de styrofoam* para a camada de ozônio
Temos um homem do povo, falando mantenha a esperança viva
Temos combustível para queimar, temos estradas para dirigir
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
Continue agitando em um mundo livre
*Styrofoam é um material de isolamento térmico.
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