Eu jamais gostei de filmes de terror, mas, confesso, assisti o mais aterrorizante de todos agora: Fahrenheit 451. Antes que alguém me diga, que enlouqueci, explico: esse filme me dá medo, não por ser uma mera ficção, mas por ter virado realidade.Fahrenheit 451 trata de uma história baseada no romance de Ray Bradbury, que conta o pesadelo de viver em uma sociedade onde os livros são proibidos e que as pessoas são obrigadas a ficar presas em casa vendo tvs e programas estúpidos.
Vendo o filme não dá para deixar de lembrar de Xuxa, Ana Maria Braga, Pastores, programas femininos, mesas redondas... é arrepiante.
Bradbury explicou que o livro não era contra a censura e sim contra a escravização da televisão, que destruiu o hábito da leitura. E isso há mais de 50 anos, imagine agora.
Embora haja uma estatística maluca que prova que o brasileiro lê mais, não há um estudo da qualidade da leitura, afinal, as pessoas só se preocupam com auto-ajuda e coisas absurdas, e por isso, nosso mundo é igualmente absurdo.
Me lembro quando vi uma mãe ralhar com o filho de estar lendo uma revista de uma tema cultural e o obrigou a ler a passagem da Bíblia "que nosso pastor o ordenou. Como ousa desrespeitar as ordens de Deus?"
Que vontade me deu de incinerá-la igualzinho aos bombeiros de Fahrenheit 451.
Quando menino, tinha pavor da cena final Planeta dos Macacos, quando Charlton Heston vê a Estátua da Liberdade e descobre que está na Terra. Hoje, me borro, cada vez que vejo os homens de preto queimando livros; corro imediatamente pra perto dos poucos que ainda tenho e vejo se todos estão lá.
Vai que a Ana Maria Braga mandou seqüestrá-los... ainda bem que a Globo pega mal no meu quarto!


