quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tchau, Santo...


E Marcos se foi. São Marcos, defensores dos fracos e oprimidos.

E quem mais para encarnar isso, nos últimos anos, do que nós, palmeirenses?

Marcos fez milagres quando tinha à sua frente Júnior Tuchê, Agnaldo, Alexandre, Leonardo, Leandro Amaro, Daniel, Danilo, Argel...

Em suas mãos, a negação dos rivais, a alegria verde. Como posso me esquecer do plantão solitário no Netgol, em 2000, nas semifinais, contra os gambás, na Libertadores?

Naquele dia devo ter chegado perto do recorde mundial do salto em altura.

Mas, Marcos era um santo terrestre. Se isso é possível. Marcos se machucou demais, se arrebentou.

Sofreu, chorou - e nos fez chorar ao ver outros em seu lugar. Não me importo com essa fama de ser querido por todas as torcidas ou por ser o goleiro do penta.

Marcos era do Palmeiras, o último resquício palmeirista, aquele que nunca nos virou as costas, que xingou técnico, que se dizia gladiador, mas que só brigava por dinheiro, ou jamais deixou seu futebol nos Andes.

Marcos tomou 5, 6, 7, frangos, foi xingado, vaiado. Mas foi São ao dizer não ao Arsenal e seus milhões. Jogou a Série B com nervos em frangalhos, bronquite e foi santo de novo.

Marcos fará falta não apenas porque foi o maior goleiro do time e, possivelmente, da história.

Ficará para a história, sua alegria, suas histórias - peguei algumas quando era ainda reserva do Velloso, em 1998 - e por mostrar que os santos são terrenos, sofrem, amam, choram e dão adeus.

Mesmo ateu, cheguei perto de ter duas religiões no futebol. A primeira foi Evair. A outra, com Marcos. Mas, parece que ser ateu é mesmo é minha sina. Como foi a de Marcos ser São e o grande arqueiro que vi.

As traves ficaram maiores para os adversários, para desespero nosso.

Que Deola, ao menos, nos brinde com algumas noites de santo.

Adeus, campeão!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cubos de açúcar

Deus

Deus não existe,
mas se Ele existisse,
Ele viveria no céu acima de mim,
em uma nuvem grande e gorda lá em cima.
Ele é mais branco que o branco e mais limpo que o limpo.
Ele quer me alcançar.

Deus não existe
mas se Ele existisse eu sempre o notaria.
se preparando em seu quarto aéreo.
Ele está escolhendo suas luvas tão brutalmente.
Ele quer me tocar.
estou andando humildemente por uma rua estreita.
puxando meu colarinho que cresce.
eu o conheci uma vez.
realmente me surpreendeu.
Ele me colocou em uma banheira.
me deixou melodicamente limpo. realmente limpo.

para criar um universo você precisa
provar o fruto proibido.
Ele disse oi. eu disse oi. eu continuei limpo.

Deus não existe.
mas se Ele existisse Ele gostaria de descer daquela nuvem.
primeiro dedos de marzipan do que mãos de mármore.
mais silencioso do que o silêncio e mais lento que a lentidão.
mergulhando em minha direção. meu colarinho é sala imensa para duas mãos,
elas começam no peito e se movem lentamente para baixo.
eu pensei que já tinha visto de tudo.

Ele não era branco e fofo.
Ele tinha costeletas.
Ele tinha costeletas. e um topete.
Ele disse oi. eu disse oi. eu continuei limpo. eu estava melodicamente limpo.
eu estava surpreso.
do mesmo jeito que você iria ficar.

Deus Deus.
Ele não existe.
Deus Deus.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

Hand in Glove

Sandie Shaw gravou a canção dos Smiths acompanhado da banda - mas, sem Morrissey nos vocais - e lançou um compacto.

Aqui, dois vídeos, sendo o segundo o mais curioso com Morrissey falando e "aparecendo" cantando em uma montagem legal.