sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Qual sua trilha-sonora ideal?

Se você fosse possível resumir a vida às algumas músicas, quais falam mais de alta sobre e de você? Ah, questões... Alta Fidelidade? Por aí, mas às vezes não... I dunno...

Eu tenho muito respeito por canções que mexem com minha espinha, que me fazem querer berrar num microfone imaginário ou espancar uma bateria. Por sorte, nunca tive dom para isso e assim meus vizinhos jamais se incomodaram. Gosto daquela coisa testosterona, pau puro...

Já ouviu Sonics, caro (e extinto) leitor? Grande Banda! Bom, alguns outros são carnes-de-vaca, tipo Clash. "Tommy Gun" é velha favorita.

Aquele começo onde sempre sonhei em jogar a guitarra e dar um pulo bem alto, sem falar do meio quando ela ficando picando na garganta. Ah, as músicas! Seria impossível uma das cinco mais; das 500, talvez.

Nesses dias fiquei ripando cds e mais cds no micro. Mais de 10 gigas e preciso ripar outros 20 gigas para saciar. Coisas normais como o próprio Clash, Sex Pistols, Specials, Stooges, Patti Smith, R.E.M, Lou Reed etc... E coisas mais desconhecidas como os já citados Sonics, Mad River, The United States of America, Richard Hell. Aí é ficar pulando de uma para outra ou ficar ouvindo discos inteiros n vezes.

Aí me pego curtindo velho favorito desde sempre, os Pogues, com a impagável "If I Should Fall From Grace With God". Shane MacGowan, o desespero de qualquer dentista, compôs uma das minhas favoritas, uma das daquelas que mora no meu peito e que me obriga a repeti-la umas 100 vezes. Qualquer dia o filho da puta vem até aqui para me espancar e mandar eu trocar de cd!

Sendo assim, eis meu presente para os extintos leitores...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Reminiscências

O campo de futebol é tão grande que dá para se perder. Embora eu tenha sido um jogador medíocre, gostava de algumas sensações. Gostava de ficar bem perto da bandeira de escanteio, marcado, vendo qual a situação que encontraria. Botaria na canela do adversário? Deixaria ele me empurrar e sofrer a falta ou cederia o tiro de esquinado?

Também sempre gostei de tentar lançamentos longos. Nada é mais bonito do que a posição de volante, vendo o jogo inteiro, observando a movimentação dos demais. O futebol é apaixonante por ser simples e por mostrar todas as virtudes e defeitos humanos de uma pessoa num curto espaço. E Camus concordaria comigo. No caso, eu concordo com ele. Não sou besta.

Quando fodi meu tornozelo pela primeira vez, pouco pude jogar. Isso fez uma diferença tremenda. Não pelo meu talento, volto a repetir, mas pelas possibilidades. A sensação de vigor, de correr atrás de uma bola, de concatenar imagens, de ver as sinapses trabalhando a toda, da camaradagem. Como não tinha mais tornozelo para correr, fui para o gol. Vivia roxo nos braços, nas pernas. Jogava futebol de salão e dava, literalmente, o sangue todo sábado, por três horas. Minha tia dizia que eu gostava desse tipo de coisa para poder aliviar outros traumas. Verdade.

Poucas posições são tão bonitas quanto o goleiro. A solidão, o uniforme diferente, a presumível impossibilidade de se falhar no momento derradeiro. Tive minhas defesas espetaculares na gaveta, momentos que se eu contar me chamarão de mentiroso.Todos vivemos para esses momentos. Em qualquer atividade.

Não era um perna-de-pau, mas não tinha altura ou técnica. Tinha arrojo, isso não se pode tirar de mim. Saía no pé, na cabeça, no estômago. Era leal, poucas vezes capitão. Disciplinado, chato, berrava com meu fixo o tempo todo. O futebol me ensinou, entre outras coisas, lealdade. E companheirismo.

Mas a vida nos priva dessas coisas. Na faculdade resolvi que iria estudar xadrez. Ficava oito, nove horas, jogando sozinho, lendo livros, copiando diagramas do Estadão, jogos de Kasparov, Karpov, etc. Aprendi com meu tio, entediado por não ter com quem jogar e acabou doutrinando-me e um ex-namorado da minha irmã. Jogamos umas 500 partidas, devo ter ganho umas 25, se tanto. Cada derrota me consumia, mas eu voltava ao tabuleiro. Só uma me tirou do sério. Estava vencendo, tinha um mate em um lance, não vi e perdi! Fiquei dois dias sem olhar prum tabuleiro, enfurecido.

Nunca tive jeito para isso, não. Tenho boas memórias, no entanto. Uma vez cismamos de comprar um relógio para jogarmos. Rodamos feito malucos e acabamos indo ao Clube do Xadrez para adquirirmos, embaixo de uma chuva torrencial. Saudades daqueles tempos...

Cobri futebol. Cobri xadrez. Profissionalmente. Marcos, Karpov, Arce, Gilberto Milos. Fui falando com quem aparecia. Fazendo as perguntas mais descabidas. Mas ia aprendendo. Chorei muito quando tive que deixar o Lance! até porque eu tinha feito muitos contactos e sabia que iriam se perder. Conversas com Giovanni Vescovi, Rafael Leitão, Gilberto Milos, um sorriso de Karpov que perguntou se eu não tinha o entrevistado três anos antes, em Cumbica! O cara, ex-campeão do mundo, se lembrou da minha entrevista com ele, naquele dia! Quase chorei...

Pôxa, tanta coisa para se dizer! Nunca gostei do Zagallo, mas ele foi um cavalheiro comigo, não nego. Gostava do Luxemburgo, mas ele foi um escroto. Detesto o Leão, mas ele foi cavalheiro também, acreditem ou não. Me salvou um dia de treino e duas páginas.

Tanto ídolo que me azedou, tanto chato que levantou minha moral como um rabo-de-galo numa noite chuvosa.

Eu não pego mais no gol, não tenho com quem jogar. Xadrez, eu tentei ensinar a Naiacy, mas ela não curtiu. Jogar no micro é chato. Odeio tela plana, gosto de fazer aquela coisa de apoiar os braços na mesa e olhar por cima das peças, como se fosse um bombardeio. Fiiuuuuuuuuuuu lá vai meu xeque-mate, cubram-se!!! Ah ah ah...

Nunca dei xeque-mate bonito. Nunca tive estilo. No jogo. Estilo, até que tenho. Jeito, talvez. Apenas lamento que o mundo não tenha conhecido meu xeque pastor que tanto iria arrebentar com a vida dos maiores campeões. Ia ensinar ao Karpov, mas não deu tempo. Acha que eu ia ensinar aos brazucas? Dá um tempo malandragem... arma mortal só para os maiorais.

Cuzões...

Postagens antigas

Na tentativa de voltar a escrever, pegarei uns posts do meu antigo blog e colocarei aqui. Quem sabe me inspiro novamente. E o primeiro é:

Ex-futebol em atividade

Não dá para dizer que o futebol é tudo na vida de um brasileiro. Mas dá para dizer que a vida de um brasileiro sem futebol é tão absurda quanto a vida de um americano sem hambúrguer.

Quando me sinto melancólico, como hoje de manhã, abro a página de ídolos da Gazeta Esportiva. Não me interessam os mais recentes; eu vou atrás dos nomes de sempre: Cruyff, Beckenbauer, Tostão, Ademir da Guia... É uma forma de me reencontrar.

O futebol de hoje anda tão chato que a gente precisa tentar encontrar algum sentido. Talvez o futebol seja apenas um reflexo do nosso meio externo, por demais ligado em dinheiro fácil e pouca noção de caráter e moral. "A ética não é importante" me disse uma pessoa um tempo atrás. Eu olho e vejo que muitos assinam embaixo isso, para minha tristeza. Se não temos mais a ética é porque devemos ter mergulhado mesmo nas trevas. O fim dos tempos. Essa coisa toda.

Eu não consigo imaginar como uma criança hoje pode amar o futebol vendo esses jogadores medianos e de nenhum caráter. Comparar um Robinho com um Éder para mim é heresia. O mineiro foi infinitas vezes superior, embora Robinho tenha ganho mais dinheiro até agora do que o genial ponta do Galo e até do meu Palmeiras em toda sua carreira esplendorosa.

Homens como Tostão e Sócrates, que conciliaram a carreira com os estudos, antes, durante ou depois de abandonarem os gramados. Que se formaram em Medicina.

Sócrates estudou na USP de Ribeirão Preto. Quem faz vestibular sabe a dureza que é entrar lá. Imagine 30 anos atrás quando faculdades de medicina eram raríssimas. Tostão se formou em Psiquiatria. Dois "doutores da bola", dois homens que deram ao esporte uma visão ampla, universal. Os jogadores de hoje nem sabem falar ou escrever direito. Só possuem olhos para suas contas bancárias ou para as belezas da vida.

Como esporte, o futebol acabou há tempos. Os ídolos se foram. Com 20 ou 21 anos, dão adeus. O pai de Nilmar afirma que o filho não vai para o São Paulo pois só Rogério Ceni ganha dinheiro lá. "Os outros só ganham 200 mil reais por mês ou menos". Como se 200 mil mensais qualquer quitandeiro recebesse a cada 30 dias. Com um pai desses, para que um inimigo?

Encerro esse post com um comentário do inesquecível Cruyff. Quando alguém como ele fala, é preciso saber ouvir. Tirei o texto do site da Gazeta Esportiva.: "Pagam milhões a jogadores que exigem milhões e cujo rendimento de nenhuma forma justifica esse pagamento". O padrão de vida alto, a falta de futebol de rua e as escolas de futebol também são responsáveis para escassez de verdadeiros craques, principalmente na Europa."

Cruyff exemplifica com Michael Laudrup, jogador dinamarquês que desequilibrou durante o Mundial da França. "Ele tem uma técnica impressionante, mas falta a capacidade para se impor, o instinto de sobrevivência que só se adquire na rua. Os clubes mataram a criatividade e a improvisação quando ensinam que 'a equipe é tudo, o indivíduo é nada'. Com quinze anos, já tiraram delas toda a graça para jogar."

Palmeiras

Bom, há muito tempo que não falo nesse blog de futebol de uma maneira mais aprofundada, em parte, porque o blog zerou em visitas e a vontade de ficar lendo e ouvindo música é muito maior. Mas parece que há novidades e vamos a elas:

1 - Arena: essa é uma história espinhosa. O Palmeiras anuncia ao lado de uma empresa, uma parceria para ampliar o Palestra Itália de 32 mil para 42 mil pagantes e virar uma arena multiuso. O projeto ficaria pronto em 2010, sonhando com a Copa de 2014. Detalhes: não há contrato assinado entre o clube e a empresa e nem há ainda investidores para bancar o projeto de R$ 250 milhões. Então eu pergunto: por que não esperaram o projeto ser aprovado pelo conselho do clube e deixaram o assunto correndo apenas internamente e só depois fazer um anúncio oficial? Hoje parece muito mais uma maneira de tentar apagar os vexames colecionados em 2007...

2 - Copa Rio: SEMPRE fui contra essa bobagem de validar a Copa Rio como um Mundial. Título se ganha em campo. Odeio coisa biônica, não sou flamenguista. E a diretoria comeu apressado, comemorou o que não existia, fez festa e viu o maior rival ter seu título validado e o "nosso" não. Mais uma obra com o talento de Della Monica e cia...

3 - Edmundo: já vai tarde. Perdeu o bonde da história. Tecnicamente foi um jogador extraordinário e poderia ter sido uns dos 10 maiores da história se tivesse tido um pouco de cérebro. Sempre achei melhor que o Ronaldo quando os dois estavam no auge. Edmundo tinha tanta velocidade e habilidade quanto o ex-Fenômeno, batia com as duas pernas, era um pouco menos mortal no que o 9, mas cabeceva melhor e ainda sabia jogar em outras funções. Ronaldo sempre foi e sempre será apenas um centroavante. É uma análise subjetiva, mas a mantenho. Pena que entrou para a história como uma versão moderna e mais endinheirada de Almir.

4 - Luxemburgo: R$ 500 mil mensais, mais encargos trabalhistas por um técnico totalmente sem ética, safado, e que adora não cumprir contratos. "Contratos foram feitos para serem respeitados, mas nem sempre cumpridos", é uma de suas frases preferidas. É inteligente, mas não mais uma unamidade. Claro, um milhão de vezes melhor que o Caio Jr. Mas isso lá é vantagem?

5 - Eleições: desesperado com o péssimo 2007, a diretoria vai bancar Luxa e pegar dinheiro da Traffic para poder ser campeão e derrotar o grupo do ex-presidente sapo gordo nas eleições para 2009. Ou seja, o projeto não é começar uma nova fase, mas perpetuar-se no poder. Mas não foi essa "perpetuação" que destruiu o time, sendo que ainda estamos pagando uma altíssima conta? É esse o perfil do "novo Palmeiras"?

2008 vem aí. Pelo menos não teremos Rodrigão no ataque. Se Alex Mineiro é melhor hoje em dia só o tempo dirá.

Haja remédio para o coração e para a depressão...