quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Adeus, Marcos - 2

Ontem, em 45 minutos, Edmundo jogou mais futebol do que Maikon Leite conseguirá em toda sua carreira.

Evair fez duas jogadas lindas que nunca Vinicius e Obina conseguirão.

E Luan deve agradecer o seu empresário, porque percebeu que aquilo que pratica não é futebol. Em compensação, ganha, em um mês, o que Evair demorava três ou quatro, em 1999.

O futebol morreu e ninguém percebeu. Quando conseguiremos, novamente, ver uma partida com tantos craques?

Nos anos 90 isso era comum... Já hoje...

Adeus, Marcão - 1

Minha convivência com Marcos foi pequena, pois saí do Lance em 1998. Que eu me lembre mesmo, papo foi um só: ele ainda era apenas um reserva do Velloso - um dos caras mais chatos de se entrevistar, e eu gostava muito dele como goleiro - e estava andando pelo CT, quando o vi saindo numa F-10, todo sorridente.

Me lembro que algum repórter mais velho brincou com ele:

- Pô, é bom ser jogador. Dá até para um reserva ter um carrão desses!

- Que nada, é emprestada. Um arranhão aqui e vai embora meu salário de dois meses.

Marcos era um dos poucos jogadores que falavam sempre. Zinho era outro. Certa vez, o camisa 10, me pegou pelo braço e falou comigo, olhando nos meus olhos, por meia hora. Cheguei na redação extasiado e com material para cinco páginas.

Na verdade, há uma boa estória sobre o Santo. Após um treino em que ele era bombardeado em um treino de falta, tendo que defender cabeçadas mortíferas de Oseas, Cléber, Viola, Júnior Baiano, Alex, Paulo Nunes, Roque Jr. e completamente exausto, fui conversar e perguntei se o bombardeio não havia sido cruel.

- Até foi, mas isso faz parte. Duro é dividir a bola no ar com esses monstros e aguentar o cêcê. Eles podiam ao menos tomar um banho e passar um desodorante antes de treinar. É duro, viu? Nem urubu iria querer papo com eles.

E, 14 anos depois, digo que duro é perceber que só tem urubu no meu time. E nem refiro ao mau cheiro.