sábado, 28 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Tchau, inércia!

Vamos quebrar essa rotina de não escrever mais. Abandonei o blog, o site de música, mesmo tendo toneladas de horas vagas.

Sou um puta vagabundo, um grande cínico, que só engorda. Um grande engodo, isso sim.

Quando me tornei tão inútil a ponto de reclamar do que tenho demais?

Porra, a viagem pra São Paulo foi maravilhosa, rever os amigos idem, ainda que deixei muitos de fora, amigos esses que espero ver no ano que vem.

Considerem-se avisados desde já! Sim, é uma ameaça!


Pena que foi tão rápido.

Caralho de calor, eu me desacostumei com isso.

No documentário No Direction Home, sobre a primeira fase da carreira de Bob Dylan, o próprio disse que na infância, sua cidade era calma e quieta porque o frio regulava tudo por lá, como se fosse tão gelado a ponto de se ligar apenas o motor no piloto automático, sem pensar.

Pensar no frio às vezes dói, não? Pra mim doía.


Mentira! Eu amo o frio!

O frio te regula, coloca você num termostato mais saudável. Caminhar é mais gostoso, namorar é mais gostoso, comer é mais gostoso, ficar melancólico é mais gostoso, rir é mais gostoso, ver a fumacinha sair da boca é mais gostoso.

E a Naiá fica tão bonita no frio....




Preciso voltar a escrever. Escreve filho da puta, escreve!

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Pilulas

Duro não é esperar até dezembro para ver onde acaba o Palmeiras. Duro é saber que até maio de 2011 passarei vexame com o Celtic. Tomar 4x0 do Utrecht na fase inicial da Liga Europa é tão duro quanto o hat-trick de ontem, no Pacaembu. Tá bom se nessa temporada não terminar em terceiro no escocês. Ter Samaras como camisa 9 é tão pornográfico como o Tadeu (e cadê o delegado que ainda não o prendeu?????).

E depois de um sofrimento desnecessário com o temível Young Boys, agora o Tottenham pega um grupo complicado na Champions com a campeã Inter, Werder Bremem e o Twente. Já comecei a estocar remédios pra enxaquecas, arritmias e ressaca.

O Barça contratou Mascherano e agora terá um meio campo com o argentino, Xavi e Iniesta, tendo ainda Pedro, Villa e Messi na frente, além de reservas como Keita e Busquets. Enquanto isso, Felipão promete mais ferrolho. Só falta escalar Edinho e Pierre juntos!

Pelo amor do deus ateu, vá embora de uma vez, Armero! Não aguento mais esse vende e não vende!

E a Arena? Eu aposto 100 reais com quem quiser - prometo pagar se perder - que é mais fácil sair o lendário (e quase história de pescador) estádio dos gambás do que essa merda que só fez destruir o Palestra Itália e nos deixar sem casa.

Ah, sim, Belluzzo, por favor, se suicide. Meta uma bala na sua cabeça. E depois, se enforque, para não ter erro. E convide o Cipullo.

E, por todos os deuses palestrinos, camisa verde-limão, não mais!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ainda bem...

...que eu recebo para acompanhar os jogos do Palmeiras. Duro é quem vê isso de graça ou paga ingresso, flanelinha e ainda apanha da PM.

Porque, meu amigo, ver um hat-trick de Elias (quem?) é dose pra mamute, elefante, dinossauro, Mustafá, Cesarotti e sei-la-mais-o-quê!

Que lástima, que vergonha!

Presente de Belluzzo!

No dia em que completa 96 anos, o Palmeiras consegue fechar o primeiro tempo perdendo EM CASA para o LANTERNA, por 2x0, e sem dar NENHUM CHUTE AO GOL.

Isso não é presente de grego, é de Belluzzo, Cipullo e cia.

Ainda bem que os jogadores foram proibidos de falar no intervalo. Só quero ver do que vão reclamar depois da partida, se continuar assim.

Até quando, Palmeiras?

O DEUS DA HUMILDADE

publicado originalmente no Blog do Menon





Dizem que deuses são arrogantes, senhores de si e indestrutíveis. Bom, eu não entendo muito de deuses, de mitologia. Nunca foi meu forte.

Nunca gostei de venerar pessoas, sempre achei tolo você levantar as mãos e dizer "fulano é DEUS!".


Tá, confesso, Evair era meu Deus aos 24, 25 anos. Mas aí ele apareceu num programa evangélico de madrugada, enquanto eu voltava chapado de uma noitada e nunca mais foi o mesmo para mim.

O problema de nós, palmeirenses, é que sempre tivemos o dom pra tragédia, o épico, o rocambolesco. Talvez seja essa a beleza e a tragédia de torcer para esse time.


Qual equipe é capaz de eliminar, por dois anos seguidos, seu maior rival na Libertadores, em cobranças de pênaltis e perder campeonatos e jogos certos, em casa, para ASA, Vitória, Ipatinga, Atlético Goianie
nse? Só o Palmeiras.
Em todos os jogos citados uma presença foi quase obrigatória, quase divina: Marcos Roberto Silveira Reis, ou simplesmente São Marcos.

A vida anda tão dura para o Palmeiras que minha esposa adora mudar o começo do hino para
"quando surge o alviverde impotente/ no gramado em que a sova o aguarda...".

No máximo, posso rir, e constatar a verdade. E com uma outra derrota no lombo.


Meu caro leitor, quantos times possuem um ídolo e líder tão honesto, sereno e apaixonado e que atende o mar de microfones sedentos por uma explicação após outra derrota?


"Sou o único que dá entrevistas nas derrotas. Nas vitórias, vários aparecem", já reclamou Marcos, certa vez, após levar outro pito por ser honesto demais.


Marcos é a cara do Palmeiras: é sempre ele quem dá a face para bater, que já deveria ter desistido do futebol pelas inúmeras lesões que sofreu.

Ver Marcos é ver a própria essência do time: um homem simples, que ama o que faz, ama o clube e entende perfeitamente o que significa o Palmeiras, algo impossível para os rivais.

A notícia quente de hoje é o não de Neymar ao poderoso Chelsea.

E o não do pentacampeão Marcos ao Arsenal, em 2003, quando o time tinha caído para a Série B e viu a equipe de Arsene Wenger e Gilberto Silva dizer "sim" a todos os pedidos do arqueiro para se mudar pra Londres?

"Não posso deixar o Palmeiras na mão nessa hora tão ruim. Eu fui o goleiro do descenso."

E Marcos ficou. Quantos ídolos são tão dignos?


A pressão para a volta à elite foi tão assustadora que o goleiro chegou um dia ao médico com dores no peito, sem fôlego.

"Pensei que era um enfarte, algo sério e fiquei assustado quando o médico disse que era asma. 'Asma', perguntei, 'mas como se eu nunca tive isso?' Foi quando ele me disse que tinha desenvolvido uma asma nervosa, talvez pela tensão. Como chorei de alegria quando subimos. Não conseguia olhar as pessoas nos olhos quando era chamado por alguém, na rua."


Marcos não importa em não ser o maior recordista de jogos pelo time ou nem mesmo o goleiro que mais jogos fez pelo Palmeiras. Não se importa se vai receber ou não uma estátua, como Ademir da Guia, Junqueira ou Waldemar Fiúme. Marcos não se importa, porque já é uma lenda viva e um monumento dentro do próprio Palmeiras.

Um muro imenso que impediu derrotas incríveis, que nos brindou com vitórias impossíveis, com defesas que a retina teima em não esquecer.


Oliver Khan foi mesmo melhor que ele em 2002? Só para a Fifa. Mas quem se importa com a Fifa?


Aos 37 anos, o mito está perto de parar. As dores após as partidas são terríveis, os treinos o deixam arrasado. Marcos sabe que o corpo não aguenta mais. Sabe que está acabando uma das grandes paixões.

Infelizmente, não deixará um grande herdeiro, algo fácil (e triste) de entender. Mitos não surgem assim, a todo momento.


É ele um dos poucos que me faz dizer sim ao Palmeiras quando o coração quer dizer não de uma vez por todas após tanta lambança de dirigentes, tantas derrotas vexatórias, tantos títulos perdidos, tanto dinheiro desperdiçado.

É duro ver os rivais aumentarem sua coleção de troféus enquanto somos obrigados a aguentar outra explicação patética de outra decepção.


É duro comemorar apenas um Paulista e uma Série B no novo século. E seria muito mais duro não tivesse Marcos ali, lutando por cada bola, honrando em cada segundo, ainda que uma meia dúzia de imbecis o tenha xingado de frangueiro em uma incrível derrota de 7x2 para o Vitória, dentro de casa.


Como todo palmeirense, tem sangue quente nas veias, fala quando devia ficar calado, mas jamais foge do pau, jamais deixa de mostrar a dignidade desse gigante adormecido de 96 anos.


Marcos é tão grande quanto o Palmeiras, o alviverde imponente, ainda que alguns vagabundos tentem transformar a equipe em "alviverde impotente".


Ao completar 500 partidas pelo time - seriam 800 ou 900 não fossem as seguidas lesões - atingiu um patamar que, talvez e apenas talvez, Ademir da Guia tenha dentro da história do clube.

Uma pessoa simples, humilde, que atende qualquer torcedor, que conversa com as pessoas na fila do banco, que adora causos e tem medo de fantasmas.
Um homem querido até pelos rivais, reverenciado por quem entende de futebol. Gente como nós, palmeirenses, gente que não precisa se explicar.

Como o Marcos. Como o Palmeiras.


Parabéns pelo 500 jogos, Marcão! Pena que não chegará aos 1000. Tem nada não. As retinas e os olhos, cheios de água e de grandes lembranças, jamais te esquecerão.


E nós, palmeirenses (mesmo os ateus), rezaremos para que os deuses lá de cima sejam menos egoístas e deixe você ainda mais um tempo conosco envergando a camisa azul com o número 12 às costas. Um ídolo tão modesto que deixa a camisa 1 para seu reserva.


Tem como não gostar de um Deus como esse?