quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mister Magic Eye

Minha inabilidade em tocar um instrumento me faz dar berros primais de raiva quando ouço algo que gosto.

Porra, como queria aquele solo saindo das minhas mãos, aquela vocalização! E mais maluco fico quando descubro algo que ninguém conhece. Pior ainda (ia escrever "mais pior", mas me contive...) quando é tão obscuro que nem um simples vídeo ou mesmo uma pequena mostra tem na internet para poder compartilhar com os amigos e mostrar, "ouça isso, cara, é do cacete!".

Sim, sou democrático quanto aos bons sons; mas não os empurro goela abaixo como faz o supermercado ao lado de casa, que deixei de ir, porque toca apenas música evangélica - de péssima qualidade como não poderia deixar de ser - do minuto que abre até fechar as portas.

Por que as pessoas não tentam nos "educar" com algo que presta?

É o caso de Simon Felton: um baita sujeito que fechou as portas do seu micro-selo ingês por causa das baixas vendagens. Um sujeito 100%. Um valente do mundo da boa música.

Ao lado dele, Anton Barbeau, o enlouquecido filho de Uncle Sam, na guitarra, moldam a pérola "Mister Magic Eye", um apuro power pop de 186 segundos, presente no disco Failing in Biology.

Não, senhores, eu não posso explicar a beleza, até porque sou feio. Tão pouco posso exagerar a perfeição.

A única coisa que posso dizer é que lamento e invejo não poder ter feito parte - por mais ínfima que seja - desde 186 segundos.

Sobe o som.