Fernando escreveu um texto divertido sobre os 10 piores fracassos do Palmeiras. Ficou tão bom que resolvi fazer minha lista, um pouco diferente da dele, já que sou 10 anos mais velho e vi mais vexames. Vamos ver o que rola...10 - CRB 1x0 Palmeiras, Camp. Brasileiro, 1984
Em 1984, o Palmeiras atravessa aquela fase de dar medo e enfarte. O time era o autêntico coito interrompido; bastava ter uma campanha razoável para ferrar com a torcida. Após ficar desesperado no Brasileiro de 1983, quando saímos do torneio de um grupo que tinha Santos, Vasco e Náutico, com um empate sem gols, no Maracanã, a fase mata-mata do Brasileiro do ano seguinte era mais promissora: o Palmeiras tinha caído em um grupo com Santos, Fortaleza e o CRB, com dois se classificando.
Palmeirense sofre meu irmão... o time conseguiu a façanha de estrear tomando essa traulitada do time alagoano e mesmo enfiando 7x0 na partida de volta, ficou de fora, ao ser eliminado pelo Fortaleza. Não foi a pior eliminação da minha vida, mas, cara.. uau, doeu!
09 - Corinthians 5x1 Palmeiras, Camp. Paulista de 1982
Naqueles anos ruins, o Corinthians também não era essas coisas. Esse clássico com o Corinthians seria apenas mais um do Dérbi e caminhava assim até os 30 minutos do segundo tempo. Eles venciam um jogo morno por 2x1, até nossa retaguarda resolver consagrar um menino de nome estranho: Casagrande. Nos minutos finais, o cara marcou três, para meu desespero. O sofrimento não parecia terminar.
08 - Palmeiras 2 x 3 XV de Jaú, Camp. Paulista, 1985
Em 1982, aos 13 anos, eu chorei quando o Brasil perdeu da Itália, no Sarriá. Três anos depois, derramei lágrimas com essa incrível derrota. Dificilmente seríamos campões naquele ano, mas meu amigo, ver o time de Jaú posar de galo no Parque foi algo doído demais para um garoto de 16 anos. Quase abandonei o futebol nesse dia.
07 - Palmeiras 0 x 0 Ferroviária, Camp. Paulista, 1990
Aguirregaray perde um gol incrível embaixo da trave no minuto final da partida. Preciso dizer mais?
06 - Palmeiras 2 x 1 ASA, Copa do Brasil 2002
Esse é maior clássico do espírito "Robin Hood" que o Palmeiras possui. Graças ao bom deus ateu que eu não trabalhava em redação alguma, ou tinha saído na mão com alguém.
05 - Bragantino 3 x 0 Palmeiras, Camp. Paulista, 1989
15 jogos, oito empates, melhor ataque e mesmo sendo eliminado quatro jogos antes, com mais pontos que o campeão da Vila Sônia... Foi a primeira vez que "senti" que iríamos tomar um gol. O lance se deu quando Gil Baiano correu para bater a falta que resultou no primeiro gol. Virei de costas no lance sentindo a desgraça. E não deu outra. Infelizmente, ainda sinto alguns gols.
04 - Inter de Limeira 2 x 1 Palmeiras, Camp. Paulista, 1986
Imagine a cena: após a partida, um monte de colegas saíram de uma festa e foram em casa me encher, batendo no portão e tocando a campainha. Foram recebidos pelo meu pai, de espingarda na mão, com cara de ódio perguntando o que queriam. De tanta tristeza sumi da escola por uma semana.
03 - Palmeiras 3 x 4 Vasco, Mercosul, 2000
O que mais me irritou foi uma derrota em casa, de virada, e pro Romário. E aguentar os trocentos telefonemas do Benevides, meu ex-chefe, vascaíno e dizendo que queria tal abre. Não sei o que foi pior. Nessas horas o contra-cheque falou muito alto.
02 - Palmeiras 1x2 Cruzeiro, Copa do Brasil, 1996
O jogo tinha cheiro de fracasso. A equipe dos 102 gols do Paulista já havia começando a desandar, o traíra Müller tinha se mandado e o Palmeiras só chegou à final porque operaram o Grêmio nas semifinais. Mas, confesso, que quando fizemos 1x0 ao 5 minutos, com passe de letra de Djalminha pro Luizão, fiquei esperançoso. Após o jogo, de tanta raiva, fui andar por três horas, a pé, pelas ruas de São Paulo e quase saí no braço no dia seguinte, na redação, com o calmo Arnaldo Ribeiro.
01 - Grêmio 5x0 Palmeiras, Libertadores, 1995
Eu jamais gostei do Carlos Alberto Silva como técnico, especialmente porque voltou, anos depois, mesmo jurando ódio pelo time, nos anos anteriores. E vingou seu ódio da "melhor maneira": nos tirando da Libertadores.
O Palmeiras tinha um time forte e foi a única vez que escalou Cafu, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos, juntos. E, nesse dia, tomamos de 5 graças a esse senhor. Primeiro, anuncia a semana inteira que entraria com dois atacantes, Müller e Alex Alves, o que era correto, para conter as descidas de Arce e Roger. Mas, o gênio bota o Alex no banco, e entra num 4-5-1, apenas com o Müller.
O jogo tava duro e perdíamos apenas de 1 a 0, quando sai um pau geral e perdemos, de uma vez só, Rivaldo e o horroroso Válber. Com nove em campo, Arce fez 2 a 0 e fomos pro intervalo. O que você esperava que o treinador fizesse? Fechasse o time, colocando mais um volante para "segurar" o jogo e tentar a sorte na partida de volta.
Mas não! Ele saca um volante e bota o Alex Alves, o mesmo que deveria ter começado a partida! Nove em campo, com dois atacantes e o meio-de-campo com dois volantes e dois atacantes, sem meia de ligação. Meu Deus, que ódio! Foi três, quatro, cinco e podia ter sido seis, sete...
No dia seguinte, já repórter da Folha, fiquei grato de não ter que ir ao clube - e nem iria porque não era setorista. Mas se tivesse ido, Carlos Alberto Silva teria tido seu último dia de vida.
OBS: eu poderia citar ainda alguns outros jogos, como o 6x0 sofrido para o Internacional, um 6x1 pro Santos, um 6x2 pros bambis com gol de calcanhar do Mário Sérgio, o 7x2 pro Vitória, o empate de 4x4 com o Santo André etc... Mas, ainda bem, só escolhi 10!