Mas há uma exceção.
Fabio Golfetti.Fabio Golfetti, o eterno líder do Violeta de Outono é o homem com quem mais converso e gosto do mundo do espetáculos. Se fosse tão metódico como pensam que sou, teria todos os e-mails que troquei com ele nos últimos 10 anos. E acreditem, foram centenas, senão milhares.
É Fabio que me manda e-mails periódicos pelo mailist do grupo e que vira e mexe entrevisto. É ele que, vez por outra, entra no Skype, sempre correndo, e dá o azar de me pegar online e ser soterrado por dezenas de perguntas em um minuto. Mal acaba de falar algo, já é novamente atropelado. É ele quem me manda regularmente dezenas de cdrs do grupo para minha coleção, que sempre está rindo.
Se eu tivesse dinheiro suficiente adoraria ajudar o Violeta e artistas como ele a ganhar dinheiro nesse país tão injusto, culturamente falando. Infelizmente sou remediado como a maioria esmagadora...
Sempre odiei shows ao vivo - filas, comida cara, lugares distantes, histeria, gritos, trânsito - mas abri exceções para ver o Violeta na minha vida. Acho que os vi uma dúzia de vezes em oito palcos diferentes: Centro Cultural, MASP, Clube Atlético Juventus, Choperia do SESC Pompéia, no próprio SESC Pompéia, e em três casas noturnas cujo nomes não me recordo.
Os shows do Centro Cultural são especiais em minha memória. Sempre aos sábados ou domingos, às 19 h, com 70 minutos de duração. Subia até a Paulista, pegava o metrô e descia em uma estação - Vergueiro, acho - e havia uma saída a menos de 50 metros do local. Comprava ingresso no local e na hora e pegava a fila.No final do show, ia pessoalmente cumprimentá-lo e às vezes descia ao backstage para conversar mais um pouco.
Mas havia momentos em que dava apenas um alô e ia pra casa, intoxicado (roubando uma expressão do René Ferri), ouvindo Violeta no walkman e agradecido pelo tempo nublado com garoa. Por mim, o show duraria 700 minutos.
Nos últimos anos fui agraciado com vários itens da coleção violetiana e é uma das poucas coisas que me faz sentir saudades de São Paulo.
Ainda bem que existe a tecnologia para aplacar a saudade. Ainda bem que existe o Violeta de Outono fazendo música teimosamente.
Fosse ele palmeirense, seria perfeito. Mas talvez não existisse. Perfeito, só eu.
