sexta-feira, 20 de março de 2009

E lá vamos nós de Ortigoza

Guardadas as siderais e devidas proporções...

Quando Pelé se machucou no Chile, em 62, Aymoré Moreira perdeu, literalmente, o sono. Pelé já era Pelé e Pelé ainda tinha o que melhorar, pois o Santos não havia sido bicampeão mundial ainda. Ou seja, Pelé ainda seria mais Pelé. Se isso fosse possível.

Mas, Aymoré, era atormentado diariamente por todos os repórteres, ávidos em saber: se Pelé não jogasse, quem jogaria?

"Amarildo", era a resposta seca do treinador.
"Mas, seu Aymoré, Amarido dará conta do recado?"

Irritado, o velho treinador disse: "bom, se você me arranjar um novo Pelé e que seja brasileiro, me avise que o convoco agora mesmo".

Essa pequena recordação me veio à cabeça quando um amigo meu me perguntou quem eu colocaria no lugar do K9.

Ué, coloque o paraguaio. Não veio porque é centroavante, porque fazia gol no Paraguai, recomendado pelo Arce etc...?

Tudo bem que o César Sampaio nos "recomendou" o bonde Jorge Preá (valeu, Furacão!), tudo bem que de lá veio um certo Florentín, que nada fez, afinou e ainda pediu para ir embora.

Mas, pense, é ele ou o Marquinhos como homem de área.

E Marquinhos não é homem de área. Aliás, Marquinhos tá quase virando um homem sartreano, está entre o ser e o nada, com forte tendência ao segundo.

Então, combinemos o seguinte: segura o fôlego, feche os olhos e vamos torcer para que o paraguaio consiga uma jogada de craque no jogo e faça o gol.

Ao menos, uma boa notícia: Willians não joga. Meu coração bate, aliviado. Com os dois, lá na frente, seria dose.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Ah, Aretha....

Você me enviou

Ele foi um dos maiores, o "homem com quem todos os cantores deveriam enfrentar e, frustrados, voltariam ao antigo emprego no posto de gasolina", segundo Keith Richards.

E também foi dono da maior voz negra masculina da história, o precursor de Marvin Gaye, o ídolo maior de Aretha Franklin.

Sam Cooke, foi-se há mais de 40 anos e infelizmente são raros os registros televisivos. Mas "You Send Me" deve bastar. A pergunta que fica é: quem o enviou e para quê?

Resposta: para mostrar um lado belo da vida. Que sua voz ecoe por toda a eternidade.

PS: antes de postar achei uma pequena história dele, em seis partes. Curtam as duas primeiras!

Assim, os três vídeos na seqüência...





segunda-feira, 16 de março de 2009

A falta de cultura esportiva do brasileiro


Se há uma coisa que o brasileiro não tem é memória. E muito menos cultura esportiva.

Os grandes "entendidos em história esportiva nesse país" são aqueles que conhecem "mais ou menos" a história do seu clube, uma coisinha de Copa do Mundo e pronto. E já posam de especialistas.

Saindo do futebol, vamos analisar o torneio de tênis no Rio, que reuniu jogadores veteranos. Uma final com John McEnroe e Jim Courier merecia mais do que vimos.

Para quem não conhece tênis, Big Mac (como é conhecido McEnroe) é dono de 3 títulos em Wimbledon e 4 no US Open. Foi ele quem acabou com o reinado de Borg, em 1981 e os dois proporcionaram a mais bela partida da história (ou a segunda, segundo o próprio McEnroe, pois considera a final entre Federer x Nadal, em 2008, no mesmo local, a maior de todas), em 1980, quando Borg venceu por 3x2 e faturou o pentacampeonato.

Um tenista fenomenal, dono de uma canhota devastadora e uma personalidade forte, marcante e desbocado. Um ícone, uma verdadeira lenda.

Do outro lado, bem menos carismático, o compatriota Jim Courier, bicampeão no Australia Open e também em Roland Garros.

Ambos, ex-número 1 do mundo. E ninguém para prestigiá-los.

Deve ser por isso - a falta de memória esportiva - que poucas pessoas se importam com o abandono das instalações do famigerado Pan, na mesma cidade.

O brasileiro não está nem aí com o passado, com herança, com nada. Nos interessamos apenas pelo imediato, banal e a página dominical do jornal.

É vergonhoso saber que tratamos ídolos de maneira tão desprezível, mas se fazemos isso com os nossos ex-craques, que doaram sangue, suor e lágrimas pelos nossos times porque não faríamos o mesmo com tenistas gringos?

Afinal, quem tinha de bom, além deles? Só porque o Pat Cash foi campeão em Wimbledon em 87 ou o Philippoussis vice em Wimbledon e no US Open? Só porque Meligeni e Oncins não foram super jogadores?

Mas será que a história mudaria com o Guga em quadra? Porque o brasileiro é desrespeitoso mesmo com ele. Se tivéssemos algum brasileiro na final, talvez as arquibancadas estivessem cheias.

Mas o que interessa ver uma final com dois jogadores que acumularam apenas 11 títulos em Grand Slams?

Esses americanos são uns farsantes. Eu quero mais é Fred e Carlos Alberto, isso sim!