sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Leiam e tentem não vomitar

Veja, Che Guevara e Jon Lee Anderson, seu biógrafo

Do Blog de Pedro Dória

O repórter Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, foi procurado há umas semanas pelo também repórter Diogo Schelp, da Veja. O objetivo era uma entrevista curta para a composição da reportagem que saiu na revista a respeito dos 40 anos da morte de Guevara. É um entrevistado natural – afinal, Che Guevara, uma biografia, é a principal referência ao tema.

A própria revista, na reportagem que Anderson critica, descreve seu livro como ‘a mais completa biografia de Che’. Mas a cobertura daquele aniversário de morte já foi assunto deste Weblog.

Anderson respondeu a Diogo mas acabou não sendo procurado. Na semana passada, o veterano repórter de guerra da New Yorker teve acesso e leu a reportagem. Foi sua a decisão de tornar pública esta resposta a Schelp, que começou a circular por email entre os jornalistas brasileiros.

A original é em inglês, esta que segue é uma tradução:

Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.

Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.

No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Insônia no MSN

O pior cansaço é aquele que te consome, faz a cabeça doer e não te deixa repousar, mesmo deitado na cama, banho tomado, ventilador ligado e uma música calma para apenas te embalar.

Muitas vezes isso me acontecia no passado e a solução era ligar o micro para achar alguém no ICQ - alguém ainda usa? - ou no msn.

Era mais ou menos assim:

- Fala, Rubão! Chegando da balada?
- Não, insônia mesmo. E você?
- Cheguei agora. Vou dormir já já.
- Foi onde?
- Dei um rolê com uns amigos.
- Bacana.
- E aí, como anda a vida?
- Um tédio.
- Por que?
- Sei lá, nada acontece.
- Meu, você precisa arranjar uma mulher!
- É...
- Uma mulher que não te deixe acordar no meio da noite para você falar com outra no msn.
- Hum...
- Hum, o que?
- Podia ser você.
- Como?
- Podia ser você essa mulher.
- Ah, não, Rubão. A gente é amigo demais para isso.
- Como assim?
- A gente é amigo demais. Depois acaba não sobra nem amizade.
- Maneira legal de me dispensar.
- É sério!
- Sei...
- Ó, pensa só: a gente é amigão. Aí a gente namora, não dá certo e acaba tudo.
- Ah tá. Quer dizer que você já vem com prazo de validade no namoro. Bacana isso. E outra: eu preciso namorar quem então, minha inimiga?
- Não é isso, pô! É que precisa ser alguém não tão amigo.
- Sei...
- Entendeu?
- Não. Mas quer saber? Vou dormir. Fui.
- Peraí Rubão, não fica assim...

Desliguei o micro e fui pra cama. E dormi. Por 12 horas.