sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

1988

Droga, eu vou fazer 40 anos! 40! Há 20 anos eu estava saindo de casa pela primeira vez, quando completava 19 anos. Fui morar em São Paulo numa kitnet de 6,5m x 2,7m com meu melhor amigo.

Foi uma experiência única que custou quase nossa amizade. Ficamos sem nos falar por dois anos, magoados com as brigas. Em uma delas, o peguei pelo pescoço e pus metade do corpo dele para fora do nosso apartamento, ameaçando jogá-lo. Ouvi os vizinhos berrando "olha, o gordo vai matar o branquela, o gordo vai matar o branquela!". Não tinha mesmo como a amizade sobreviver depois disso.

Mas, uma das experiências mais incríveis que tenho foram os discos importados que comprei em uma loja onde fui freguês e balconista, mesmo sem ganhar um centavo e sem meu pai saber, porque estava na capital para estudar.

Bom, entre os discos - vários EPs, singles, coisas importadas - adquiri o EP Love's Easy Tears, de 1988, do Cocteau Twins. E, no lado B, há uma canção que virou uma das trilhas-sonoras daquele mágico ano de minha vida: "Sigh's Smell of Farewell".

Não há como ouvi-la sem ser transportado ao passado de dias incríveis, brigas inesquecíveis e noites como DJs em festas góticas, na Penha.

Ah, os 19 anos que não voltam... Ainda bem!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Canção natalina

Jagger & Richards e Santa Claus... tudo a ver!


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Incoerência minha

Taí no alto, escrito por mim mesmo: "Mas o que se esperar de um fã dele que passa os dias ouvindo Sex Pistols e Village People?"

E acabei reparando que nunca tinha colocado nada dos Pistols. Sendo assim...


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lo-lo-lo-lo- Lola

Leia tradução abaixo...



Eu a conheci em um clube lá no velho Soho
Onde você bebe champagne
E ele tem gosto igual a cherry-cola
C-O-L-A, cola
Ela se aproximou de mim e me pediu pra dançar
Eu perguntei o seu nome
Uma voz marrom-escuro disse "Lola"
L-O-L-A, Lola Lo-lo-lo-lo- Lola

Bem, eu não sou o cara
com mais físico do mundo
Mas quando ela me abraçou apertado
Quase quebrou minha coluna
Oh minha Lola Lo-lo-lo-lo- Lola
Bem, eu não sou burro mas não consigo entender
Porque ela anda como mulher e fala como homem
Oh minha Lola Lo-lo-lo-lo- Lola Lo-lo-lo-lo- Lola

Bem, eu bebo champagne e danço a noite toda
Debaixo de luz de velas elétricas
Ela me levantou e me sentou no seu joelho
E me disse "querido menino,
você vem pra casa comigo"
Bem, eu não sou o cara com mais paixão do mundo
Mas quando eu olhei em seus olhos
Bem, eu quase me apaixonei pela minha Lola
Lo-lo-lo-lo- Lola Lo-lo-lo-lo- Lola
Lola Lo-lo-lo-lo- Lola Lo-lo-lo-lo- Lola

Eu lhe afastei
Caminhei até a porta
Caí no chão
Fiquei de joelhos
Então a olhei e ela me disse
"É bem assim que eu quero que fique"
E eu quero que sempre
permaneça assim para minha Lola
Lo-lo-lo-lo- Lola
Meninas serão meninos e meninos serão meninas
É um mundo misturado, enlameado e maluco
Exceto para Lola Lo-lo-lo-lo- Lola

Bem, eu deixei minha casa semana passada
E nunca beijei uma mulher antes
Mas Lola sorriu e me tomou pela mão
E ela me disse querido menino,
eu vou te fazer um homem

Bem, eu não sou o cara mais másculo do mundo
Mas eu sei o que sou
e estou feliz por ser um homem
E Lola também
Lo-lo-lo-lo- Lola Lo-lo-lo-lo- Lola
Lola Lo-lo-lo-lo- Lola Lo-lo-lo-lo- Lola

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pátria Amada

Pátria Amada
De quem você é afinal?
É do povo nas ruas
ou do Congresso Nacional?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Obrigado!

O ano ainda não acabou, mas o profissional para mim se encerrou ontem. E sou um felizardo por poder assistir um filme antes do trampo - O Homem que Sabia Demais - e dois depois - Um Dia a Casa Cai e O Iluminado.

Sou felizardo porque tenho amigos, igual ao Menon, que me ajudou tanto, mas imagino que não queira que eu diga o quanto com medo do fisco. Menon é o melhor patrão do mundo e mereceu um título de consolação neste domingo.

E, também, mereço eu: fui passear com a esposa, fiz umas comprinhas, comi um pastel de 30 cm de calabreza, azeitona e queijo, tomei dois chopps e ainda assisti as películas ao lado dela.

Sou feliz, mesmo em um ano difícil. Feliz de ter visto que meus 39 anos estão sendo úteis, que a maturidade vai chegando cada vez mais, que os planos nunca colocados em prática começam a virar realidade etc...

Mas sou ainda mais feliz por ter gente que me apóia, ainda que longe. Menon, Cesarotti representam um universo não muito grande, mas consistente. E, aqui, conto com o inestimável apoio da Naiacy.

Por isso, não me incomodo com a felicidade momentânea do chefe. Ele merece. Afinal, eu o aporrinhei 12 meses em 2008, 7 dias por semana e ligando à cobrar...

E enquanto ele tentava se acalmar, eu me dividia entre um beijo na patroa, uma mordida num pastel suculento e um chopp gelado.

E, para provar como estou feliz, deixo um som inesquescível...

Bom, 2009!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Mandamentos

Estes são os 10 mandamentos para trabalhar bem, segundo o sábio chinês CHIM PAN ZE:

01) Há 2 palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre.
02) Se você não é parte da solução, é parte do problema.
03) Se procura uma mão disposta a te ajudar, vai encontrá-la no final do teu braço.
04) Quem sabe, sabe. Quem não sabe, é chefe.
05) Na verdade, o importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe.
06) Ter a consciência limpa é ter a memória fraca.
07) Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque já descobriu em quem colocar a culpa.
08) Uma tarefa fácil se torna difícil se é você quem tem que fazer.
09) Você não é um completo inútil: ao menos serve de mau exemplo.
10) Trabalhar nunca matou ninguém, mas...... por que se arriscar?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Saudades da utopia...

Entre aguentar os politicamente corretos e ficar quieto ouvindo música vendo os mesmos filmes em DVD e lendo, opto pela segunda, sem sustos.

Eu não sei muito bem qual será o destino do planeta, mas arrisco a dizer que não durará mais de 100 anos. E não me refiro aos problemas climáticos, mas aos problemas com os homens. O mundo virou uma imensa selva, onde a ética e o respeito já não contam.

A equação ainda se torna mais complexa ao vermos duas gerações de brasileiros destruída por uma péssima educação, ausência de leitura e excesso de televisão pausterizada. Não, não há salvação. É triste ver as pessoas baterem palmas para situações grotescas.

Costumo acessar alguns blogs amigos que recomendam outros blogs; a maioria do que indicam é lixo puro, não consigo fazer uma segunda visita. Gente de opinião vazia ou cheia de revolta dos "riquinhos dos Jardins" com reclamações esdrúxulas e correntes... ah, as correntes: "salvem as baleias!", "salvem SC!", salvem sei-lá-o-quê.

E ninguém fala em salvar a educação, em ajudar os moradores de rua, a dar um futuro às crianças, a se construir algumas utopias, algo tão necessário para crescimento não apenas do ser humano, mas de uma nação.

Sem utopias só restam as trevas e os programas de plástico. Mas o plástico é bom porque dura milhares de anos para se decompor, enquanto as utopias duram 15 minutos ou até a primeira bronca do chefe por ter faltado ontem.

E há quem jure ser feliz desse jeito, que tudo é uma questão de "sinergia" e de "pensamento positivo". Definitivamente, as trevas, cara.... Porque isso não é ser feliz, jamais.

Para saber o que é felicidade... bem, aí, é só voltar ao passado e buscar a fonte e cantar bem alto:

Balada do Louco
(Arnaldo Baptista / Rita Lee)

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Santa Catarina e o esquecido Nordeste

Definitivamente, em 2008, a televisão brasileira se esbaldou. Esse foi o ano das desgraças nacionais: Isabela Nardoni, Santo André e, agora, Santa Catarina.

É curioso como as emissoras brasileiras estão todas padronizadas e engessadas. Veja o seguinte exemplo: no domingo, o Fantástico fez uma matéria sobre a nova lei dos "call centers".

Na segunda e na terça, todas as emissoras - inclusive a TV Brasil - repetiram a matéria, ligando para as empresas mais problemáticas e tentando falar, além de colocar especialistas da área.

A impressão que fico é que há uma grande editoria nacional e que ela manda pauta para todas as televisões, rádios e jornais. Ninguém mais pensa, usa o cérebro, busca uma alternativa ao telespectador.

Santa Catarina é exemplar. Estado bonito, rico, com grande taxa de escolaridade e desenvolvimento sofreu uma tragédia anunciada há tempos, desprezada pelo descaso dos nossos políticos. Fico revoltado ao ver as pessoas perderem tudo por incompetência dessa classe. Não sei o que pode ser feito, mas acho que os governos - municipais, estadual e federal - têm a obrigação de reconstruir casas e restabelecer a vida das pessoas. É o mínimo.

Mas, essa tragédia me fez ver um lado que pouca gente se lembra. O Brasil inteiro está mobilizado pela tragédia, o que é exemplar. Mas, por que, raios, ninguém nunca fez isso com o semi-árido nordestino, onde diariamente centenas de pessoas morrem de fome, de sede e de doenças? Por que ninguém se importa com a região mais pobre do Brasil? Por que não há uma mobilização desse porte?

Durante as imagens de SC, a televisão parou por alguns segundos em cima de um pai e de uma menina, de uns 5 ou 6 anos. A menina, assim como o pai, era loira, de olhos claros, linda mesmo. Vi pessoas dizendo "olha que menininha linda, ela não merece isso", como se o simples fato de ter uma bela herança genética fosse motivo para não sofrer.

Ninguém deve sofrer nessas proporções, que fique bem claro. Mas será que o fato de ser um "povo feio, de cabeça chata" é motivo para que o nordestino sofra tanto e seja tão desprezado pelo resto do país?

Fico irritado ao ver as grandes emissoras juntando artistas e seus empregados e querendo vender a imagem de serem "empresas com grande responsabilidade social, preocupadas com o desenvolvimento do país". É verdade, a programação dos canais abertos transborda cultura, inteligência e bom gosto. Uma grande hipocrisia esse país.

E tome Faustão e Igreja Universal na sua casa, sem parar!

Volto a repetir que não sou contra ajudar os catarinenses, de forma alguma, mas as chuvas castigaram o Espírito Santo, Minas Gerais, parte da Bahia. O foco, porém está todo em SC. Toda ajuda está indo somente pra lá. Por que?

Além disso, está se iniciando o período de chuvas no Nordeste, o "inverno", e vai cair muita água, principalmente no interior do Maranhão, onde morrem milhares de pessoas todos os anos com as enchentes.

Quero só ver se Globo, Record farão algo nesse sentido. Quero só ver se a "editoria nacional" lembrará de socorrer os "miseráveis, feios e sofridos nordestinos".

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A música e o silêncio

Música sempre me deixa quieto e atento. Ouvir Bill Evans (post abaixo) sempre me faz pensar na vida. Vida curta, difícil, mas se doou ao público tocando notas apaixonadas e pondo sua alma nas teclas. Pobres mortais que não entendem isso e não apreciam, o que é bem pior.

As pessoas alegam que não têm tempo para mandar emails pessoais, para conversar, ler, ouvir música que "a vida taí, é a maior ralação, meu!". Tá.

Eu sempre fiz tudo isso, jamais fugi da vida e ainda aprecio a música, o silêncio das primeiras horas, a solidão, a quietude.

Gente com medo de ficar só, medo de passar horas sem ninguém, gente com necessidade de agitar, de baladas. Gente que ocupa o tempo só para tentar encobrir o silêncio.

Que mundo triste.

Cale a boca e ouça

Shhhhh!!!!!


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Como é?

"'(o ambiente) Melhorou bastante depois das duas derrotas (contra Grêmio e Flamengo), não foram derrotas normais, a gente deixou escapar, ficamos abatidos, mas podem ter certeza que melhorou bastante. Mas ainda tem essa preocupação com a Libertadores', lembrou o meia Evandro."

Quer dizer que o ambiente melhora após sofrer duas derrotas? Gozado, não era assim nos anos 80 e 90... Ah, nada como a modernidade...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

É fácil?

Dizem que a vida faz sentido. Hum... Sei não... Vejo a tv, leio as notícias e pergunto onde está o tal sentido.

O mundo é um imenso galpão nazi-fascista e as pessoas ainda gostam, batem palmas e pedem mais. E o irônico é que sou ridicularizado por ouvir música "maluca", gente como Arnaldo Baptista, Syd Barrett... pois é.

Ao final, do dia só resta ver o rosto de minha amada e pronunciar sábias palavras do melhor "loki" tupiniquim...

Eu me amo
Como eu amo você
É fácil
É fácil

Fácil?

sábado, 22 de novembro de 2008

Herói da Classe Trabalhadora

Working Class Hero
(John Lennon)



Assim que você nasce eles te fazem se sentir pequeno
Ao não te dar tempo ao invés de todo
Até que a dor é tão grande que você não sente mais nada
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

Eles te magoam em casa
E te batem na escola
Eles te odeiam se é esperto
E desprezam um tolo
Até que você fique tão fudido e maluco
e que não consiga seguir as regras deles
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

Após te torturarem
E te assustarem por vinte bizarros anos
Então esperam que você escolha uma carreira
Até que você não consegue mais funcionar
pois está cheio de medo
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

Te mantém drogado com religião e sexo e TV
E você pensa que é tão astuto, sem classe e livre
Mas você continua apenas um pedinte fudido
Pelo que eu vejo
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

Há lugar no topo, eles continuam a te dizer
Porém, primeiro você precisa aprender a sorrir enquanto mata
Se você quer ser como o povo do alto da montanha
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

Se quiser ser um herói basta me seguir
Se quiser ser um herói basta me seguir

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Instant Karma!

Cante John, cante! (tradução abaixo)




O Karma imediato vai te pegar
Vai te bater bem na cabeça
É melhor você ficar atento
Brevemente você estará morto

Em que você está pensando

ao rir na cara do amor
O que você está tentando fazer aqui na Terra
Está nas suas mãos, sim nas suas

O Karma imediato vai te pegar
Vai te olhar bem na cara
Querido, é melhor você ficar atento
Una-se à raça humana

Como você vê o mundo

rindo de bobos, como eu
Quem, diabos, pensa que é?
Um super star?
Bem, realmente você é!

Bem todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol
Bem todos nós brilhamos
Todo mundo, vamos lá!

O Karma imediato vai te pegar
Vai arrancar seus pés
É melhor reconhecer seus irmãos
Todos que você encontrar
Por que estamos nesse mundo?
Certamente não para viver com dor e medo
Por que voce está nesta Terra?
Quando você está em todo lugar
Venha e pegue sua parte

Bem todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol
Sim todos nós brilhamos
Sem parar, sem parar e sem parar

Bem todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol
Sim todos nós brilhamos
Sem parar e sem parar

Bem todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol
Bem todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol
Bem todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol
Sim todos nós brilhamos
Como a lua e as estrelas e o sol

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"Ética é para filósofos"

Tenho asco por Eurico Miranda, mas não posso negar que a frase acima, dita por ele, é exemplar. No "mundo moderno" a ética não é mais atropelada; há décadas foi destruída por betoneiras, bombas e esmagada por caminhões. Ela não está em estado de coma em algum canto; simplesmente não está mais. Deu pra entender?

E nenhum lugar é mais propício do que o futebol pra discutirmos isso.

Há dias tento digerir - como se fosse possível - o episódio Luxemburgo e Globo.

Mais calmo - nem um pouco, aliás - quero destacar alguns pontos da questão:

O Palmeiras é um time com mais de 90 anos de história. Uma equipe que já disputou 4 finais de Libertadores, 1 Mundial Interclubes e outros títulos fora do Brasil. Uma agremiação respeitada por sua história e craques.

Não é um time de esquina. Mas querem que seja. Mas não é.

Após perder pro Argentino Jrs em casa - se foi roubado ou não é outra história - o sempre "ético e profissional" Vanderlei Luxemburgo desce a lenha na competição e disse que o time iria com "12 ou 13 jogadores" para a partida de volta, em Buenos Aires.

Pausa.

1) Sendo uma equipe profissional e com história e grande, jamais um treinador poderia adotar tal postura. Uma equipe grande precisa SEMPRE honrar sua história e SEMPRE entrar em campo de maneira séria e digna. Não são apenas 90 minutos ou a continuação de uma competição. SÃO 94 ANOS DE HISTÓRIAS DA SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS. E ponto.

2) Ao dizer isso, fiquei assustado que nenhum dirigente tenha sido contrário ao determinado pelo "ético e profissional". Deveriam usar o argumento acima.

3) Não satisfeito, o "ético e profissional" fica em São Paulo para "focar no Campeonato Brasileiro". E, covarde, manda seu auxiliar para aguentar o rojão.

4) Não sendo suficiente, o "ético e profissional" ainda vai comentar o jogo na Rede Globo, que quer derrubar o Dunga da Seleção. E todos sabem o quanto o "ético e profissional" sonha com o posto!

5) E, ao invés de ir pra Argentina e dar a cara para bater, o "ético e profissional" começa a falar mal do time e critica as mexidas de seu auxiliar, com quem falava via celular!

Por favor, alguém me explique isso! E o pior é que a diretoria, pega de surpresa pelo acontecido, não fez nada, absolutamente nada contra ele. Só engole o sapo, calada, como marido traído. E nossa imprensa covarde e passiva, fugiu da questão, e quando perguntava era quase em tom de desculpa.

Ora bolas, imaginem se o Muricy ou o Mano tomassem tal atitude no São Paulo ou no Corinthians? Aliás, duvido que fariam isso. E podem apostar: estariam na rua no dia seguinte. E de forma justíssima!

Então, você contrata um "ético e profissional", que comanda (ao invés de ser comandado) dirigentes covardes, bananas, omissos, burros e veja o que dá.

Se o time não quer jogar a Sul-Americana porque não assume tal posição e avisa a entidade que não o disputará? Por medo de punição? Quer apostar que é porque ainda querem validar o absurdo título mundial de 1951 e contam com o "suposto" apoio dela, que jamais meterá o dedo nessa ferida?

Quando o Palmeiras deixará de ser piada nas manchetes? Por que esses senhores não lêem a história do clube e deixem a administração para alguém mais sério? E se não tiver ninguém, podem me chamar, que ainda levo gente igualmente séria e palmeirense, como eu.

E ÉTICA E PROFISSIONAL. E SEM ASPAS!


HELP!!!!


domingo, 16 de novembro de 2008

Futebol

Há muito tempo que o futebol deixou de ser parte vital da minha vida. Não é por causa da má fase do Palmeiras, não, mas por vários motivos. Hoje, só acompanho porque paga minhas contas, mas desligo o rádio e a tv com o apito do juiz, independente do resultado. E, principalmente, em dias como hoje.

Eu não suporto mais ver jogadores com salários de gênios e comportamentos de nenês. Não suporto mais ver zagueiros com barbinha desenhada e cabelinho a "la rebelde".

Imagine o Gustavo fazendo cara de mau prum Serginho Chulapa ou um César Maluco. Sabe o que aconteceria? Eles passariam o primeiro tempo sem tocar na bola, só rindo, e após a bronca do treinador no intervalo, meteriam um cotovelaço nesse bostinha, o jogariam na arquibancada e fariam uns três gols.

"Futebol é coisa pra macho, moleque, corta esse topete, seu fresco!"

E eu fecho com eles 1000%.

Agora, imagine um daqueles antigos beques partindo para cima do Lenny dizendo "eu vou te comer moleque, vou te rasgar no meio!". O emo sairia em lágrimas e se esconderia no seu flat na Barra, aos prantos.

Eu gosto de jogador com cara de jogador, técnico com postura de técnico. Pagar 500 mil pro Lixomburgo? Mas onde estamos?

Feito esse prelúdio, me pergunto:

1) o Palmeiras não tem UM zagueiro decente. Por que, raios, jogamos com três, todos amebas?

2) Como uma equipe que investe 40 milhões pode ter um banco com Maicosuel, Evandro, Lenny, Preá?

3) Aliás, é assim que o César Sampaio, o eterno "capitão" ama o Palmeiras? Indicando o matador Jorge Preá?

4) Como um time pode querer virar o jogo colocando Evandro e Maicosuel?

5) Como o Élder Granja pode ser banco do Fabinho Capixaba?

6) Até quando teremos uma diretoria omissa, fraca e que se escora num treinador pra decidir seu futuro?

7) Por que o Palmeiras não produz mais diretores e presidentes com honra e personalidade pra dirigir a equipe?

8) E agora Della Bosta, ainda quer mais 11 meses de mandato?

9) Qual o plano B agora que a Libertadores parece ir pelo ralo? A Traffic fará outros investimentos? Se fizer, ficarão quanto tempo?

10) Por que não assumem que fizeram uma estupidez em contratar um treinador arrogante, decadente, safado, malandro e prepotente?

11) Por que não enxergam que ele escalou mal e mexeu pior ainda o campeonato todo? Até quando iremos culpar a arbitragem?

12) Roque Júnior, segundo o Cesarotti é o novo Cruyff, pois joga o futebol total: corre o campo todo e está em todos os cantos. Falta saber fazendo o quê...

13) Denílson "arma secreta"... Deu no que deu.

14) Duas derrotas seguidas, para times dirigidos para Celso Roth e Caio Jr. Alguém ressucite o Vicente Arenari, por favor.

15) Voltem Darinta, Alexandre Rosa e Júnior Tuchê! Um 3-5-2 com vocês lá atrás me daria menos desespero.

E, POR FAVOR, GLOBO OU CBF: LEVEM O "ÉTICO E PROFISSIONAL" (E DONO DE DESMANCHES DE CARRO) DE VOLTA PRO RIO. TODOS VOCÊS SE MERECEM. E NÃO O MANDE DE VOLTA PRA NÓS, OK????

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Anda procurando o fogo?

Pois acabou de achá-lo!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Casal burro

Além de duros, eu e a Naiacy somos masoquistas: adoramos entrar em livrarias sem um puto no bolso, só pra babar.

Ontem, enquanto olhávamos os livros, comecei a ver os ridículos títulos dessas porras de auto-ajuda. E um deles foi inesquecível: Casais Inteligentes enriquecem juntos.

Na hora que vi essa "pérola", chamei a Naiá e tasquei:

- Amore, a gente deve ser burro demais!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tour de France

Só de olhar o vídeo, já cansei. Sedentarismo é foda...

Faces

É tão fácil ser piegas, cafona e sentimental. É tão fácil dizer que as dores do mundo me pertencem - exceto as do parto.

Seria tão fácil pedir que me esquecessem, que me deixem com minha tristeza e partam, mas "não vão muito longe, pois não quero ficar tão só e, afinal, preciso saber que alguém se importa comigo e também que fique me pedindo 'não sofra mais'".

Todo sofredor gosta de uma audiência.

Que coisa mais nojenta.

Assim, fica-se com a loucura pessoal, muitas vezes periférica, outras vezes profunda, mas quase nunca entendida. O mundo está doente e o culpado sou eu? Ou o mundo será culpado da minha doença?

Nenhuma das duas. Talvez uma combinação delas.

Este é o final da sua glória
Espero que fique além da memória
Anjos procurando se esconder

Caídos no abismo, tentam se recolher

O vento sopra e você pergunta

O que pode acontecer
As nuvens fogem e o céu em luta
Você tenta se esconder


Ah, foda-se!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Syd Barrett, em cinco partes

http://www.youtube.com/watch?v=ea5whDFnV-o
http://www.youtube.com/watch?v=RXZrUp4UnEo
http://www.youtube.com/watch?v=U9yYIMgp8xY
http://www.youtube.com/watch?v=ZGtN9P8Vyro
http://www.youtube.com/watch?v=sU5YJMJz7kA

domingo, 9 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Avarias

Só aúdio...

sábado, 1 de novembro de 2008

Imagem Pública

"Você nunca ouviu uma palavra que eu disse
Você só presta atenção nas roupas que visto
Ou quando o interesse é mais profundo
É sobre a cor do meu cabelo"

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A filosofia do futebol

Em tempos de Maradona, auto-ajuda barata, ternos, gravatas e que tais...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ah, essas rádios brasileiras...

As merdas que somos obrigados a aguentar...

Ouvir Portuguesa x Ipatinga via rádio é dose, até porque só há uma opção: a Rádio Lusa no site do time.

Seria cômico, não tivesse que supportar comentaristas, narradores e repórteres imbecis.

Um exemplo típico é a "brincadeira" com o meia Pablo Escobar, do time mineiro...

Pergunta o narrador: "Como é a carreira de Pablo Escobar?"

Responde o comentarista: "comprida e branca".

E eu, tendo que ouvir essa merda...

Trilha-sonora do dia

Uma bela música para tirar a poeira do blog...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um time que eu gostaria de treinar...

Marcos

Gerets (foto)
Luís Pereira
Mathias Sammer
Roberto Carlos

Redondo
Mathaus
Gullit
Roberto Baggio

Rivaldo
Careca

Explico:

1) Marcos: preciso mesmo explicar????

2) Gerets: o belga me chamou a atenção na Copa de 1982. De curiosidade, um dia entrei no RSSSF e pus o nome dele e descobri que entre vários jornalistas europeus era o preferido para a lateral-direita de todos os tempos na Europa. Aliás, o time da Bélgica de 1982 foi meu favorito daquele mundial, com ele, Pfaff, Ceulemans, Van der Elst... E meu voto tá bem endossado.

3) Luís Pereira: preciso mesmo explicar????

4) Mathias Sammer: Sammer foi o único jogador a sair da Alemanha Oriental a virar titular absoluto da Alemanha reunificada. Tinha seus momentos de violência, como todo germânico, mas também tinha uma classe fenomenal, um belo toque de bola e um chute potente. Depois de Baresi, o melhor líbero dos anos 90.

6) Roberto Carlos: neguinho adorar odiar o RC. Eu adoro o RC, com exceção ao penal perdido na final do Paulista, de 1995. Mas é tão ruim que foi titular do Palmeiras, do Real por 11 anos e da seleção por outros 11. Em suma, um "perna-de-pau".


8) Matthäus: sempre gostei do estilo dele e nunca mais esqueci uma partida especial, na temporada 92/93, pela Bundesliga. Havia voltado da Inter após o seqüestro de sua família e sob um mar de dúvidas.

A desconfiança era tanta que usava a camisa 3 e não a 10, como sempre fizera e que era de Olaf Thon. Lothar começou mal, foi para a reserva, mas em uma partida contra um time que não me lembro, acabou com a desconfiança.

Jogou demais como líbero e fez dois gols na vitória de 3x2, sendo um deles, genial: após um escanteio batido para ele, na meia-lua (isso mesmo!) pegou de sem-pulo, e meteu no ângulo direito, sem chances. Pena que só se lembram pela passagem pífia pelo Furacão.

10) Gullit: o holandês foi um dos uns caras que queria ter tido no meu time. Segundo Antônio Carlos, ex-zagueiro, quase foi pro Palmeiras, em 1995, quando vivia um período de baixa no Milan. Acabou indo pro Chelsea. Me lembro dele, com a camisa 4 da Sampdoria, na temporada 93/94. Vinha de cirurgia, mal, o Milan o emprestou. Pois acabou com seu ex-time num 3x2, com dois gols. Era meia, atacante, volante etc... Completo.

5) Fernando Redondo: deveria entrar o Falcão, mas o argentino jogou demais. Tinha técnica, jogava de cabeça erguida e fez um drible mais antológicos jogando pelo Real, na ponta-esquerda, tocando de calcanhar. Um monstro.

7) Roberto Baggio: o "homem do tetra" foi um jogador fino, inteligente, cerebral e que poderia ter sido ainda maior não fosse obrigado a jogar como segundo atacante na Itália, ou até mesmo como único homem de frente com aqueles treinadores tranqueiras.

Tivesse nascido brasileiro, estaria ao lado de Rivellino, Ademir da Guia... Além disso, é budista.

9) Careca: Romário é mais incisivo dentro da área, mas Careca foi mais completo: mais rápido, caía pelos lados, mais solidário, inteligente, mortal e o maior parceiro de Maradona, segundo o próprio e cansou de fazer gols no meu Palmeiras, até em sua despedida, jogando pelo Santos! Acha pouco?

11) Rivaldo: por que o Brasil odeia o Rivaldo? só por que não fazia oba-oba para a mídia carioca?

Que saudades dele no meu Palmeiras com a camisa 11 ou até mesmo a 10 com aquela canhota mágica. Que covardia contra Gralak, Branco ou jogando ao lado de Evair, Edmundo, Djalminha, Müller, Zinho... e hoje tenho que agüentar Kléber e Diego Souza!


Escale a sua...

Laguna's soundtrack

E poderia ser outra música????

Menon's soundtrack

Não sei quantos leitores conhecem o Menon, a doce figura com cara de guerrilheiro e que só ataca coxinhas, risoles e atendentes do Pizza Hut.

Menon tem uma paixão - duas, se contar a Márcia Gattai. Não, a segunda não é o Rogério Ceni. Também não é o Passional (amor de irmão não vale nessa hora).

Quer saber o que é? clique...

Cesarotti's soundtrack

Quando o homem fica tenso - coisa tão "rara"... - costuma dormir com essa musiquinha no fone de ouvido, só pra relaxar...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pelo fim do "menos pior"

Quando comecei a votar e não conseguia definir meu voto, ouvia o seguinte conselho: "escolha o menos pior".

Durante anos escutei isso e passei pra frente como aquela brincadeira de cochichar no ouvido de alguém ao seu lado. Mas, peraí: o que é um "menos pior"?

Menos pior é uma definição imbecil de pessoas que não sabem o que falar e resolvem te aconselhar. O que é "menos pior", escolher um estuprador ou um assaltante de banco, por exemplo? Quem é o "menos pior" entre o Papa Bento ou Edir Macedo?

A resposta é simples: não existe menos pior. Se é pior, deve ser descartado, ou você vai escolher entre um câncer no cérebro ou no fígado?

Mas o "menos pior" é o que temos na nossa política. Quem será o sucessor de Lula? O PT vive de uma pessoa, o presidente. Se ele morrer, adeus PT.

No futebol há uma máxima que diz "passam os craques, mas o clube fica". Pois se o Lula morrer, o PT vai junto.

Lula não é PT, é um fenômeno mundial. Um homem de carisma quase inigualável, hoje em dia, mas que comete pecados demais, como enfiar dinheiro no rabo do Nuzman ou apoiar a CBF na absurda Copa de 2014.

O PT sabe que não tem uma pessoa com 0,1% do carisma e da inteligência dele para sucedê-lo. Dilma presidente? Vai ser um trabalho de mágico para elegê-la, embora não tenhamos um grande rival para ela.

Mas eu não quero mais "menos pior". Nunca fui fiel ideologicamente, minha plataforma é "se for bom, feito por pessoas sérias e compromissadas, eu voto". Mas se for com pessoas meia boca e com o discurso o que "não der pra ser feito a gente adapta", pulo fora. Basta de jeitinho brasileiro.

Como "eleitor exilado", pois nunca transferi meu título, não tenho a menor idéia de quem votaria se fosse obrigado, no domingo. Só vejo o "muito ruim" e "o não tão ruim assim". Nada de um "ótimo candidato" ou mesmo um "bom".

E o mundo caminha a passos largos pro penhasco. Mas podia ser pior: podíamos estar indo de Ferrari, pilotada pelo Rubinho. Menos pior que seja com nosso pés mesmo.

Menos pior????

Cansei

Ah, sim.

Não ando falando muito de futebol, pois ando de sacho cheio desse meio, mas fiquei envergonhado com a atitude dos jogadores palmeirenses, ontem, contra o Argentino Jrs.

Ando irritado com esse monte de menininhos ganhando salários astronômicos e jamais tendo atitudes de homens. Cansei de ver ralé do nível de um Diego Souza, Léo Lima, Kléber e outros emporcalhando a história de um time tão glorioso.

Tô cansado de ver presidentes como Della Monica, gente omissa como essa diretoria, que permite virada de mesa do mandatário, que contrata Luxemburgo, que fode nossas finanças, que faz negociatas etc etc...

Mas, nada, nada mais me irrita do que ver um bando de moleques, bandidos e imbecis usando uma camisa que já foi de Ademir da Guia, de Luís Pereira, de Waldemar Fiúme, de Julinho, de Evair, de César etc... E ainda são aplaudidos por uma torcida animalesca e ainda mais estúpida

Se esse é o clube do Século XXI, eu quero os anos 80 de volta. A gente era ridicularizado, ficava na fila, mas via um montes de pernas-de-pau dando sangue em campo, mostrando raça e dignidade.

Ah, sim (II): pode-se até voltar aos anos 80 (se for possível), mas sem o Toninho Cecílio. Esse aí, é favor se ficar preso em alguma dimensão perdida no ostracismo eterno, junto com o atual elenco e diretoria.

Bolha

Curioso o mundo: de repente, a Fifa e a Uefa estão "preocupadíssimas" com os clubes ingleses, que estão perto da falência com o estouro da bolha financeira no mundo, com dívidas globais de 11 bilhões de reais.

Para quem não sabe, nos últimos anos, magnatas russos, indianos, árabes, americanos, adquiriram os clubes mais tradicionais daquele país, fizeram deles uma tremenda lavanderia, inflacionaram o mercado com mega-salários e agora, estão colocando os "possíveis" lucros dos próximos anos do times como garantia de pagamento, já que estão quase falidos com a quebra da bolsa.

Examinemos o Chelsea. O pequeno clube londrino era uma espécie de Portuguesa e, de repente, virou o time mais rico do planeta.

Roman Abramovich (foto)
, mega-empresário do aço e do petróleo, na Rússia, injetou perto de 1 bilhão de euros em contratações e duas ou três vezes isso em salários, no mesmo período.

Só que com a queda da bolsa, viu sua fortuna ser dilapidada em mais de 20 bi de euros e teme pela saúde financeira da agremiação.

O mesmo vem acontecendo no Manchester United, Liverpool, West Ham etc...

Ora bolas, por que só agora a preocupação surge? Por que o governo inglês é conivente com tais políticas e jamais investigou com rigor? Por que a Fifa e a Uefa não baixaram normas anos atrás quando isso começou a acontecer?

Naquela época, em que as burras estavam cheias não havia reclamação, mas quando Franz Beckenbauer (foto) disse que era difícil uma equipe alemã competir com o Chelsea em termos de contratações, ninguém o apoiou.

Disse o Kaiser: "demoramos (os clubes alemães) um ano inteiro para termos 30 ou 40 milhões de euros para investirmos em contratações e aí aparece o Sr. Abramovich, joga 100 milhões na mesa, dizendo que o prejuízo operacional de quase 200 mi de euros por ano não o atrapalha. Isso não é correto."

Apenas o que não muda é o final. Quer apostar que os "milionários" apelarão à torcida para que salvem seus clubes?

Enquanto isso, Blatter, Platini continuam "preocupadíssimos". Mas serão os torcedores que passarão a sacolinha para cobrir o rombo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Greve

Já que o mundo não ajuda, aproveito a semana para abaixar filmes. Vou confessar: jamais fui fã de downloads, mas com a falta de dinheiro e a alta do dólar para comprar coisas importadas, só me restou isso enquanto não fico rico.

Aí, aproveito para abaixar filmes de música, que é o mais interessante para mim, ultimamente.

Porque, puta que o pariu, você liga a televisão e só vê "Santo André urgente". O mundo começa e acaba no ABC e ninguém ensinou o abc do jornalismo, ética e da decência para a imprensa. Então, faço greve mesmo e me fixo em outras coisas mais prazeirosas.

O que mais me espanta lendo biografias importadas e vendo esses documentários é a seriedade. No Brasil, além de ser moeda rara, nosso mercado de biografias é praticamente zero.

O livro mais precioso da minha coleção toda, An Ideal for Living, história do Joy Divison, escrito por Mark Johnson, em 1984, e que paguei uns 100 dólares, em 1998, é exemplar.

Ao comentar a morte de Ian Curtis, apenas escreve: "hipóteses sobre tal assunto (o suicídio) não é apenas fútil como invasão de privacidade". E não toca mais no assunto. Uau, imagine se fosse agora!

Ok, Ian Curtis foi um dos temas preferidos dos últimos 30 anos talvez porque tenha sido o primeiro - ou um deles - roqueiro a se suicidar, aos 23 anos.

Existem pilhas de lançamentos póstumos, livros oportunistas - o de sua ex-mulher é o mais famoso e ridículo - e filmes.

Mas Mark Johnson ensinou que, não é preciso revirar a vida de um ídolo, para se fazer uma boa história, ou entreter os fãs colocando o Datena em sua tela "exigindo justiça".

Pena que Mark é uma exceção, da mesma maneira que era Ian.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mundinho

"Todos nós vivemos em nossos pequenos mundinhos. Quando eu tinha 15, 16 anos, na escola, conversava com meus colegas e dizíamos: 'logo que sairmos daqui, iremos até Londres e faremos algo que ninguém está fazendo'.

Nessa época, eu trabalhava em uma fábrica e era realmente feliz porque podia sonhar o dia todo. Tudo que precisava fazer era empurrar um carrinho com peças de algodão, para cima e para baixo. Mas não precisava pensar. Eu podia ficar imaginando o que faria no meu fim de semana, pensando como gastaria meu dinheiro, em qual LP iria comprar.... Você pode viver em seu pequeno mundinho."

Ian Kevin Curtis (1956-1980)

Se todas as segundas fossem assim...

sábado, 18 de outubro de 2008

Face silenciosa

Um dos mais belos momentos dos anos 80...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O pai do Rodrigo Borges

E, reza a lenda, interpretando uma canção de temática homossexual...

Rods, explique-se!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Jornalismo

Durante os anos em que trabalhei no jornalismo - mesmo na Folha de S. Paulo - assinava o Estadão. Não era o melhor jornal do mundo, mas era nota 5 e bem melhor do que aquele esgoto que pagava o meu salário.

Desiludido com a profissão, em vários aspectos, cancelei minha assinatura, em 2000 ou 2001. Foi a melhor coisa que fiz. Desde então, o periódico virou um lixo ainda maior.

Militei na área por oito anos. Não fiquei rico, famoso, não ganhei prêmios, nem tirei diploma de jornalismo, mas fiz alguns bons amigos. E, lamento, sinceramente, ver essas pessoas atoladas num lamaçal igual ao do nosso congresso.

O jornalismo esportivo no Brasil é horroroso, nojento, escrito por gente semi-analfabeta, com formação cultural ridícula e comandado por editores passivos, covardes e que obedecem as secretarias de redação cada vez mais. Não se faz mais jornalismo; hoje é uma assessoria de imprensa escarrada e de péssima qualidade, incluindo aqui os blogs "especializados". Não sobra quase nada.

A semana traz um clássico que passou dos limites da rivalidade e virou ódio: Palmeiras x São Paulo. E o que fazem jogadores, técnicos, torcedores e dirigentes? Jogam gasolina na fogueira. E o que faz a imprensa? Uiva, feito lobo faminto, para ter mais sangue, mais provocação esdrúxula.

Há anos que digo - não sou o único - que lotar redações com jornalistas novos, sem bagagem, com baixos salários e demitindo os mais experientes e com visão crítica, seria a morte do nosso jornalismo.

Nunca mais comprei jornal impresso, pois basta ler as matérias nos sites de jornalismo, quando se acha algo para ler.

Tomo aqui, a liberdade de copiar o comentário que coloquei no blog do Laguna, no post sobre o Choque-Rei:

"Laguna, você sabe que apesar de sermos cordiais rivais e te considerar um ótimo jornalista, cada vez mais me enojo com nossa imprensa esportiva, uma das piores do mundo, junto com a espanhola e inglesa.

Essa lenga-lenga entre jogadores e técnicos do Choque-Rei é explorada por urubus famintos e repórteres novatos e despreparados, que sem saber como buscar a notícia verdadeira, se vende ao barato e escandaloso.

É claro que haverá confrontos entre as torcidas antes, durante e depois do jogo; é claro que haverá expulsões e reclamações contra o árbitro; é óbvio que Rogério Ceni e Kléber serão os mais xingados. A questão é: precisa disso? o mundo já não está suficiente animalizado?

Enfim, torço pela vitória do meu alviverde por 2x0, mas sei que o jogo renderá 10 dias de manchetes pros urubus de plantão. Por essa razão não compro jornais há mais de 10 anos e me orgulho disso.

abração."

Se o jornal reflete nossa sociedade, às vezes sinto uma puta vontade de fazer igual ao personagem do Jô e pedir "me tira o tubo!".

Mas não seria melhor "tirar o tubo" da nossa imprensa????

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mel

Graças à internet, achei um dos filmes mais raros em DVD para se abaixar, A Taste of Honey.

Dirigido em 1961 por Tony Richardson, a peça de Shelagh Delaney - escrita em 1958 - é a favorita de Morrissey, ex-cantor dos Smiths.

É claro que foi por esse motivo que me motivei a comprar o livro e o antigo VHS, importado, sem legenda. Mas não sabia que ia gostar tanto durante esses 20 anos.

A Taste of Honey é um dos filmes chaves da geração Angry Young Men (nesse caso Angry Young Woman, pois Shelagh é mulher), que começou no final dos anos 50, na Inglaterra.

O filme retrata a vida miserável de uma menina de nome Jo, filha de uma prostituta, e que fica grávida de um marinheiro negro, ao mesmo tempo em que sua mãe se manda para casar com um homem mais jovem (Peter).

Abandonada, começa a trabalhar e divide a casa - e sua vida - com um jovem homossexual, Geoffrey.

O texto de Shelagh é curto, com tiradas espirituosas, maldosas, retrata a dureza da vida da classe trabalhadora de Manchester.

O final é triste, duro e fez a fama da atriz Rita Tushingham, que venceu o prêmio de melhor atriz, em Cannes, no ano seguinte, e também da BAFTA. E ainda tive que ouvir de um expert, o dono da 2001 Vídeo, que não conhecia o filme e que, por isso, deveria ser um filme de "segunda classe". "Entendido" o sujeito...


Quem for abaixar, precisar fica esperto, porém, para não achar um pornô de mesmo nome. Veja se o filme traz alguma referência ao ano, diretor, etc para não se enganar.

A Globo chegou a passar esse filme duas vezes, no Domingo Maior, com legendas e tudo, nos anos 80 e 90.

É impossível conseguir o filme em VHS e mais difícil ainda em locadoras. Felizmente o consegui abaixá-lo e converter para DVD. Um ótimo presente pra dias pessoais tão duros.

PS: em mais um exemplo de sincronia, li que o filme foi relançado, em DVD, dois dias atrás, dois dias depois deu baixá-lo.

Jung explica. Talvez.

domingo, 12 de outubro de 2008

Kubica neles!

Nunca vi uma dupla de trapalhões, na F-1, como Lewis Hamilton e Felipe Massa. É lamentável saber que um dos dois deverá ser o novo campeão mundial.

O "novo Senna", como se apadrinha o inglês, é uma besta. Perdeu o título do ano passado sozinho e está repetindo a dose agora. É horrível, afobado, com cara de emo, não tem nervos, só velocidade. Resumindo: um Mansell tostado e piorado.

Já o "amiguinho do alemão" é outra besta: falta aquela centelha que Senna e Piquet carregavam. Quando não erra, a equipe o fode. Você se lembra de Brabham, Williams e McLaren ferrando os nossos campeões? Tirando a lambança de 86, quando a Williams mandou Piquet voltar para trocar pneu, não. Custou o título ao brasileiro e nunca mais ele permitiu que alguém repetisse algo assim.

Já, Kubica, tem um carro bom, mas não ótimo. É bom piloto, mas não fora-de-série.

No entanto, é consistente, vai somando seu pontinhos e vendo pelo espelho as burrices dos dois "campões".

Kubica lembra Prost, em 86, Haikkonen, em 2007 e está comendo pelas beiradas. É o mais regular da temporada. Está longe de ser um Fernando Alonso, o único gênio da categoria, mas em uma temporada com Débi e Lóide à sua frente, pode aprontar.

E quer saber? Tem a minha SOLIDARIEDADE. Acelera, polonês, acelera!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Alguém te chama de Alasca????

Alô, Stephanie?????

Stephanie says that she wants to know
Why she's given half her life, to people she hates now
Stephanie says when answering the phone
What country shall I say is calling from across the world

But she's not afraid to die, the people all call her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind

Stephanie says that she wants to know
Why it is though she's the door She can't be the room

Stephanie says but doesn't hang up the phone
What sea shell she is calling from across the world

But she's not afraid to die, the people all call her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind

They're asking is it good or bad
It's such an icy feeling it's so cold in Alaska,
it's so cold in Alaska, it's so cold in Alaska

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ranheta

Ultimamente ando que nem disco-velho, com uma necessidade imperiosa de ouvir músicas da minha adolescência. Quanto mais penso em comprar coisas que nunca tive, mais me apego aos 'velhos amigos". Curioso, não?

A verdade é que ando muito pouco otimista e não vejo perspectivas positivas. Não sei até que ponto é apenas uma forma de ser largamente conhecida, se é um pouco de depressão ou se o mundo realmente age contra meus neurônios. Aposto numa combinação das três.

Nessas horas só dá vontade de ficar no quarto, fechado, ouvindo música, vendo os mesmos DVDs pela centésima vez e abraçado com quem amo. Poderia também mandar o mundo todo parar por um mês; sem contas pra pagar, sem trabalho pra fazer, só a paz.

Mais uma "velha companheira" para me acompanhar...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Feliz aniversário, amor...















Fosse ela só um nome, já seria muito
Fosse ela só uma mulher, determinada, altiva
ativa, verdadeira, já seria muito
Fosse ela só bonita, com lindos lábios aveludados,
olhar triste, discreto e sorriso encantador
Já seria muito
Muito para mim...

Naiacy é a minha bebezinha,
Minha cambotinha,
Meu sol, minha noite,
Meu norte, meu sul, meu leste, meu oeste,
Meu bom dia, meu boa noite,
E tudo isso,
Ainda é pouco para ela

É ela quem chora, mas não me xinga
Que fica brava, mas me perdoa
Que ri da minhas piadas bobas
Que não perde a ternura jamais

É ela que se diz sentir perdida
Quando perdido estaria eu, sem ela
É a ela que amo,
que é invendável,
inegociável,
e todos os adjetivos aplicáveis ou não nessa hora

É a pessoa que me escolheu
Por isso volto a dizer
Sou o cara mais sortudo do mundo
Pena que ela não possa dizer o mesmo....

Tá difícil

Rodo blogs, comentários em vários sites procurando bons textos de jovens escritores. Entro em alguns endereços, leio e logo desanimo. Pior, paro e penso:

QUANDO MINHA GERAÇÃO PRODUZIRÁ UM ESCRITOR DECENTE????

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A MÚSICA

Sempre fui fã das pequenas canções. São elas que trazem os grandes momentos, as grandes sacadas. E é muito difícil escolher uma canção dentro do catálogo impressionante dos The Smiths, minha banda favorita dos anos 80. Nem me atrevo.

Mas com certeza, "Well I Wonder" é a favorita, ao lado de "Heaven Knows I'm Miserable Now". Foda-se o papo de alma torturada de Morrissey, se ele é homo, bi ou assexuado. O que importa é a melodia, a letra, o clima triste, uma das mais perfeitas canções para se ouvir quieto, com fone de ouvido, sozinho, em completa paz, sem que ninguém te aporrinhe.

Um clássico com todas as letras.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vida curta

Certa vez, perguntando sobre o que queria da vida, Sammy Davis Jr., cantor e ícone da música norte-americana lascou: "queria ter de volta todo o tempo que gastei em estúdio gravando discos medíocres. Fiz mais de 50 e não gosto nem de cinco."

Ao ler a frase de um dos famosos Rat Packs - ao lado de Frank Sinatra, Dean Martin, Peter Lawford e Joey Bishop - percebe-se como desperdiçamos a vida inutilmente com questões menores.

Virei expert em viver agora? Nem em um milhão de um anos.

Só digo isso porque tenho medo de enfartar cedo ou ficar com um problema sério e perder boa parte da vida. Já perdi muito tempo tentando me entender, seis anos de terapia e não sei se fiz grande negócio. Tento ser honesto comigo, mas nem sempre consigo. Mas é um começo.

Passei pro Cesarotti um texto em inglês sobre o Guga, de um jornalista norte-americano e que contém uma análise de Pete Sampras sobre nosso número 1. Ironia do destino.

Não temos um - e não temos mesmo - jornalista decente que escreva bem sobre um assunto específico. E digo isso sem medo de ofender meus amigos. A maioria só fala o óbvio e joga pra torcida.

Fico pensando o quanto Guga não sentiu falta de ler um bom texto sobre ele ou sobre tênis, em português, ao invés de ter que se virar com revistas ou artigos com palavras e expressões estranhas a ele.

A "imprensa esportiva brasileira" fala, em 90% do tempo, de futebol e de maneira lamentável. Frequentei por uns bons meses de 2008 o blog do Marcelo Damato, com quem rompi por causa dos textos bobos, rançosos e leitores idem. É triste e abjeto ver que Juca Kfouri criou um "padrão" copiado por todos. Qual a diferença entre ele e Milton Neves? Sinceramente, entre os dois, preferia ser cego.

Então, essa mesma "elite" fala mal da Revista Veja, da Globo, etc e pedem providências que jamais serão tomadas. Conselhos? Não dou. Apenas não compro a revista e não vejo o canal. É o que posso fazer, é meu protesto, não vou brigar com a escória nos termos deles. Não sou imbecil.

E o coração agradece se o enfarte passar outra hora ou, quem sabe, nunca.

Hai-kai ateu

"Não sou mau", disse o Diabo
"dei-lhes diversão."
"Sou mau", disse Deus
"dei-lhes esperança."

Hai-kai escatológico

O cachorro passa mal perto do poste
o poste treme de ser mijado
O cachorro chega sofregamente até o poste
e prepara-se para o ato

O poste, imóvel, reza para não ser molhado
Vem a chuva torrencial
O cachorro mija. A água cai
O poste, imóvel, aceita sua desgraça

Duplamente

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Frases do dia

"Quanto mais gosto da humanidade em geral, menos aprecio as pessoas em particular, como indivíduos."

"Decididamente, não compreendo por que é mais glorioso bombardear uma cidade do que assassinar alguém a machadadas."

"Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a idéia da inexistência de Deus. O Homem inventou Deus para poder viver sem se matar.
"

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."


Fiódor Dostoievski (1821-1881)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vagabundos Iluminados

Após um dia difícil, ontem, e uma noite penosa pra dormir, acordei como se tivesse tomado um porre, completamente quebrado e exausto.

Foi tão complicado sair da cama, que não consegui acompanhar a Naiacy em nosso percurso matinal, até o ponto de ônibus, onde, às 6h30, se encaminha ao trabalho. Com dor no coração, não consegui completar minha prazeirosa missão diária.

Ao voltar, dei uma deitada e logo levantei, após uns 40 minutos rolando na cama, inutilmente.

Aproveitei para ver meus e-mails e entrei no blog do Cesarotti, com seus vários links para outros sites. Entrei no site do Luís Nassif e comecei a ler o Dossiê Veja.

Logo me desinteressei: odeio a revista, o dossiê era longuíssimo e um tanto cacete e assunto chato às 8 da manhã não iria me ajudar em nada.

Voltei pro quarto e acabei pegando, novamente, um livro de Jack Kerouac, que tanto gosto: Os Vagabundos Iluminados.

Kerouac é um escritor um tanto ingênuo em suas idéias, mas seu espírito livre lembra o de Thoreau e é sempre bom ver alguém dizer "sim" à vida, embora ele tenha dito "não" após a fama, morrendo cedo, bêbado, reacionário e parecendo um chinelão velho.

Vagabundos Iluminados discorre sobre o budismo e é muito interessante ver jovens idealistas vivendo e pregando o que acreditam, uma utopia aconchegante em um mundo atual tão carente delas.

Não é a melhor leitura do mundo, mas muito mais reconfortante do que ler podridões dos nossos meios de comunicação.

Eu, que sou um semi-vagabundo e temo ficar sem luz artificial por mais do que dois minutos, não desprezei o livro, embora também não saiba porque goste tanto dele.

No fundo, sou tão - ou bem mais, aposto - ingênuo que Kerouac.

Que bom.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

"Tô contigo e não abro, Linus!"

Até onde a certeza e a coerência vão na nossa vida? Essa é uma pergunta que não me atrevo mais a tentar responder. Aliás, quanto mais penso, menos prefiro responder pergunta alguma. Esse é o conselho que deveria seguir, mas tropeço nos meus próprios erros e nas minhas limitações.

Quando garoto, ficava em casa deitado no chão, vendo tv, com os pés na porta de um armário embutido grande, abaixo do aparelho. Às vezes, abria a porta e colocava os pés lá dentro para me esticar um pouco. Via de tudo e muito.

Essas são algumas das raríssimas boas lembranças que guardo da infância. É claro que era rapidamente interrompida, geralmente aos berros pelo meu pai: "sai do chão, Rubinho e tira o pé daí, vai acabar com o móvel. Vai estudar, vai jogar bola, mas saia desse chão!"

Eu saía, mas assim que podia, voltava. É ruim ser mandado como um iô-iô, não poder ficar pensando na vida, curtindo um tempo. "A vida é dura e ser adulto não é fácil", sempre me disseram. Mais um motivo então para meter o pé no armário e ver televisão; eu era criança.

E não foi tão inútil assim esse tempo. Durante anos fui repórter esportivo e boa parte da minha memória foi criada ali, deitado e vendo e ouvindo falarem sobre futebol, tênis, etc. Mas, aí você envelhece, o dinheiro rareia e vez por outra acabava ouvindo "por que não ia estudar ao invés de ficar com o pé no armário, esparramado na sala de televisão?"

Durante anos isso me incomodou - e por essas linhas, percebe-se que não superei de todo -, mas hoje a coisa fica mais fácil: não telefono mais e nem dou chance de me encherem com isso.

E sabe o que mais? Naiacy faz isso no quarto quando assistimos filme. E, inconscientemente (Freud explica), tenho vontade de dar uma bronca nela. Mas, logo lembro daquele menino assustado e prefiro me aninhar a ela e cobri-la de beijos e carinhos.

Como diria minha esposa, nessa hora a gente só pode concordar com o famoso personagem do Snoopy, Linus van Pelt: "Eu gosto da humanidade, só não suporto as pessoas..."