Porra, como queria aquele solo saindo das minhas mãos, aquela vocalização! E mais maluco fico quando descubro algo que ninguém conhece. Pior ainda (ia escrever "mais pior", mas me contive...) quando é tão obscuro que nem um simples vídeo ou mesmo uma pequena mostra tem na internet para poder compartilhar com os amigos e mostrar, "ouça isso, cara, é do cacete!".
Sim, sou democrático quanto aos bons sons; mas não os empurro goela abaixo como faz o supermercado ao lado de casa, que deixei de ir, porque toca apenas música evangélica - de péssima qualidade como não poderia deixar de ser - do minuto que abre até fechar as portas.Por que as pessoas não tentam nos "educar" com algo que presta?
É o caso de Simon Felton: um baita sujeito que fechou as portas do seu micro-selo ingês por causa das baixas vendagens. Um sujeito 100%. Um valente do mundo da boa música.
Ao lado dele, Anton Barbeau, o enlouquecido filho de Uncle Sam, na guitarra, moldam a pérola "Mister Magic Eye", um apuro power pop de 186 segundos, presente no disco Failing in Biology.
Não, senhores, eu não posso explicar a beleza, até porque sou feio. Tão pouco posso exagerar a perfeição.A única coisa que posso dizer é que lamento e invejo não poder ter feito parte - por mais ínfima que seja - desde 186 segundos.
Sobe o som.