Uma das vantagens de morar em uma capital menor é a facilidade de interação com alguns órgãos públicos.
Há anos fiquei amigo da supervisora da central dos correios do meu bairro, tamanho meu desespero quando cartas e encomendas atrasavam. Devo ser um dos poucos que fica tenso quando ouve falar em "greve dos correios". A última fez sumir diversos boletos meus e algumas encomendas levaram até 100 dias para chegar.
Por isso mesmo, venho ligando há mais de uma semana para lá perguntando dos meus pacotes. Hoje consegui falar com ela e ouvi uma ótima notícia: não haverá greve dos correios no Maranhão". E a explicação é bem racional e mostra o nível de nossas "centrais sindicais":
"Olha, Rubens, na última greve, os únicos que conseguiram algo foram os 'líderes sindicais', que ajeitaram uma vaguinha de assessor aqui, outra acolá, uma boquinha aqui, outra ali. Eles colocaram os carteiros no pelotão de frente e negociaram pelas nossas costas. Enquanto isso, para nós, sobraram mais trabalho, dias extras, domingos cassados, reclamação da população. A gente gostaria de ganhar mais, como todo mundo, mas sabemos que não vamos conseguir nada, além dos 5,2% já acertados. Assim, já resolvemos: o país pode parar, mas a nossa sessão do Maranhão não vai cair nessa armadilha."
Não deveria ser bonito ou correto chamar uma greve de "armadilha", mas me parece correto. Minha esposa, professora da Universidade Federal do Maranhão, argumentou que os 115 dias de greve das federais teve pouquíssimo ou nenhum efeito positivo, já que a pauta mais importante, a de progressão na carreira ficará como o MEC deseja e que as lutas sobre o tema ficarão para um outro momento.
No final, argumenta dona Costa, "só serviu para atrasar o nosso calendário e a vida dos alunos. Nossas conquistas foram mínimas."
É uma droga ver que o peleguismo e os interesses pessoais atropelem os direitos de milhões de trabalhadores decentes atrás de seus direitos. As greves estão se tornando cada vez mais enfraquecidas em um país que prega a luta e a igualdade, mas que a pratica cada vez menos.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
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