quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dia de Luto

Eu nunca fui um entusiasta da política e minhas opiniões não são lá grande coisa, mas não dá para se sentir bem com o que vem acontecendo no Senado, em Brasília. Esse é o pior momento da política brasileira, mil vezes pior do que os anos de ditadura, porque agora estamos sendo calados por quem escolhemos.

Nunca me interessei por partidos ou bandeiras; me interesso por homens e idéias e nesse aspecto o presidente Lula está perdendo toda minha simpatia.

Os seus 8 anos de governo correm o sério risco de serem lembrados como os anos do vale-tudo em Brasília. O homem que combateu Sarney e Collor hoje dá as mãos aos dois e - mais - luta com tudo por uma ralé que usurpa esse país há décadas.

Tenho sérias restrições às idéias tucanas, ao seu neo-liberalismo e figuras escrotas como Alckmin e Serra, mas tenho muito mais nojo de ver o Lula se abraçando aos ex-presidentes.

Lula já tinha caído enormemente em meu conceito ao sair distribuindo dinheiro para o COB roubar e fazer um Pan-Americano que nada serviu a não ser para enriquecer - ainda mais - Nuzman e camarilha.

O mesmo Lula continua dando mais grana para a absurda campanha das Olimpíadas no Rio e não diz uma vírgula sobre a vergonha que foi a aprovação de contas do evento no Tribunal de Contas de União. E me sinto mais enojado por ser o avalista do bando de Ricardo Teixeira e cia. dando verdadeiros cheques em branco para a igualmente absurda Copa do Mundo.

Mas e o que dizer da campanha para salvar Sarney no Senado? Como pode um presidente (que jurou combater essa gente) fazer lobby para que um homem que destruiu e comanda com mão de ferro o Maranhão e que ocupa um posto tão alto?

Ouvindo os discursos de Sarney apregoando "perseguição nazista contra a minha pessoa" voltei à década de 80 quando vivíamos sob a sombra da ditadura.

Me senti uma autêntica Velhinha de Taubaté.

A clássica personagem de Luís Fernando Veríssimo era chamada de "jibóia" pelo governo "porque engolia qualquer coisa".

E nem sei se sou uma jibóia ou mais um alimento para ela.

É, meu caro presidente Lula, logo você que é um nordestino e sabe como o coronelismo impera por aqui. Logo você, um homem do povo e que prometia acabar com a miséria e as injustiças fecha os olhos para o que o clã Sarney faz há mais de 4 décadas no Maranhão, de longe, o estado mais atrasado da União.

É triste ver que Sarney e Collor não morreram; pelo contrário, estão mais fortes do que nunca porque são escorados pelo presidente com maior aprovação na história desse país.

Lula perdeu meu voto. Dilma perdeu meu voto. Estava pensando em transferir meu título e parar de justificar o voto para ajudá-la contra o Serra. Agora estou em dúvida.

Talvez transfira sim, mas para ajudar outro candidato. Não, o Serra, porque ainda não fiquei demente. E, talvez, adote a antiga postura e vote nulo.

É triste anular para presidente, porém, bem menos do que ver o Lula dando a mão para um ex-presidente que representa tudo o que nós não queremos para esse país. Mas aí eu vejo as intenções de voto para governador em São Paulo e lá estão, nos três primeiros postos: Alckmin, Marta e Maluf. Os mesmos de sempre.

É, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Duro é saber que somos o alimento para essa gente toda.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Dor

Entender... sempre foi um problema pra mim.

Falar demais é um defeito sem conserto. Mas, sei lá, foi assim que casei fiz uns bons e poucos amigos e se tiver a chance de ser pai, que a prole prepare os ouvidos até baterem a porta do quarto exclamando "como o pai fala!". E saibam que, ainda assim, me ouvirão resmungando para não fazerem mais isso (pela falta de modos e ainda reclamarem de mim).

Mas está tão difícil escrever, falta gás. Tenho uma centena de idéias sobre música, colunas começadas. Mas nada de colocar em prática. É como se as palavras doessem para saírem e pudessem me machucar. Então deixo a missão para outros.