Arthur Schopenhauer não morreu. Sua obra continua imortal e não merecia virar nome de um blog ridículo. Mas o que se esperar de um fã dele que passa os dias ouvindo Sex Pistols e Village People?
O que mais sinto falta de São Paulo é a melancolia gostosa. Meu momento ideal era sair embaixo daquela garoa fina, quase invisível e andar. Muito melhor quando ia a pé até as galerias do centro comprar algum LP ou CD. Eu ia andando, não ia de metrô, queria curtir o momento. Pacote completo, saca?
Parava para comer algo, tomava um guaraná diet, via as revistas nas bancas, olhava as moças. Pacote completo...
Aquela gentarada correndo, berrando. Eu estava protegido pelo meu walkman e uma das mais de 900 fitas cassetes numeradas e catalogadas que tinha em casa. Música, dinheiro, pilha, casaco. Eu estava preparado para tudo.
Não havia pressa. Era fuçar, conversar, negociar, rever os amigos, trocar figurinhas. Um almoço, de repente com o Calanca, ser balconista de outra loja por alguns minutos enquanto alguém ia cheirar uma no banheiro, dando a desculpa que precisava sair rapidinho. E, eu lá, vendendo, comendo picanha. Vida boa.
Aquela melancolia, aquela sensação de ser etéreo, igual ao Motorcycle Boy de Rumble Fish.
Já repararam como o personagem de Mickey Rourke andava pelas calçadas lotadas sem esbarrar e ser esbarrado por alguém? Nesses momentos eu era o ser mais cool do planeta.
Minha vida não foi filmada por Francis Ford Coppola. Aliás, nem fotografada por alguém, porque odeio tirar fotografia. Uma pena. Poderia ter tirado uma desses momentos e lembrar o tempo em que música, dinheiro, pilha e casaco me preparavam para tudo.
Did you never call? I waited for your call. These rivers of suggestion are driving me away. The trees will bend, the cities wash away The city on the river there is a girl without a dream.
I'm sorry. I'm sorry. I'm sorry. I'm sorry.
Eastern to Mountain, third party call, the lines are down The wise man built his words upon the rocks But I'm not bound to follow suit. The trees will bend, the conversation's dimmed. Go build yourself another home, this choice isn't mine.
I'm sorry. I'm sorry.
Did you never call? I waited for your call These rivers of suggestion are driving me away. The ocean sang, the conversation's dimmed Go build yourself another dream, this choice isn't mine.
They seek him here, they seek him there, His clothes are loud, but never square. It will make or break him so he's got to buy the best, 'Cause he's a dedicated follower of fashion.
And when he does his little rounds, 'Round the boutiques of London Town, Eagerly pursuing all the latest fads and trends, 'Cause he's a dedicated follower of fashion.
Oh yes he is (oh yes he is), oh yes he is (oh yes he is). He thinks he is a flower to be looked at, And when he pulls his frilly nylon panties right up tight, He feels a dedicated follower of fashion.
Oh yes he is (oh yes he is), oh yes he is (oh yes he is). There's one thing that he loves and that is flattery. One week he's in polka-dots, the next week he is in stripes. 'Cause he's a dedicated follower of fashion.
They seek him here, they seek him there, In Regent Street and Leicester Square. Everywhere the Carnabetian army marches on, Each one an dedicated follower of fashion.
Oh yes he is (oh yes he is), oh yes he is (oh yes he is). His world is built 'round discoteques and parties. This pleasure-seeking individual always looks his best 'Cause he's a dedicated follower of fashion.
Oh yes he is (oh yes he is), oh yes he is (oh yes he is). He flits from shop to shop just like a butterfly. In matters of the cloth he is as fickle as can be, 'Cause he's a dedicated follower of fashion. He's a dedicated follower of fashion.
Quando fui morar em São Paulo, em 1988, eu tinha um sonho: conhecer os lugares que vendiam LPs importados.
Todos eles colocavam anúncios na BIZZ e eu apenas podia sonhar com eles em Ribeirão Preto. E sempre foi um sonhador de primeira: achava que as lojas ficariam em ruas meio desertas, com um belo toldo amarelo na entrada, e um elegante muro de pedras do outro lado.
A primeira vez que acordei do devaneio foi quando decidi ir para lá e fui com meu pai procurar um lugar pra morar. O velho tinha mania de andar de metrô e ônibus para economizar.
Eu me lembro que pegamos o Metrô República e lá vi uma das placas que indicava a Rua Barão de Itapetininga.
Opa, o endereço da Wop-Bop! Guardei a informação no fundo do meu cérebro para voltar, uma outra hora, com calma.
Acabamos vendo uma pensão estranha em Higienópolis, onde não fiquei, já que o Jorge arranjou uma kitnete minúscula na rua do Mackenzie e fomos morar lá.
Minha primeira vez andando em São Paulo sozinho... dá até vergonha de pensar nisso. Era um completo palerma e pedi para que ele fosse comigo. Jorge, paranóico de carteirinha, tinha medo que fôssemos assaltados, mortos, como se estivéssemos adentrando uma zona de guerra.
Logo descobri onde ficava a Wop-Bop. E me decepcionei por ver meu sonho glamouroso desvanecer. Onde estava o toldo amarelo? E foi assim, também, quando entrei na Galeria do Rock, na Baratos Afins e em outras lojas.
O lugar era feio, sujo, mal conservado, mas estava ali para comprar música, ouvir música, aprender música. Sempre imagino como não teria sido meu futuro se a internet fosse uma realidade em 1988.
Passados 23 anos, aos 42 anos, é bom puxar essas memórias. A gente se lembra de cada coisa. Tenho certa obsessão pelo passado, de querer saber como eu era, pensava, sonhava, amava, ansiava. Eu só tinha 19 anos então, mas em muitas coisas continuo o mesmo bocó de antes.
Claro, a vida me deixou mais cínico, irônico, mas ao colocar alguns discos daqueles anos, para tocar, ainda consigo sentir o até como era cheiro do ar.
As memórias voltam e se eu fechar bem os olhos, talvez - em delírio -tenha o mesmo destino que Christopher Reeve no filme Em Algum Lugar do Passado.
Mas o Super Homem já morreu. Quero viver ainda mais. Quero pode contar isso pros meus filhos ou fazer o mesmo caminho de metrô que meu pai fez comigo naquele início de 1988.
Muitas vezes você imagina um dia como chato, cansativo, tenso. E descobre que, 23 anos depois, rendem um post.