Arthur Schopenhauer não morreu. Sua obra continua imortal e não merecia virar nome de um blog ridículo. Mas o que se esperar de um fã dele que passa os dias ouvindo Sex Pistols e Village People?
"O Valdivia se machuca demais. Se somar o número de jogos que ele e o Lincoln disputaram não chega a 40 dos nossos últimos 60. Eles estão saindo muito caro. E quando o Valdivia se recuperar dessa contusão vai embora para o Chile e só volta no fim de julho, depois da Copa América. Foi um péssimo investimento."
(Descendo a lenha no chileno)
"Ter eu não tenho, mas vou ter de me virar. Nem dá vontade de pagar. Ele só quer saber de cair na noite, não está querendo nada. Ainda não deu retorno para o clube. Lembra do Pedrinho? Na época ele chegou a pedir para o Mustafá suspender o seu pagamento, porque só se machucava. No caso do Lincoln, ele também se machuca, mas pelo menos é responsável."
(Sobre o empréstimo gigante para comprar o chileno)
"Ainda não (pagamos). Estamos vendo como vamos fazer. Ele recebe R$ 270 mil por mês e estava um ano parado antes de vir. É mais uma loucura que a diretoria anterior fez."
(Como ganha pouco o Lincoln, não?")
"Estamos tentando. Ele quer encerrar a carreira no Palmeiras e o Felipão gosta muito dele, mas ganha R$ 130 mil e quer R$ 250 mil. Nenhum time vai pagar isso para ele. Vamos ver o que dá para fazer. Acho que ele fica."
(O porquê da não-renovação de Marcos Assunção)
"Nenhum jogador gosta de técnico que fica puxando a orelha deles. Eu me reuni com os jogadores e falei que o Felipe tinha idade para ser o pai deles e eles tinham de respeitá-lo. Acontece que jogador acha que entende mais do que o técnico. E o problema do Felipão é que às vezes ele se desequilibra. Você conversa com o Mano Menezes e ele é calmo o tempo todo."
(Nem Felipão escapou)
"Ele foi muito puro em alguns momentos, e futebol não é para amador. Futebol tem muita disputa, dinheiro e vaidade envolvidos. Não dá para confiar em ninguém. E no Palmeiras é pior ainda. Pega os três filmes do Poderoso Chefão e assiste. Aquilo é o dia a dia do Palmeiras."
(Sobre o câncer Belluzzo e como é o dia-a-dia do Palmeiras)
Beberemos para as pessoas que trabalham duro Beberemos para os que nascem em pobreza Levante sua taça para o bem e o maligno Beberemos para o sal da terra
Ore para o soldado raso Guarde uma lembrança para seu trabalhoso ofício Ore para sua mulher e seus filhos Que acendem as fogueiras e ficam lá até apagar
E quando eu busco uma multidão sem rostos Uma multidão vertiginosa de cinza e preta e branca Eles não parecem reais para mim Na verdade, aparentam tão estranhos
Levante sua taça para as pessoas que trabalham duro Beberemos para as cabeças incontáveis Pensaremos nos milhões de andarilhos Que precisam de líderes mas recebem jogadores no lugar
Pense um pouco no eleitor que fica em casa Seus olhos vazios observam uma beleza estranha E um desfile de pessoas subornadas trajadas de cinza Uma escolha de câncer ou poliomielite
E quando eu procuro uma multidão sem rostos Uma multidão vertiginosa de cinza e preta e branca Eles não parecem reais para mim Na verdade, eles aparentam tão estranhos
Beberemos para as pessoas que trabalham duro Beberemos para os que nascem em pobreza Pense um pouco nas pessoas que vivem aos trapos Beberemos para o sal da terra
Beberemos para as pessoas que trabalham duro Beberemos para o sal da terra Pensaremos nos duzentos milhões de pessoas Pensaremos nos humildes de nascimento
Vamos beber mais Para o Sal da Terra Vamos beber mais Para o Sal da Terra...
Ainda vou ouvir novamente, mas a primeira audição do último disco de Buddy Guy (Living Proof, lançado em 2010), um dos maiores guitarristas de blues da história, é decepcionante.
Buddy tem uma história imensa e foi idolatrado por Jimi Hendrix, Eric Clapton, John Mayall, além de ter gravado discos como Muddy Waters, Memphis Slim, Magic Sam, Otis Rush, Junior Wells, etc... Ou seja, falar de sua importância e competência é chover no molhado.
Tecnicamente está tudo lá. Mas, não se engane: o disco é de blues sim, mas blues de branco. E qual é a diferença? Primeiro, o volume: o som está gordo, bonito, explodindo nos alto falantes. Mas aí entram aqueles solos longos, cheios de distorções e com uma altura que ficaria bem em um disco de Steve Ray Vaughan. Tudo soa limpo, perfeito e, em vários momentos, frio.
Buddy sempre foi um extraordinário guitarrista, mas o álbum soa como aquele que é feito pensado para ganhar um Grammy - e ganhou - e render alguns trocados a mais para quem já está com 74 anos e passou muitos anos no ostracismo.
Nada contra assegurar os últimos anos de vida com dignidade - oxalá eu possa fazer isso! - mas alguns arranjos são tão poucos sutis, alguns solos tão bem desenhados e recortados que me lembram alguns discos de blues feitos nos anos 80 e que me deixava com o cabelo em pé, especialmente um de estúdio de B. B King acompanhando de uma drum machine(no caso, King of the Blues: 1989).
Sei que os neófitos e moderninhos vão achá-lo do cacete. Sei que vão derramar lágrimas no dueto com o próprio B.B. em "Stay Around A Little Longer". Sei que vão também elogiar a presença de Carlos Santana em "Where the Blues Begin".
É uma baita sacanagem falar mal do disco, mas tive que tirá-lo e colocar rapidamente um de seus antigos. Meus tímpanos doíam, os arranjos não desciam nem com uma cerveja gelada. Os arranjos saídos do arsenal de teclados de Reese Wynans, por exemplo, são óbvios demais.
A produção do baterista e co-autor em várias faixas, Tom Hambridge, é competente, mas tem a mão pesada em muitos momentos. É um blues duro muitas vezes, de pouco suingue, boogie e sutilezas, marcas de Buddy. Vai vender bem e ele merece cada centavo que puder arrecadar e vou até tentar uma nova audição.
Que Buddy Guy me desculpe, ainda que nem saiba da minha inexpressiva existência.