sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Qual sua trilha-sonora ideal?

Se você fosse possível resumir a vida às algumas músicas, quais falam mais de alta sobre e de você? Ah, questões... Alta Fidelidade? Por aí, mas às vezes não... I dunno...

Eu tenho muito respeito por canções que mexem com minha espinha, que me fazem querer berrar num microfone imaginário ou espancar uma bateria. Por sorte, nunca tive dom para isso e assim meus vizinhos jamais se incomodaram. Gosto daquela coisa testosterona, pau puro...

Já ouviu Sonics, caro (e extinto) leitor? Grande Banda! Bom, alguns outros são carnes-de-vaca, tipo Clash. "Tommy Gun" é velha favorita.

Aquele começo onde sempre sonhei em jogar a guitarra e dar um pulo bem alto, sem falar do meio quando ela ficando picando na garganta. Ah, as músicas! Seria impossível uma das cinco mais; das 500, talvez.

Nesses dias fiquei ripando cds e mais cds no micro. Mais de 10 gigas e preciso ripar outros 20 gigas para saciar. Coisas normais como o próprio Clash, Sex Pistols, Specials, Stooges, Patti Smith, R.E.M, Lou Reed etc... E coisas mais desconhecidas como os já citados Sonics, Mad River, The United States of America, Richard Hell. Aí é ficar pulando de uma para outra ou ficar ouvindo discos inteiros n vezes.

Aí me pego curtindo velho favorito desde sempre, os Pogues, com a impagável "If I Should Fall From Grace With God". Shane MacGowan, o desespero de qualquer dentista, compôs uma das minhas favoritas, uma das daquelas que mora no meu peito e que me obriga a repeti-la umas 100 vezes. Qualquer dia o filho da puta vem até aqui para me espancar e mandar eu trocar de cd!

Sendo assim, eis meu presente para os extintos leitores...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Reminiscências

O campo de futebol é tão grande que dá para se perder. Embora eu tenha sido um jogador medíocre, gostava de algumas sensações. Gostava de ficar bem perto da bandeira de escanteio, marcado, vendo qual a situação que encontraria. Botaria na canela do adversário? Deixaria ele me empurrar e sofrer a falta ou cederia o tiro de esquinado?

Também sempre gostei de tentar lançamentos longos. Nada é mais bonito do que a posição de volante, vendo o jogo inteiro, observando a movimentação dos demais. O futebol é apaixonante por ser simples e por mostrar todas as virtudes e defeitos humanos de uma pessoa num curto espaço. E Camus concordaria comigo. No caso, eu concordo com ele. Não sou besta.

Quando fodi meu tornozelo pela primeira vez, pouco pude jogar. Isso fez uma diferença tremenda. Não pelo meu talento, volto a repetir, mas pelas possibilidades. A sensação de vigor, de correr atrás de uma bola, de concatenar imagens, de ver as sinapses trabalhando a toda, da camaradagem. Como não tinha mais tornozelo para correr, fui para o gol. Vivia roxo nos braços, nas pernas. Jogava futebol de salão e dava, literalmente, o sangue todo sábado, por três horas. Minha tia dizia que eu gostava desse tipo de coisa para poder aliviar outros traumas. Verdade.

Poucas posições são tão bonitas quanto o goleiro. A solidão, o uniforme diferente, a presumível impossibilidade de se falhar no momento derradeiro. Tive minhas defesas espetaculares na gaveta, momentos que se eu contar me chamarão de mentiroso.Todos vivemos para esses momentos. Em qualquer atividade.

Não era um perna-de-pau, mas não tinha altura ou técnica. Tinha arrojo, isso não se pode tirar de mim. Saía no pé, na cabeça, no estômago. Era leal, poucas vezes capitão. Disciplinado, chato, berrava com meu fixo o tempo todo. O futebol me ensinou, entre outras coisas, lealdade. E companheirismo.

Mas a vida nos priva dessas coisas. Na faculdade resolvi que iria estudar xadrez. Ficava oito, nove horas, jogando sozinho, lendo livros, copiando diagramas do Estadão, jogos de Kasparov, Karpov, etc. Aprendi com meu tio, entediado por não ter com quem jogar e acabou doutrinando-me e um ex-namorado da minha irmã. Jogamos umas 500 partidas, devo ter ganho umas 25, se tanto. Cada derrota me consumia, mas eu voltava ao tabuleiro. Só uma me tirou do sério. Estava vencendo, tinha um mate em um lance, não vi e perdi! Fiquei dois dias sem olhar prum tabuleiro, enfurecido.

Nunca tive jeito para isso, não. Tenho boas memórias, no entanto. Uma vez cismamos de comprar um relógio para jogarmos. Rodamos feito malucos e acabamos indo ao Clube do Xadrez para adquirirmos, embaixo de uma chuva torrencial. Saudades daqueles tempos...

Cobri futebol. Cobri xadrez. Profissionalmente. Marcos, Karpov, Arce, Gilberto Milos. Fui falando com quem aparecia. Fazendo as perguntas mais descabidas. Mas ia aprendendo. Chorei muito quando tive que deixar o Lance! até porque eu tinha feito muitos contactos e sabia que iriam se perder. Conversas com Giovanni Vescovi, Rafael Leitão, Gilberto Milos, um sorriso de Karpov que perguntou se eu não tinha o entrevistado três anos antes, em Cumbica! O cara, ex-campeão do mundo, se lembrou da minha entrevista com ele, naquele dia! Quase chorei...

Pôxa, tanta coisa para se dizer! Nunca gostei do Zagallo, mas ele foi um cavalheiro comigo, não nego. Gostava do Luxemburgo, mas ele foi um escroto. Detesto o Leão, mas ele foi cavalheiro também, acreditem ou não. Me salvou um dia de treino e duas páginas.

Tanto ídolo que me azedou, tanto chato que levantou minha moral como um rabo-de-galo numa noite chuvosa.

Eu não pego mais no gol, não tenho com quem jogar. Xadrez, eu tentei ensinar a Naiacy, mas ela não curtiu. Jogar no micro é chato. Odeio tela plana, gosto de fazer aquela coisa de apoiar os braços na mesa e olhar por cima das peças, como se fosse um bombardeio. Fiiuuuuuuuuuuu lá vai meu xeque-mate, cubram-se!!! Ah ah ah...

Nunca dei xeque-mate bonito. Nunca tive estilo. No jogo. Estilo, até que tenho. Jeito, talvez. Apenas lamento que o mundo não tenha conhecido meu xeque pastor que tanto iria arrebentar com a vida dos maiores campeões. Ia ensinar ao Karpov, mas não deu tempo. Acha que eu ia ensinar aos brazucas? Dá um tempo malandragem... arma mortal só para os maiorais.

Cuzões...

Postagens antigas

Na tentativa de voltar a escrever, pegarei uns posts do meu antigo blog e colocarei aqui. Quem sabe me inspiro novamente. E o primeiro é:

Ex-futebol em atividade

Não dá para dizer que o futebol é tudo na vida de um brasileiro. Mas dá para dizer que a vida de um brasileiro sem futebol é tão absurda quanto a vida de um americano sem hambúrguer.

Quando me sinto melancólico, como hoje de manhã, abro a página de ídolos da Gazeta Esportiva. Não me interessam os mais recentes; eu vou atrás dos nomes de sempre: Cruyff, Beckenbauer, Tostão, Ademir da Guia... É uma forma de me reencontrar.

O futebol de hoje anda tão chato que a gente precisa tentar encontrar algum sentido. Talvez o futebol seja apenas um reflexo do nosso meio externo, por demais ligado em dinheiro fácil e pouca noção de caráter e moral. "A ética não é importante" me disse uma pessoa um tempo atrás. Eu olho e vejo que muitos assinam embaixo isso, para minha tristeza. Se não temos mais a ética é porque devemos ter mergulhado mesmo nas trevas. O fim dos tempos. Essa coisa toda.

Eu não consigo imaginar como uma criança hoje pode amar o futebol vendo esses jogadores medianos e de nenhum caráter. Comparar um Robinho com um Éder para mim é heresia. O mineiro foi infinitas vezes superior, embora Robinho tenha ganho mais dinheiro até agora do que o genial ponta do Galo e até do meu Palmeiras em toda sua carreira esplendorosa.

Homens como Tostão e Sócrates, que conciliaram a carreira com os estudos, antes, durante ou depois de abandonarem os gramados. Que se formaram em Medicina.

Sócrates estudou na USP de Ribeirão Preto. Quem faz vestibular sabe a dureza que é entrar lá. Imagine 30 anos atrás quando faculdades de medicina eram raríssimas. Tostão se formou em Psiquiatria. Dois "doutores da bola", dois homens que deram ao esporte uma visão ampla, universal. Os jogadores de hoje nem sabem falar ou escrever direito. Só possuem olhos para suas contas bancárias ou para as belezas da vida.

Como esporte, o futebol acabou há tempos. Os ídolos se foram. Com 20 ou 21 anos, dão adeus. O pai de Nilmar afirma que o filho não vai para o São Paulo pois só Rogério Ceni ganha dinheiro lá. "Os outros só ganham 200 mil reais por mês ou menos". Como se 200 mil mensais qualquer quitandeiro recebesse a cada 30 dias. Com um pai desses, para que um inimigo?

Encerro esse post com um comentário do inesquecível Cruyff. Quando alguém como ele fala, é preciso saber ouvir. Tirei o texto do site da Gazeta Esportiva.: "Pagam milhões a jogadores que exigem milhões e cujo rendimento de nenhuma forma justifica esse pagamento". O padrão de vida alto, a falta de futebol de rua e as escolas de futebol também são responsáveis para escassez de verdadeiros craques, principalmente na Europa."

Cruyff exemplifica com Michael Laudrup, jogador dinamarquês que desequilibrou durante o Mundial da França. "Ele tem uma técnica impressionante, mas falta a capacidade para se impor, o instinto de sobrevivência que só se adquire na rua. Os clubes mataram a criatividade e a improvisação quando ensinam que 'a equipe é tudo, o indivíduo é nada'. Com quinze anos, já tiraram delas toda a graça para jogar."

Palmeiras

Bom, há muito tempo que não falo nesse blog de futebol de uma maneira mais aprofundada, em parte, porque o blog zerou em visitas e a vontade de ficar lendo e ouvindo música é muito maior. Mas parece que há novidades e vamos a elas:

1 - Arena: essa é uma história espinhosa. O Palmeiras anuncia ao lado de uma empresa, uma parceria para ampliar o Palestra Itália de 32 mil para 42 mil pagantes e virar uma arena multiuso. O projeto ficaria pronto em 2010, sonhando com a Copa de 2014. Detalhes: não há contrato assinado entre o clube e a empresa e nem há ainda investidores para bancar o projeto de R$ 250 milhões. Então eu pergunto: por que não esperaram o projeto ser aprovado pelo conselho do clube e deixaram o assunto correndo apenas internamente e só depois fazer um anúncio oficial? Hoje parece muito mais uma maneira de tentar apagar os vexames colecionados em 2007...

2 - Copa Rio: SEMPRE fui contra essa bobagem de validar a Copa Rio como um Mundial. Título se ganha em campo. Odeio coisa biônica, não sou flamenguista. E a diretoria comeu apressado, comemorou o que não existia, fez festa e viu o maior rival ter seu título validado e o "nosso" não. Mais uma obra com o talento de Della Monica e cia...

3 - Edmundo: já vai tarde. Perdeu o bonde da história. Tecnicamente foi um jogador extraordinário e poderia ter sido uns dos 10 maiores da história se tivesse tido um pouco de cérebro. Sempre achei melhor que o Ronaldo quando os dois estavam no auge. Edmundo tinha tanta velocidade e habilidade quanto o ex-Fenômeno, batia com as duas pernas, era um pouco menos mortal no que o 9, mas cabeceva melhor e ainda sabia jogar em outras funções. Ronaldo sempre foi e sempre será apenas um centroavante. É uma análise subjetiva, mas a mantenho. Pena que entrou para a história como uma versão moderna e mais endinheirada de Almir.

4 - Luxemburgo: R$ 500 mil mensais, mais encargos trabalhistas por um técnico totalmente sem ética, safado, e que adora não cumprir contratos. "Contratos foram feitos para serem respeitados, mas nem sempre cumpridos", é uma de suas frases preferidas. É inteligente, mas não mais uma unamidade. Claro, um milhão de vezes melhor que o Caio Jr. Mas isso lá é vantagem?

5 - Eleições: desesperado com o péssimo 2007, a diretoria vai bancar Luxa e pegar dinheiro da Traffic para poder ser campeão e derrotar o grupo do ex-presidente sapo gordo nas eleições para 2009. Ou seja, o projeto não é começar uma nova fase, mas perpetuar-se no poder. Mas não foi essa "perpetuação" que destruiu o time, sendo que ainda estamos pagando uma altíssima conta? É esse o perfil do "novo Palmeiras"?

2008 vem aí. Pelo menos não teremos Rodrigão no ataque. Se Alex Mineiro é melhor hoje em dia só o tempo dirá.

Haja remédio para o coração e para a depressão...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Vaya com Huevos

O último grande filme de Paul Newman foi Nobody's Fool - que aqui recebeu o ridículo título de O Indomável. Nesse filme, Paul é um baita azarado que reza para que seu patético advogado ganhe uma eterna ação trabalhista contra Bruce Willis, por ter extropiado o joelho em um serviço.

O filme é divertido e lá pelas tantas o tal advogado se despede de todos, em um bar, bêbado, com uma pérola: "Vaya com Huevos" (Vá com Ovos). Ele queria dizer "Vaya com Diós" (Vá com Deus).

Pois é esse o sentimento que merece Valdívia caso seja verdade a mudança pros rivais bambis.

Eu jamais gostei dele e gosto menos ainda: Valdívia é o típico cara que amarela quando não pode. Essa suspensão no final do campeonato foi fatal para as pretensões do clube. Já não bastava aquele treinador lá pra inventar esquemas malucos?

Valdívia tem muitos defeitos de Edmundo e está anos-luz de ter o talento do Animal. Veio pro Brasil como um zé-ninguém, ganhou um prêmio (imerecido) de melhor meia do Brasileiro e quando o time começa a querer ter uma cara, pode se mandar.

Está mais do que provado: jogador pensa sempre em si e nada mais. Foda-se clube, torcida, carinho, respeito e o fato de ser ídolo. Não sei se irá mesmo, mas caso isso se confirme prepare-se para ser odiado pelos palmeirenses e ainda correr o risco de ver o mesmo acontecer com os voláteis bambis.

Ovos no chileno!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Chupa, gambá!

Diálogo com um gambá, hoje, no MSN:

- Rubão, você viu que cara-de-pau do Renan?
- Que Renan, o caralho! Eu quero é zoar seu time de merda na Série B.
- Pô, eu falando de assunto sério e você vem com essas coisas insignificantes!
- Eu sei que seu time é insignificante, mas é o assunto do dia!
- ....


HA HA HA!!!! 1x0! chupa, Gambá otário!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Leiam e tentem não vomitar

Veja, Che Guevara e Jon Lee Anderson, seu biógrafo

Do Blog de Pedro Dória

O repórter Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, foi procurado há umas semanas pelo também repórter Diogo Schelp, da Veja. O objetivo era uma entrevista curta para a composição da reportagem que saiu na revista a respeito dos 40 anos da morte de Guevara. É um entrevistado natural – afinal, Che Guevara, uma biografia, é a principal referência ao tema.

A própria revista, na reportagem que Anderson critica, descreve seu livro como ‘a mais completa biografia de Che’. Mas a cobertura daquele aniversário de morte já foi assunto deste Weblog.

Anderson respondeu a Diogo mas acabou não sendo procurado. Na semana passada, o veterano repórter de guerra da New Yorker teve acesso e leu a reportagem. Foi sua a decisão de tornar pública esta resposta a Schelp, que começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros.

A original é em inglês, esta que segue é uma tradução:

Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.

Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.

No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Insônia no MSN

O pior cansaço é aquele que te consome, faz a cabeça doer e não te deixa repousar, mesmo deitado na cama, banho tomado, ventilador ligado e uma música calma para apenas te embalar.

Muitas vezes isso me acontecia no passado e a solução era ligar o micro para achar alguém no ICQ - alguém ainda usa? - ou no msn.

Era mais ou menos assim:

- Fala, Rubão! Chegando da balada?
- Não, insônia mesmo. E você?
- Cheguei agora. Vou dormir já já.
- Foi onde?
- Dei um rolê com uns amigos.
- Bacana.
- E aí, como anda a vida?
- Um tédio.
- Por que?
- Sei lá, nada acontece.
- Meu, você precisa arranjar uma mulher!
- É...
- Uma mulher que não te deixe acordar no meio da noite para você falar com outra no msn.
- Hum...
- Hum, o que?
- Podia ser você.
- Como?
- Podia ser você essa mulher.
- Ah, não, Rubão. A gente é amigo demais para isso.
- Como assim?
- A gente é amigo demais. Depois acaba não sobra nem amizade.
- Maneira legal de me dispensar.
- É sério!
- Sei...
- Ó, pensa só: a gente é amigão. Aí a gente namora, não dá certo e acaba tudo.
- Ah tá. Quer dizer que você já vem com prazo de validade no namoro. Bacana isso. E outra: eu preciso namorar quem então, minha inimiga?
- Não é isso, pô! É que precisa ser alguém não tão amigo.
- Sei...
- Entendeu?
- Não. Mas quer saber? Vou dormir. Fui.
- Peraí Rubão, não fica assim...

Desliguei o micro e fui pra cama. E dormi. Por 12 horas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Conversations With Myself

Tarde da noite, o telefone toca:

- Alô.
- Rubens, o que você está fazendo aí, homem de Deus? Não ficamos de sair?
- Ah... É... foi.. Me desculpe...
- Venha logo, então!
- Não dá, aconteceu um imprevisto.
- Qual?
- Um amigo veio me visitar de repente.
- Um amigo? Você tá de brincadeira!
- Sério! Ele veio do estrangeiro e passou aqui.
- E quem é?
- Ah, é um cara chamado Bill!
- Bom, fale que você tem um compromisso.
- Não dá, pô, ele veio de longe!
- Tá bom, traga-o então!
- Impossível!
- Por que?
- O piano é muito pesado.

E desliguei o telefone da tomada...

Esse pequeno naco de minha atormentada bio é para dizer como amava ouvir anos atrás, trancado em casa o CD Conversations With Myself, do pianista Bill Evans. Bill se tornou um dos meus pianistas favoritos depois que ouvi infinitas vezes Kind of Blue, gravado por Miles Davis, em 1959 e no qual ele participa.

Anos depois de ter dizimado minha coleção, achei esse CD por uma pechincha. Claro que não vou dar o fora em ninguém até porque hoje sou casado. Mas já que estou ouvindo-o nesse momento, deixo o telefone desligado. Só pra garantir. Só pra garantir.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pedido de Natal

"Querido Papai Noel,

sei que fui um menino rebelde e um tanto obsceno esse ano e que, por isso, o senhor pode me deixar sem presente. Não faça isso comigo, Papai Noel! Prometo me comportar em 2008 e até serei menos rude com bambis, gambás - mas olhe lá, gentileza tem limite, Papai Noel! - e com outros seres de menor monta ou de lugares desfavorecidos.

E para provar que mudei, Papai Noel peço só uma coisa: não quero dinheiro, cds ou dvds - embora não recusarei se me der... Mas gostaria de uma coisa: transforme o Mamadeira e nossa diretoria em instrumentos de percussão da bateria do finado John Bonham para que ele toque "Moby Dick" neles?

Ah, sim, daria para reviver o velho Bonzo?

Brigado Papai Noel. Beijo na sua barba branca!

Rubão bonzinho!"

A tal "dinâmica de grupo"

E lá vai o Palmeiras escapar de São Paulo para as rodadas finais quando ficaremos sem a vaga da Libertadores, especialmente porque não venceremos o Inter, em Porto Alegre. Mas o que mais me irrita é essa declaração de Mamadeira:

"Nós vamos para Jarinu no domingo. Vai ser bom porque toda a vez que a gente saiu [Itu, Águas de Lindóia e Jarinu] o time voltou renovado. Você cria um fato novo, reúne o elenco, faz dinâmicas de grupo...", afirmou Caio Júnior, em entrevista ao programa Arena Sportv.


Dinâmica de grupo... Como eu já disse, isso é fuga em massa de presídio. Esse cara não sabe como armar um time, não consegue aproveitar as vantagens tão duramente conquistadas, substitui de forma errada e na hora que o pau come o que faz? Foge com o time pro interior e dá-lhe essa porra de dinâmica de grupo goela abaixo.

Tite apelava para a Bíblia, Mamadeira para essas bobagens emocionais tiradas desses livros de Lair Ribeiro da vida. Chega disso, tô cansado dessa merda!

A equipe precisa ter fibra, mostrar que são jogadores de time grande e ficar aqui em São Paulo aguentando o rojão. Não seria ótimo fugirmos da vida sempre que nos deparamos com problemas? Pena que só os milionários é que podem fazer isso. Já não basta ganharem em um mês o que nós levamos dois ou três anos para acumular e ainda correm feito galinhas na hora em que o rojão explode?

Maricas.

domingo, 4 de novembro de 2007

Quanto troféu, Nalbandián!

Roger Federer e Rafael Nadal agradecem ao argentino por estarem fora do Masters da China. Quantos ganham dois títulos arrasando os números 1 e 2 do mundo em ambos os torneios?

Agora veja quantos troféus ele ganhou! ô fase!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Pesadelo argentino

Roger Federer deve estar extasiado por não ter que enfrentar nenhum tenista argentino na final do Masters, na China. Aquele que é chamado de "melhor de todos os tempos" virou um saco de pancadas dos hermanos nesse ano. Foram quatro derrotas em 2007 - duas para Guillermo Cañas e duas para David Nalbandián. Ironicamente, as derrotas vieram em seqüência, já que Federer apanhou de Cañas em torneios consecutivos, o mesmo acontecendo com Nalbandián. Qual a explicação?

Uma das explicações mais razoáveis é que Federer se complica todo com jogadores latinos, mais técnicos e menos violentos do que os europeus. Vale lembrar que o último grande momento de Guga foi em Roland Garros, quando aplicou desmoralizantes 3 a 0 sobre o número 1 do mundo, que sonha até hoje em revidar aquele placar, o que não será mais possível, já que o catarinense deve se aposentar em breve.

E mais: Federer mostrou nessas quatro derrotas um descontrole emocional incomum para alguém tão frio como ele. A sorte do suíço é que os argentinos cumprem má temporada nesse ano, apesar de Nalbandián, 21º do mundo, ser apenas o quarto melhor argentino no ranking, superado pelo próprio Cañas (14º), Juan Ignacio Chela (17º) e Juan Monaco (20º).

Há muito que o tênis argentino mostra uma força indiscutível, tanto que chegaram a ter uma final entre eles no Roland Garros. Sem abrir mão de sua técnica refinada - herança dos anos de Guillermo Vilas, José Luis Clerc e depois com Alberto Mancini - a Argentina conseguiu criar uma escola que alia sua técnica e criatividade com a força do tênis bruto europeu e norte-americano, mais ou menos o que fez no basquete masculino.

Apenas lamento que um dos mais talentosos tenistas, Guillermo Coria, caminhe rapidamente à aposentadoria. O ex-número 3 do mundo era uma raridade nos dias atuais, pois mede apenas 1,75 m e tem um saque fraco, embora compense tudo isso com uma técnica impressionante e uma esquerda precisa. Mas Coria parece sofrer de grande estafa mental e recentemente abandonou um torneio de forma bisonha.

E apenas como comparação: enquanto eles colocam cinco jogadores entre os 50 melhores do mundo e 13 entre os 100 primeiros, nosso melhor tenista, Flávio Saretta, é apenas o número 151.

Eles se aproveitaram da sua escola ao longo dos anos, enquanto nós desperdiçamos a "era Guga" e conseguimos até regredimos.

Mas uma coisa garanto: como estará feliz o Roger Federer na China...

Hingis

A compatriota de Federer, Martina Hingis, uma das musas do tênis, deu adeus às quadras, alegando problemas no quadril - igual à Guga? - e por ter dado positivo o exame de cocaína no torneio de Wimbledon. Sobre isso, ela se disse chocada e alega jamais ter usado drogas, tanto que realizou alguns exames anti-dopings em outros laboratórios que comprovam sua inocência. O problema é que a contra-prova do prestigioso torneio inglês comprou que ela utilizou e o caso vai parar nos tribunais. Triste fim para um mito do esporte.

sábado, 27 de outubro de 2007

Bambi roxo

Bicharlisson e seu travesseiro roxo... ou como gostam os bambis; Bicharlisson and his purple pillow...

domingo, 21 de outubro de 2007

Hamilton: de Senna a Mansell

Parabéns ao inglês que diziam ser o novo Senna. Provou ser o novo Mansell, o burro do ano. Se não fosse afilhado de Ron Dennis, estaria hoje na rua. Pilotou feito um retardado e pode ter se queimado por vários anos.

E a McLaren vai ter que remoer essa derrota por vários anos da mesma maneira que vibraram em 86 com Prost vencendo as Williams de Mansell (o burro) e Piquet. Já imaginou agora se perdem o Alonso para outra equipe, que foi a grande vítima de tudo?

Kimi campeão... nem ele esperava isso e a ficha deve cair só amanhã.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Trilha-sonora do dia

Em 1996, eu e Bertolotto fizemos uma matéria sobre a cidade de Athens, durante os jogos olímpicos de Atlanta.

Athens seria a sede dos jogos de futebol e a cidade é famosa por ser berço de universidades, além de lar do B-52's e do R.E.M. E nós tentamos justamente uma entrevista com o grupo de Michael Stipe que lançaria semanas depois o excelente New Adventures In Hi-Fi.

Não é necessário dizer que não conseguimos entrevista alguma (embora eu tenha dito agora). Ainda assim, guardo recordações carinhosas dessa matéria e do disco, que comprei logo que saiu. Canções delicadas, como é o caso de "E-bow the Letter", com Michael dividindo os vocais com a mua Patti Smith, além de "Leave", minha favorita. Um baita disco, um baita tempo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O melhor de todos os tempos...da semana

Quando Pete Sampras se aposentou, o mundo foi unânime: o tênis estava de luto, pois o norte-americano era o maior de todos os tempos e praticamente inalcançável. Pois, nem o cadáver começou a esfriar e todos viraram os olhos para o novato suíço Roger Federer. Com 12 títulos de Grand Slam, não há dúvidas: Sampras era o maior de todos os tempos. O título agora é de Federer.

Pois no ano passado, quando o levantador Maurício disse adeus às quadras, a ladainha: "lá se vai o maior de todos, inigualável, etc"... até surgir Ricardinho, para muitos, esse sim, o maior de todos os tempos.

E não é que agora o "maior de todos os tempos da vez" é o espanhol Fernando Alonso?
Se conseguir o tricampeonato no Brasil, Alonso o fará com 26 anos, cinco anos a menos que Senna, o mais jovem tricampeão da história e de Michael Schumacher, o segundo nesse quesito.

Eu me sinto uma vítima daquela piada do coelhinho que vira para a parceria e diz: "vai ser bom, não foi?"

Ô gente boa, estamos falando do heptacampeão mundial, com 90 vitórias e quase todos os recordes da categoria! Alonso tem um tremendo potencial, mas falta muito asfalto para ele chegar perto do alemão.

Enfim, a cada semana temos agora um novo "melhor de todos os tempos".

Poucos se fixam ainda nesse ponto. Talvez o mais difícil de ser igualado seja Kasparov, mas isso só acontece porque esse bundão sempre fugiu de me enfrentar, temendo o meu temível xeque-pastor.

E para você, quais são os novos melhores de todos os tempos atuais? Façam suas apostas!

Pilotos de verdade...


GP Brasil de 1975 - Pace (1º) e Emerson (à esquerda, em 2º)


GP Brasil de 1986 - Piquet (1º) e Senna (2º)

Se fosse o Rubinho...

Estranho mundo da F-1 e da nossa covarde imprensa. Veja o caso de Felipe Massa: conseguiu ser o lanterna do Mundial e ainda teve contrato renovado 14 meses antes para ficar na Ferrari.

Num campeonato em que apenas os pilotos da McLaren e Ferrari aspiravam algo, Massa mostrou-se um bundão: inferior tecnicamente à Rubinho, metido, mas jamais é criticado pela mídia brasileira, talvez por ser apadrinhado de Schumacher. E como o alemão desdenhava o Rubinho...

Massa é medíocre e a Ferrari vai entrar em baixa total, ainda mais se Jean Todt sair. Sobrará o gostinho de pilotar a Ferrari e sempre ter algo para reclamar. E veremos Alonso, Hamilton, Heidfeld brigando por títulos...

Ah, mas se fosse o Rubinho...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O que é mais feio?

... perder do Celtic ou dar uma de Rojas, ex-goleiro bambi? Que final de carreira melancólico, Dida.

Rádios virtuais

Já que não se pode falar de música, pode-se ouvir. Não sou um grande assíduo de rádios virtuais, mas é quase um milagre - às vezes dá até vontade de abandonar o ateísmo, mas essa vontade logo passa - poder ouvir um zilhão de programas de rádio via net.

Devia ser muito mais chique ouvir essas rádios com aqueles antiquíssimos aparelhos de ondas curtas que pareciam um mala de 100 kg, mas é realmente muito bacana poder ouvir tudo hoje com qualidade sonora impecável. E o melhor de tudo isso é que você não precisa ser disciplinado com o horário. Se perdeu o programa, basta ir ao site e ouvi-lo mais tarde.

Me lembro de um texto emocionante de Donal Gallagher contando que seu irmão Rory saia correndo da escola e ia voando até chegar em casa para não perder alguns programas de country, jazz e blues da BBC. Naquela época, deixemos claro, não havia internet. Se perdesse o programa só na outra semana; às vezes, só no outro mês.

Foi dessa maneira que se construiu a base musical não só de Rory Gallagher, mas de Van Morrison - emocionalmente também ouvir seus relatos desesperados de tentar sintonizar a Rádio Luxembourg quando rapazola -, John Lennon, Bob Dylan, etc. Não havia tecnologia, mas havia idealismo. Um idealismo que os fez perseguirem os sons que mudariam não apenas uma geração, como também um planeta. Ideologia essa que faz um falta miserável nos dias de hoje e que muitos acham papo de velho e saudosista.

Eu sou. Luto pela minha. E lamento não poder mais imaginar novos Rorys correndo para casa afim de ouvir seu programa predileto.

Novos tempos...argh!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Música

Estou com muita saudade de conversar sobre música. Escrever e ouvir não são suficientes para aplacar essa vontade. E esse é um dos problemas em morar numa cidade estéril em que só se ouve axé, forró e música gospel.

Para compensar tenho visto alguns filmes que adoro, como Quase Famosos ou até Alta Fidelidade. Mas não é o suficiente. Até converso sobre isso por msn com alguns ou com artistas que teimo em entrevistar e publicar no meu site ou ainda em algumas listas de músicas com vários amigos (virtuais).

Mas não é o suficiente. Como não é suficiente ter apenas dois ouvidos e 24 horas por dia para ouvir música.

Eu só reclamo, cacete!

Disco do dia: Aladdin Sane (1973), de David Bowie

domingo, 14 de outubro de 2007

9 = 11? Para Mamadeira, sim...

Na vida, o que separa os grandes dos pequenos não são pequenos detalhes; são os grandes. Mamadeira ainda não aprendeu isso, assim como o Palmeiras desaprendeu. Ontem, mais uma vez ele mostrou como se deve (e não) jogar com o Santos. Ou com alguém como Luxemburgo.

Após dois empates com o time praiano em dois clássicos, Mamadeira deveria ter aprendido o básico: quando se pode matar um rival em clássico deve-se ser implacável. E Mamadeira não sabe como fazer isso. E o Palmeiras também se esqueceu.

O jogo começou muito bem, com Paulo Sérgio atuando surpreendentemente atrás dos zagueiros, com Pierre fixo no meio e Makelelê correndo por três. Valdívia era marcado de perto, mas Caio fazia a diferença. O primeiro tempo terminou apenas 1x0 porque atuamos com nove, já que Rodrigão e Luiz Henrique são mais mamadeiras futebolisticamente falando do que o original.

O problema era o segundo tempo. Era óbvio que Luxemburgo iria mexer no time. A pergunta que deixo no ar é: não pode um treinador mexer no esquema tático mesmo tendo vencido o primeiro tempo na casa do adversário? Estava claro que o Santos não iria voltar igual.

Algumas mudanças eram possíveis: uma era a entrada de Francis no lugar de Rodrigão. Ficaríamos com 10, e Caio seria um segundo atacante. A segunda - que faria mais meu estilo - era voltar com Francis e Luís no lugares dos dois "zeros", ficando Luís fixo na área, Caio de armador e Valdívia de segundo atacante, que puxaria seu marcador para a defesa e abriria um clarão no meio. Dessa maneira, o time teria um losango no meio, que poderia ser um quadrado, com Francis e Pierre ficando mais na marcação e Caio e Makelelê na criação.

É tudo hipótese, até porque não sou técnico e ninguém lê isso. Mas Mamadeira precisa aprender que bom resultado para time grande em clássico só existe um: VITÓRIA. Empate só serve se estiver com um a menos.

Bom, então preciso torcer meu braço, afinal atuamos bom tempo do jogo com nove. Mas será que nem contar até 11 Mamadeira aprendeu?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Frase do dia

O Corinthians poderia fazer uma parceira com o outro time de Liverpool. Só tem Everton nesse time! (frase de Pedro Damian)

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Trilha-sonora do dia

Não espere vida fácil ao ouvir esse CD e muito menos se assistir o DVD. O último show da turnê de Ziggy Stardust - Ziggy Stardust And the Spiders from Mars - The Motion Picture Soundtrack -, gravado em Londres no ano de 1973, é assunto para corajosos e iniciados.

Primeiro, porque David Bowie saiu da obscuridade com um de seus personagens mais inquietos ou sombrios. Talvez apenas Thin White Duke tenha sido mais sinistro, embora chamado de nazista pelo interesse incomum que Bowie tinha sobre o tema.


Ziggy foi um murro no estômago do rock setentista: um ser magrelo, de cabelos vermelhos, com cara maligna cantando sobre dor, sexo, androginia, solidão, suicídio, drogas, vida alienígena e que se assumiu ser bissexual em uma entrevista para um semanário inglês. E isso não era pouca coisa por volta de 72, 73...

The Fall and Rise of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars não figura entre os meus cinco discos favoritos de sua extensa disografia, mas confesso que esse disco ao vivo - lançado originalmente em 1982 - está entre os meus favoritos entre os live albuns.

Entre outras coisas, Bowie faz releituras apaixonadas - e apaixonantes - de "My Death", de Jacques Brel e de "White Light/White Heat", do Velvet Underground. E é sempre importante e fundamental ressaltar o primoroso trabalho do guitarrista Mick Ronson, o mais perfeito parceiro de David e que tirou solos furiosos e inesquecíveis com sua Gibson.

Os dois romperiam em seguida e a paz entre eles só seria selada após 20 anos. Ronson foi uma das estrelas do ótimo e injustamente esquecido disco Black Tie White Noise, lançado por Bowie, em 1993. Infelizmente, Ronson já estava acometido de um câncer que o mataria meses depois.

Se algum dia o rock chegou perto de Schopenhauer foi com Ziggy. E Bowie acertou em cheio ao matar o personagem no palco, para sempre, nesse dia. Aliás, Bowie não era mais Bowie; era Ziggy e seu fim seria tão triste como o de seu personagem. Nesse caso, porém, o criador foi mais forte que a criatura.

Que bom.

Mística é para poucos

Títulos qualquer time pode ter. Torcida, idem. Mas, mística? Não, não isso é para poucos, muito, muito poucos. Uma das razões pelo qual sou palmeirense é porque o Palmeiras é místico. Quantas vitórias impossíveis, tiradas do fundo da alma com palitinho meu alviverde não conseguiu mesmo nos anos de jejum?

Além do Palmeiras, apenas o time dos gambás possuem isso em SP. E o que eles fizeram ontem foi a prova de que com mística não se brinca. Avisei aqui em casa que os bambis seriam espancados ontem. Riram de mim. Tadinhas. Eu sabia que isso ia acontecer. Não porque tenha mudado de lado, não fiquei louco ou perdi meu gosto refinado. Era por causa da mística.

Os gambás são bacanas - tirando aquela ala de macacos assassinos igual à Mancha Alviverde etc -, pois são pessoas que sempre acreditam. Não há nada mais gostoso do que tirar um sarro deles; ficam furiosos mas aceitam. Diferente dos bambis que jamais possuíram um pingo de humor e a cada dia se parece mais com nossa abjeta classe média tucana.

Gambás são como macumba - podem ser feios e malcheirosos, porém, antes de tudo, indispensáveis para criarem a lenda e o sincretismo do futebol brasileiro.

Quando as arquibancadas eram democráticas era uma delícia ver um Dérbi. Quando foram campeões em 77 vi gente da minha família chorar e se ajoelhar. Parecia que alguém tinha superado um câncer. Na minha ignorância de oito anos de idade e ainda desinteresse por futebol tive a ousadia de perguntar "pai, o que é um Corinthians que te deixou tão feliz?".

É por isso que há apenas um - e somente um - clássico que valorizo: contra eles. Ali estão as grandes histórias de amor e dor; ali estão marcadas a ferro, fogo, lágrimas, sangue e paixão os imortais e os esquecidos.

Por isso, acompanhei o jogo de ontem e fiquei até um pouco... digamos assim... você sabe... um pouco, quando vi os bambis se foderem...

Afinal, eles podem até levarem o título e tal... mas mística... Isso é algo que apenas os escolhidos têm...

domingo, 7 de outubro de 2007

Libertadores ou Copa do Brasil?

A vitória sobre o Grêmio trouxe ao Palmeiras uma situação que ninguém sequer sonhava: o time pode terminar o campeonato com o vice-campeonato, afinal o Cruzeiro soma 51 pontos e nós 50.

Muitos estão eufóricos com a possibilidade de Libertadores. Eu não. Prefiro a Copa do Brasil. Pensamento pequeno? Não, apenas mais realista. A Libertadores traz alguns benefícios: mais dinheiro, mais prestígio nacional e internacional e valorização do time e patrocinador. Em compensação, temos um técnico ainda inexperiente, um elenco mediano e sem nenhum atacante qualificado e pouco dinheiro para se reforçar até lá.

A Copa do Brasil é um torneio mais simples, onde jogarão, teoricamente os "refugos", que serão Grêmio, Internacional, Vasco etc...

A não-classificação para o torneio sul-americano deve implicar na demissão de Caio Júnior - o que não acho de todo ruim, embora o time não tenha ninguém em vista melhor do que ele, até pela falta de grana.

Um aspecto positivo seria que desde a nossa volta à Série A, em 2004, seria nossa terceira participação em Libertadores - 2005, 2006 e 2008 - o que mostraria que não somos tão lixos assim. Mas precisaríamos parar de cruzar com os bambis, porque perder deles já cansou. Mas também, já irritou cair perante ASA, Santo André e Ipatinga, em casa.

Considero que com um bom planejamento e alguns reforços podemos vencer a Copa do Brasil, recuperar a moral e começar o ano com mais paz. É uma aposta mais segura.

Agora, se for para escolher entre ser eliminado pelos bambis ou pelo Ipatinga em casa, eu prefiro nem ligar a TV.

sábado, 6 de outubro de 2007

Sempre os idiotas

Algumas pessoas perderam completamente a noção de ridículo. Agem como crianças, colocam um bando de imbecis te xingando e até - ainda que hipoteticamente - ameaçando não apenas a minha integridade física como da minha família e depois mandam um e-mail como se nada tivesse acontecido, pedindo desculpas e querendo - quem sabe - um dia ser seu amigo.

Ora, filho-da-puta escroto babaca volte pro buraco de onde saíste! Isso se sua mãe te aceitar, verme duma figa porque o certo seria ela ter te abortado!

Caras como esse apenas reforçam a minha convicção que Deus é uma utopia, porque se fosse real jamais deixaria algo assim tomar vida.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Trilha-sonora do dia

Eu deveria fazer que nem o Lemmy e dizer que tudo está ok pra mim... mas eu não consigo...

Esse Mamadeira...

Caio Júnior tem feito tanta merda no Palmeiras, mas tanta merda, que rezo para que não renove. Eu já o rebaixei de categoria duas vezes: era Juvenil e agora virou Mamadeira. Realmente entrar com Rodrigão é um acinte de arrepiar a rosácea aveludada (ui, coisa mais bambi!).

Porra, escale o roupeiro! O pior é que essa desgraça, um perfeito exemplo sartreano do nada é namorado da baranga Hortência, a que usou todo o dinheiro que ganhou no basquete para arruinar (ainda mais) sua cara com botox (aprendeu com a Martaxa?). Por que ela não o levou pro seu time, futuro participante da Série B em 2008?

ô Arthur, me ajude! O Rodrigão vai jogar amanhã! Quer dizer... entrar em campo, né? Jogar é pedir demais!

Primeira postagem

Alguns dizem que o primeiro impulso é o mais correto. Os meus são sempre os errados. Se eu tivesse seguido os primeiros, não estaria vivendo com o meu grande amor. E num impulso deletei o antigo blog. Deletei mesmo. Pum! Apertei o botão e ele se foi. Aí deu saudades.

Mas chega de efexor, de terapia, vou ser ácido, crítico. Meu sonho é ser Schopenhauer. Mas sou só Rubão. Pobre filósofo. Morreu na miséria, desconhecido e ganhou um homenagem. Minha. Tá bom assim, Arthur?