Arthur Schopenhauer não morreu. Sua obra continua imortal e não merecia virar nome de um blog ridículo. Mas o que se esperar de um fã dele que passa os dias ouvindo Sex Pistols e Village People?
Publicado originalmente no dia 21 de fevereiro de 2008
Na tediosa noite de Ribeirão Preto à caça de uma rádio que tocasse alguma música que prestasse, comecei a virar o dial quando ouvi um barulho estranho: voz baixa, sinal idem e duas canções de Raul Seixas - "Mosca Na Sopa e "Mamãe eu não queria (servir o Exército)". Não bastasse serem duas músicas proibidas pela censura militar o locutor tinha uma voz de adolescente e dava boa-noite dizendo que a Rádio Tal voltaria amanhã. "Meu Deus", estremeci, "uma rádio pirata!"
No dia seguinte, haveria a aula de literatura e precisávamos levar uma notícia qualquer e apresentá-la aos demais. Quando contei, ninguém acreditou. E aquilo me marcou.
Passa-se um tempo e comentei com o Adriano o acontecido. Não sei como, mas ele tinha um folheto ou revista falando exatamente do assunto. E não era só. Existia um manual que ensinava a montar vários tipos de rádios piratas, inclusive em uma panela de pressão!
A coisa era o seguinte: você comprava os equipamentos, montava tudo e com a panela você ia se deslocando para atingir novos lugares. Segundo o folheto, a potência dava para cobrir um raio de 100 ou 150 metros. Eles explicavam que era bom você trocar sempre de lugar para não ser rastreado e, eventualmente, preso.
Claro que era um absurdo, mas eu perguntei pro Adriano porque não comprávamos o tal kit de montagem. "Rubinho, a gente manda o dinheiro numa carta e nunca mais o verá". "Ah, vamos arriscar". E arriscamos.
Semanas depois, Adriano me liga eufórico dizendo que o kit havia chegado. Oba! E agora?
Ficamos ansioso e começamos a conversar, imaginando quais seriam nossos próximos passos...
"Mas Rubinho, precisamos de uma panela de pressão!" "Eu sei, Adriano. Pegamos da sua mãe ou da minha?"
Como dona Helena era mais mansa, optamos por sequestrar a panela de minha mãe. "Então, teremos que fazer em casa."
Fomos até minha casa, passei pela cozinha, sumi com a dita e entramos no meu quarto. Quando abrimos o pacote, uma decepção: tudo era complicado e não tínhamos equipamento específicos como um soldador, chaves, além de nenhum conhecimento de eletrônica.
Enquanto confabulávamos o que fazer - chamar um conhecido que manjava de rádios era a melhor opção -, alguém entra no meu quarto.
"Rubinho, meu filho, o que você está fazendo com minha panela de pressão?" "Ah, oi mãe. É... uma experiência, mãe." "Que experiência?" "Estamos montando uma rádio pirata..." (Adriano quase se enfiou embaixo da cama envergonhado... "cala a boca, Rubinho!") "Uma, o quê?" "Uma rádio, mãe!" "Uma rádio? Como assim, uma rádio? Do que você está falando? "Oras, mãe to falando de uma rádio!" (Adriano quase se joga da janela...) "Rubinho, você tá tirando uma comigo?'" "Não, mãe, to falando sério". A essa altura nem eu conseguia mais ficar sério perante tal diálogo absurdo. Mas ela prosseguiu... "Tá bom. Vamos dizer que eu acredito que vai montar uma rádio com uma panela de pressão. E ela vai funciona como, com gás?" "Não, mãe, ligo na tomada!" Minha mãe apenas olha pra mim com uma cara de riso... "Sei... você liga a panela na tomada... ô, meu filho, você andou bebendo novamente?" "Não, mãe! Que coisa!"
E com aquele ar de quem não estava querendo explicação alguma, já que seria impossível entender o que eu falava, minha mãe apenas pegou a panela e a levou para a cozinha.
E minha vida de DJ, que mal havia começado, terminou...
Finalmente chegou hoje minha cópia do Loki, obra feita sobre a vida de Arnaldo Baptista.
Merda, isso vai ser visto mais 150 vezes. Alta Fidelidade e Quase Famosos vão ficar mofando por meses na caixa.
Já escrevi tanto aqui sobre ele que não vou me tornar redundante, embora pouca gente leia o blog e, menos ainda, olhe o histórico, por minha preguiça absoluta em usar tags.
O resultado é que tenho que ouvir Loki - o disco - mais uma vez e outra e outra...
E entre uma audição e outra, Loki - o filme.
Em momentos assim é que se vale viver e se sentir vivo. São coisas que não se explicam. É ver, ouvir e sentir e perceber que ainda podemos ser tocados e não estamos totalmente letárgicos.
1 - Fazer carinho 2 - Sair para jantar 3 - Falar como está lindo o cabelo dela (ainda que tenha o pintado de roxo e verde...). 4 - Pagar a conta sem pedir desconto pro garçom 5 - Acabar a noite num lindo roçado ao som de "Penetration" de Iggy and the Stooges
Está para ser demitido...
1 - Chegar um pouco mais cedo 2 - Não chamar a atenção do chefe 3 - Fazer cara de trabalhador 4 - Se vestir bem e estar com a barba feita 5 - Sair com a secretária dele para ela te dar umas dicas e acabar a noite ao som da mesma "Penetration"
Sua conta bancária kapuft!
1 - Pedir empréstimo 2 - Pedir outro empréstimo 3 - Pedir mais um empréstimo 4 - Empréstimo, de novo??? 5 - "Penetration" na gerente
e, finalmente...
Quer se matar
1 - ler Paulo Coelho 2 - ler Lair Ribeiro 3 - tomar vinho chapinha no gargalo e quente 4 - ouvir música evangélica 5 - ouvir "Penetration" munido de uma peixeira paraibana...
dessa maneira, podemos ver que Iggy and the Stooges tem sempre a resposta para seus problemas. CQD.
Há 10 anos tive uma crise feia nas costas que me travou por uns 10 dias.
Eu caí no chão e não consegui me mexer por dois dias. Minha mãe teve quase que se mudar pro apartamento, embora eu morasse com a Ju. Só após uma injeção de diprospan e muito repouso me recuperei.
Em um desses dias, Menon apareceu para me visitar. A sala ficou pequena para nós dois.
Ele havia levado um filme muito bacana do início da carreira dos Beatles - Backbeat - e ficou se borrando de medo da vira-lata pretinha da minha irmã que estava comigo naqueles dias e que não saia do meu lado de jeito nenhum enquanto eu estivesse deitado.
Bom, 10 anos se passam e consigo comprar o filme, em DVD. Vá lá que foi uma edição importada, em promoção e com legendas em inglês. Mas eu já conhecia a história e hoje meu inglês permite essas excentricidades.
E sempre adorei ouvir "Please, Mr. Postman", tanto que minha fitinha cassete da trilha-sonora quebrou de tanto ser tocada.
Mas deu saudades daquele dia, ainda que eu estivesse um lixo total.
É sempre bom saber que temos amigos que querem curtir um bom filme só pelo prazer de se divertir um pouco. Ainda que tivesse medo de um cachorro que tivesse 1/20 do peso corporal do amante do Fidel.
Sabe quando aparece do nada algo pra se fazer e você vacila? Tipo, um frila bacana e você fica olhando pra todos os lados, pensando: "hum, deve ter uma merda escondida. Tão oferecendo bom dinheiro por algo tão mole, será que só tem burro e vagabundo naquela redação?".
Aí "brihantemente" deduz que não vão te pagar - pronto! é esse o mistério! - e recusa. E se fode porque alguém faz e - incrível! - recebe direitinho.
Meu, cagadas dessas fiz aos montes. A depressão me deixou lesado muitas vezes e só me restava ficar espalhando cotonetes pela casa como se tivesse demarcado um terreiro de macumba e dissesse "não entra aqui ou estará condenado como eu".
Cara, eu só pensava merda. E só escrevo, hoje em dia. Que porra!
E o que falar de hoje? Tive um pesadelo. Sonhei que, por algum motivo, teria que me mudar daqui e nunca mais poderia viver com a Naiacy. Meu, acordei chorando e me agarrei nela como se eu tivesse 3 anos. Que medo do cacete!
É bom acordar nessa hora, ir ao banheiro e depois apertar descarga como quem diz "xô, sonho de merda!".
Dizem que os ingleses são especialistas em documentários. Pois abaixei um agora de mais de 1 hora sobre Pelé e Garrincha feito pela BBC. Uma jóia.
Com imagens perfeitas fazem uma boa reconstituição da vida dos dois, mostrando desde o surgimento contra a URSS, em 1958, até o adeus de Pelé no Cosmos, em 1977, e o enterro de Mané, em 1983.
Vários momentos impagáveis como a descrição do massagista Mário Américo: "Mário Américo, massagista brasileiro e especialista em vodu e samba prepara o time para as quartas-de-final contra o País de Gales."
Quando conseguiremos fazer documentários dessa simplicidade, elegância e beleza?
Deve ser por estar acompanhado os últimos jogos que o time não marca gols. Que 0x0 triste contra o Atlético Tucumán.
Prefiro ver o missionário R R Soares pregando na tv evangélica a outro jogo desses (mentira, mas é quase uma tortura igual). Socorro!
Acho que minha porção palmeirense está negativa demais pra eles. Vou dar um tempo e não assistir a próxima partida. Ver Burrito Ortega se arrastar desse jeito parte meu coraçãozinho.
O tédio pré-Fantástico, motivo de 10 entre 10 crianças odiarem o programa - lembra segunda, né? - não me acompanhou mais na vida adulta. Culpa da rotina nas redações de jornal, quando a essa hora o pau cantava.
Ficar deprimido? Com sorte, eu conseguia dois minutinhos para tirar água do joelho. Tempo para se deprimir era mais raro do que dinheiro na carteira.
Hoje eu não sofro mais disso, até porque aboli aquela emissora da minha vida. Agora que moro longe e continuo igualmente longe de uma redação, encontro outras maneiras de fazer esse período tão chato da semana - só perde pro Chuchu's Day Alckminiano, a quarta-feira - ficar bem aprazível.
Que tal, por exemplo, assistir Vélez Sarsfield x Banfield? Alguém aí sabe que o super Banfield é o atual campeão argentino?
A transmissão da televisão estatal argentina é muito divertida e o locutor, muito bom. Pra falar a verdade, qualquer locutor de qualquer país supera os nossos.
Hoje, de manhã, vi rodada dupla do dinamarquês e um jogo do holandês, em suas línguas respectivas. E tive a infelicidade de ver o Tottenham ser eliminado pelo rebaixado Portsmouth, nas semifinais da Copa da Inglaterra, por um moleque que é mais chato que o Datena com o Galvão Bueno, juntos, pelo Esporte Interativo, um canal chatíssimo e que ainda conta com o "brilhante" Celso Cardoso como comentarista. Tratamento de canal sem anestesia é mais divertido que eles. Haja saco!
E agora vou voltar para o segundo tempo desse jogão argentino. E espero, mais tarde, ver o River Plate marcar, ao menos, um gol no poderosíssimo Atlético Tucumán, lanterna do torneio Clausura, com 5 pontos, em 12 jogos. Se os gallinas somarem quatro jogos consecutivos sem gols paro, definitivamente, de acompanhá-los.