
E Marcos se foi. São Marcos, defensores dos fracos e oprimidos.
E quem mais para encarnar isso, nos últimos anos, do que nós, palmeirenses?
Marcos fez milagres quando tinha à sua frente Júnior Tuchê, Agnaldo, Alexandre, Leonardo, Leandro Amaro, Daniel, Danilo, Argel...
Em suas mãos, a negação dos rivais, a alegria verde. Como posso me esquecer do plantão solitário no Netgol, em 2000, nas semifinais, contra os gambás, na Libertadores?
Naquele dia devo ter chegado perto do recorde mundial do salto em altura.
Mas, Marcos era um santo terrestre. Se isso é possível. Marcos se machucou demais, se arrebentou.
Sofreu, chorou - e nos fez chorar ao ver outros em seu lugar. Não me importo com essa fama de ser querido por todas as torcidas ou por ser o goleiro do penta.
Marcos era do Palmeiras, o último resquício palmeirista, aquele que nunca nos virou as costas, que xingou técnico, que se dizia gladiador, mas que só brigava por dinheiro, ou jamais deixou seu futebol nos Andes.
Marcos tomou 5, 6, 7, frangos, foi xingado, vaiado. Mas foi São ao dizer não ao Arsenal e seus milhões. Jogou a Série B com nervos em frangalhos, bronquite e foi santo de novo.
Marcos fará falta não apenas porque foi o maior goleiro do time e, possivelmente, da história.
Ficará para a história, sua alegria, suas histórias - peguei algumas quando era ainda reserva do Velloso, em 1998 - e por mostrar que os santos são terrenos, sofrem, amam, choram e dão adeus.
Mesmo ateu, cheguei perto de ter duas religiões no futebol. A primeira foi Evair. A outra, com Marcos. Mas, parece que ser ateu é mesmo é minha sina. Como foi a de Marcos ser São e o grande arqueiro que vi.
As traves ficaram maiores para os adversários, para desespero nosso.
Que Deola, ao menos, nos brinde com algumas noites de santo.
Adeus, campeão!