sábado, 19 de janeiro de 2008

Quando o moderno é um lixo

Eu sempre fico com o pé atrás com a palavra "moderno" e havia prometido ao Cesarotti que não falaria de futebol no blog esse ano. Vou cumprir, em parte. Vou falar do Palmeiras, mas não de futebol.Como?

Simples: gostaria de entender o que passa pela cabeça desses imbecis que desenham os uniformes de futebol. São imbecis. E os mais imbecis pertencem à Adidas, a companhia que destrói os uniformes do Palmeiras há mais de 20 anos. A atual do Milan, com listrinhas pretas fininhas na barriga, é uma aberração. Mas nenhuma supera, hoje em dia, a do Palmeiras.

Quando o Palmeiras anunciou o embuste do título mundial de 51, entramos na partida seguinte contra os bambis, ostentando uma camisa da época - ou vintage como gostam os "mudernos. Quase tive um enfarte. Que coisa linda! Um verde esmeraldinho clássico, com gola em "V" e um "P" ao lado como símbolo. Limpinha, sem FIAT e merdas. Um obra de arte.

Mas, veja o que fizeram! Meteram um Suvinil nas mangas que mais parece um rótulo da lata de tintas! Meu Deus, como podem fazer isso? Quem foi o imbecil que desenhou isso? Quem foi o imbecil da Suvinil que aprovou isso? E, principalmente, quem foi o imbecil da diretoria que deu OK? Nem as presenças de Marcos e Evair diminuíram o vexame.

Eu sei que o patrocínio é em um lugar estranho, que as cores do logo da patrocinadora são diferentes, mas não poderiam ter criado uma solução mais inteligente e refinada? Já imaginou um adesivo - porque isso é um adesivo e dos bem vagabundos - desses na camisa do Barça? Sairia tiro meu amigo, até Franco levantaria da tumba e se uniria aos catalães.

Ô diretoria de merda, ávida por meros R$225 mil mensais, que pagam apenas 13 dias de salários do Luxemburgo. É o que eu digo: não quero jamais a volta do Mustafá, mas com certeza, do Della Monica menos ainda!

Antas!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Morre Bobby Fischer

O xadrez está de luto. Morreu hoje, na Islândia, Robert Fischer, aos 64 anos, de causa ainda desconhecida.

Para muitos, Robert Fischer foi a personificação do enxadrista: genial, louco, maníaco, incontrolável, intolerável e irritante. Pois Fischer foi tudo isso e muito mais.

Provavelmente o maior jogador de todos os tempos ao lado de Kasparov, esse norte-americano nascido em 9 de março de 1943, no Brooklyn, deu outra dimensão ao xadrez. Após derrotar Boris Spassky em 1972, Fischer ficou mais excêntrico do que era e não aceitou disputar a final contra o jovem Anatoly Karpov, no segundo embate da "Guerra Fria" entre EUA e URSS, em 1975. Em recente entrevista, Karpov confessou ser essa a grande frustração em sua longa e brilhante carreira.

Fischer sempre teve o xadrez no sangue. Em suas entrevistas deixava claro que nada mais o interessava. "Dedico 90% do meu tempo ao xadrez". São lendárias suas vitórias e sua memória prodigiosa. Fischer acabou se tornando maior que o esporte. E quando isso acontece, geralmente os gênios enlouquecem. Nisso, ele foi tão comum quanto nós. Comum, não. Fischer usou sua loucura para peitar o Tio Sam e jogar uma revanche com o mesmo Spassky na antiga Iugoslávia, em 1992, desrespeitando uma ordem dos EUA, ao ignorar o embargo norte-americano ao país que vivia uma sangrenta guerra civil. Além de não obedecer, fez um gesto pouco educado ao governo e teve sua prisão decretada. Virou fugitivo, morou na Hungria, Japão - onde foi quase extraditado - e estava desde 2005 na Islândia, onde morreu.

A causa mortis ainda não revelada apenas aumenta o mistério sobre o mito, pois há quem já diga pela internet, que foi assassinado pela CIA. Seria um fim tão fantástico para alguém igualmente fantástico e que transcendeu o esporte. Fischer era odiado pelos enxadristas por ter criado um esteriótipo exagerado e caricatural, mas nem sempre falso.

Seu talento e sua loucura fizeram dele imortal. Alguns se lembrarão pelo segundo motivo. Para mim, sempre será pelo primeiro.