Arthur Schopenhauer não morreu. Sua obra continua imortal e não merecia virar nome de um blog ridículo. Mas o que se esperar de um fã dele que passa os dias ouvindo Sex Pistols e Village People?
Ídolos de verdade são raros. Jogadores que se identificam com um clube, com uma torcida e que lutam com todas as forças por uma camisa tornaram-se fantasmas ou apenas histórias do passado.
Hoje, o importante é a grana, fazer muito dinheiro e deixar o clube em destroços.
Vejam o caso de Ronaldo no Corinthians. Nunca fui fã dele, sempre o achei um mala, mas o que era aquilo contra o Flamengo? Como pode o maior artilheiro das Copas entrar numa partida daquele jeito? E não falo apenas da forma física.
O que se viu em campo foi um cara sem alma, sem força, sem concentração, até meio dopado. Mas o que importa é a cada 30 dias os quase 2 milhões de reais no bolso e dane-se os gambás. No que tem todo o meu apoio, aliás. Que cumpra seu contrato até o fim. Eles se merecem.
E o que falar de Ariel Ortega? El Burrito foi um daqueles que nunca foi exatamente o que se esperava dele.
Um dos "possíveis sucessores" de Maradona, fez duas boas Copas - 19998 e 2002 - mas sucumbiu às falhas da Argentina.
Em clubes, teve uma fase sensacional no River Plate, mas nunca foi 20% do disso na Europa.
Após uma confusão dos diabos na Turquia, voltou para a Argentina, quase destroçado.
Emocionalmente andava tão mal que se entregou à bebida. Ainda assim, voltou para o River onde alternava boas e péssimas partidas e afastamento por causa do álcool.
Era quase um caso perdido até essa temporada. O River anda em uma draga de fazer inveja ao Palmeiras e, mesmo mais pra lá do que pra cá, Burrito resolveu comprar a briga e ajudar o time.
A campanha tem sido pífia, mas Ortega vem se recuperando, a ponto de ser chamado por Maradona para um amistoso contra o Haiti, em que a base é toda de jogadores que jogam no país. Não, ele não irá para a África do Sul, mas é um prêmio a quem tem lutado tanto.
Nisso ele e Maradona se parecem. Talvez, Diego queira dar um prêmio e um pouco de carinho da mesma maneira que sempre recebeu de seus compatriotas em suas eternas crises.
É importante salientar: Ortega ainda joga muita bola. Nos seus pés, o futebol torna-se um outro esporte.
Sai aquela correria de volantes, zagueiros, aquela luta insana e entra um estilista, que faz lançamentos mágicos - como o gol de empate contra o Vélez hoje -, dribles desconcertantes, passes de calcanhar e gols.
Ortega é também um forte e não foge da briga. No clássico contra o Estudiantes deu um chega para lá no forte Desábato.
Obviamente, não possui mais o dinamismo de antes e a intensa movimentação, mas dá perfeitamente para o gasto em um nível doméstico.
O campeonato argentino não apresenta um nível alto, mas é superior ao Brasileiro. As equipes lutam muito e os jogadores se doam de uma maneira raramente vista aqui. Sem falar na fantástica festa nas arquibancadas, contra a nossa eterna passividade; só torcemos na vitória e sempre vaiamos na derrota.
Sobretudo, é raro ver um grande ídolo tentar um recomeço tão emocionante, tão cheio de hombridade como o de Ariel.
Não tenho time na Argentina. Tenho simpatia por uma meia dúzia e mais até pelo Racing, por ser conhecida como Academia. Sempre gostei do River pela técnica de seus times e da legendária história de craques.
No momento, sou torcedor dos Millonariospor causa de Ortega. Aos 36 anos - nasceu em 4 de março de 1974 - mostra que dinheiro não é tudo. É muito mais importante ter dignidade e acabar a carreira com um mínimo de brio, ao invés de se arrastar feito uma paca obesa em campo.
De virada é mais gostoso, ainda mais em casa em um clássico contra o Vélez Sarsfield: 2x1.
Não apanho mais!
E, em instantes, um texto sobre a luta de Ortega para voltar aos melhores tempos e que fez uma bela partida com lindos dribles, passes de calcanhar, uma assistência para o gol de empate e muita visão de jogo.
PS: como é bom ver a torcida argentina em campo. Como cantam, como celebram, que amor, totalmente diferente da passividade brasuca.
Vivemos uma era em que tudo é rotulado como definitivo. O melhor time do mundo? Barcelona, claro. O mair jogador? Messi, oras bolas. Maior banda do mundo? U2, que dúvida!. E por aí vai.
O mundo, porém, é extremamente descartável hoje em dia, porque as pessoas são descartáveis.
Os ídolos não são mais de barros como os de antigamente, são de brisa. Basta um contra-vento mais forte e somem como apareceram.
As polêmicas são cada vez mais risíveis, as pessoas mais bobas, conservadoras e sem nada a dizer. Ver o noticiário na TV me dá a nítida impressão de que o mundo enlouqueceu de vez: somos babacas em tempo integral, com carteira assinada, 13º salário e tudo mais exterminado com o tal do PJ.
Por que tudo ficou assim? Bom, quem sabe? Os filhos hoje são mais conservadores que os pais. Idéias piores, vontade zero de mudar o mundo. Sob a ótica de um hedonismo desenfreado, a nova geração é um arremedo da anterior. Tempos tristes.
Tenho uma conta no myspace onde uso para fazer contatos pro meu site de música. Me sinto um ET sempre que a acesso.
No portal de entrada, um monte de banda emo, com moleques de cortes de cabelos ridículos e meninas "radicais". Dentro, tudo cheirando à uma cópia do orkut, essa praga mundial que quero e vou me livrar, em breve.
O conteúdo cheira tão bem quanto uma sopa de chuchu. E hoje nem é quarta-feira, dia do nosso "herói" Alckmin, o homem que melhor retrata esse mundo estúpido.
Só com muito King Crimson e Frank Zappa na veia consigo espancar o tédio que me ataca agora.
Como diz Luís Fernando Veríssimo, "o mundo não é ruim; só é muito mal frequentado."
Se você não suporta mais, como eu, ver as transmissões em português e ver comentaristas do naipe de Celso Cardoso, Neto massacrando os nossos ouvidos ou berros insuportáveis de Galvão Bueno, Luciano do Valle e essa trupe nova e horrorosa do Esporte Interativo, não precisa mais se desesperar.
Acessem Ilemi ou Roja Directa e assistam os jogos em espanhol ou inglês ou em outras línguas, se preferir.
Hoje mesmo, o jogo entre Barça x Inter era comentado apenas pelo inglês Gary Lineker (artilheiro da Copa de 86, com 6 gols), o holandês Ruud Gullit(preciso falar quem ele é?) e o galês Ian Rush (maior artilheiro do Liverpool, com 346 gols, e que venceu duas vezes a Copa dos Campeões, em 1981 e 1984).
Eu nunca entendi o que vêem nesse sueco de nome Zlatan Ibrahimovic.
Não sei porque foi idolatrado quando jogou pela Juventus e Inter de Milão.
Fosse centroavante no Brasil e seria reserva no Guarani.
Na Suécia é tão contestado pela suas fracas e pífias atuações pela seleção, que muitos o querem distante. Tem fama de fazer gols em jogos pequenos e sumir quando o pau come feio.
Aí vem o Barça e dá o Samuel Eto'o e mais 40 milhões de euros por ele! Tudo bem que o camaronês é casca de ferida e que tivesse criado um clima insuportável para ele na equipe catalã.
Mas ele é 10 vezes mais centroavante e sempre faz gols em momentos decisivos e em finais e parecia moeda de troca na negociação e das pequenas! E com Eto'o não tem tempo ruim: precisou, ele confere mesmo.
Zlatan é a prova de que não somos apenas nós, brasileiros, que compram gato por lebre. Com aquele tamanhão todo - 1,95 m - e uma napa de fazer inveja ao Pete Townshend, adora meter gols nos Mallorca da vida. Mas o que ele faz quando a coisa engrossa? Nada.
E, pior: caiu pro ex-time, aquele mesmo que queria abandonar, pois, segundo ele, a Inter jamais teria chance de ser campeã européia.
Pois é, a Inter é que deve dizer isso hoje: "com aquele sueco narigudo, a gente jamais estaria na final da Champions League!
E Mourinho deu uma aula a Guardiola como dar espaço ao adversário, sem permitir que se crie nada. Mais de 70% de posse de bola e só acharam um gol no final, tendo um homem a mais por mais de 60 minutos!
Valeu, Zlatan! Eu sabia que você não me decepcionaria.
Uma das histórias que mais gosto e que a Ju, pacientemente, ouve e confirma, aconteceu quando morávamos juntos.
Segundo ela, um dia estava no nosso ap entendiada para ouvir um CD diferente. "Meu, o Rubinho tem tanta coisa, vou pegar algo."
E pegou o primeiro disco do Richard Hell and the Voidoids, Blank Generation. "Hum... curti essa capa toda rosa e esse cara. Vou ouvir".
Trinta segundos depois: "que horror, que coisa barulhenta, odiei! Nunca mais ouço esse cd rosa!"
Mas a Ju é uma forte - embora não seja nordestina como a patroa - valente como o irmão e foi atrás de outro.
Aí descobriu outro cd de capa bonita. Ficou com medo de ser outro ordinário, mas encarou.
Não desgostou. "Até que gostei" (resposta que jamais me convenceu, porque o disco tem momentos de quebradeira visceral): Larks' Tongues in Aspic, um discaço do King Crimson.
Aí, como o Crimson bateu forte hoje e estou ouvindo esse disco junto com o Red e o In The Wake of Poseidon, resolvi que ela merecia ser homenageada.
E deixo, abaixo, o vídeo dos dois discos para mostrar como a Ju tem ainda dificuldade em reconhecer boa música.
Também, o que esperar de uma não-palmeirense????E não culpem o professor. Eu tentei!
Quando se ouve " Le Freak" do Chic a vida parece bem mais fácil. Seria bom se o baixo de Bernard Edwards resumisse nossa vida: vivo, agitado, pulsante, quase uma vida dentro da outra. Transbordante, pede passagem assim, do nada: "eu quero existir pelo simples fato de estar aqui, sem explicação".
Obviamente, a vida não é tão simples assim. Podia ser, não?
Então você vê a guitarra de Nile Rodgers e a bateria de Tony Thompson amalgamando tudo, dando músculos, ênfase ao que já é forte. Uma coisa parruda, cheia de muque. E dizem que disco é música de bichinhas. Ou "sensíveis", se você gosta de tucanar.
Eu não. Gosto das coisas preto no branco. Baixo gordo, melodia e ritmo em êxtases, joelhos dobrando e a perna tentando fazer passos que a coluna já não permite, embora o cérebro se lembre do famoso terno branco dos 13 anos.
E você tenta, 30 anos depois, dizer que gostaria de ser o Tony Manero. Todo mundo quis ser o Tony, uma vez na vida, e arrasar na pista. Eu tentei, mas tinha tanto talento quanto no tênis.