Esse blog devia se chamar Arnaldo FC, tanto já escrevi sobre o gênio maior do rock brasileiro. E sempre, sempre que fico chateado, duro, melancólico ou pessimista, Loki? me salva.
Pena que seja tão difícil conseguir algo dele em vídeo para postar aqui. Mas, ao que parece, tá saindo um filme - adivinhem o nome: Loki - sobre a carreira do mito. É claro que essa porra nem em sonho vai chegar aqui no Maranhão, mas quem sabe sai em DVD e aí eu compro.
Sendo assim, veja um trailer enquanto ele me salva. Mais uma vez.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Para Celso Cardoso
Eu sou daqueles que gostam do futebol argentino desde menino e morri de rir ontem, não com a derrota humilhante, mas como o Celso Cardoso se referiu à minha pessoa no Gazeta Esportiva de ontem à tarde.
Não me lembro exatamente as palavras, mas foi algo na linha "pois é, e ainda tem gente que escreve me criticando porque falei da falta do Riquelme nos 4x0 sobre a Venezuela, em um blog qualquer."
Alguns pontos:
Parece que foi ele mesmo quem entrou no post e escreveu, protestando. Tem um post de um anônimo indentificando-se como "Celso Cardoso". Pensei que era piada, mas parecia ser o próprio.
Bom, Celso, agradeço a audiência. Mas gostaria de fazer um adendo: meu caro amigo, nem se Diego Maradona e Batistuta estivessem em campo, evitariam a derrota. Talvez fosse 6x5, 6x4, sei lá...
O problema da Argentina é igual ao do meu amado Palmeiras: a defesa, meu caro, Celso! Olhe para aquela linha de zagueiros e me diga se não causa o mesmo medo que Fabinho Capixaba, Marcão, Danilo, Maurício Ramos, Jeci, Edmilson etc...
Então não falar sobre essa falha - que ocupa o time argentino há mais de uma década - é, no mínimo, não prestar muita atenção, ainda mais quem se considera um amante e expert do futebol praticado naquele país.
A Argentina sofre há quase duas décadas com a falta de um goleiro confiável. Carrizo é um goleiro fraco, como eram Burgos, Bonano, Goycochea (só pegava penais) e tantos outros. E uma zaga com Martín Demichelis e Gabriel Heinze não vai a lugar algum.
Por isso, a ausência de Riquelme não fez diferença alguma, até porque Roman vem numa fase terrível, sendo, inclusive, criticado dentro do próprio Boca Jrs. O time até tem rendido mais quando ele não está em campo, pois ganha em dinamismo e vontade. E o elenco claramente o detesta.
Entenda, ao falar de você naquele dia, queria mais chamar a atenção como as pessoas ficam presas aos lugares-comuns.
A Argentina não fez uma partida exuberante, mesmo goleando? Realmente não. Poderia até ser mais plástica com Riquelme, mas como ele só joga quando deseja e não se mostra confiável como era Maradona, Diego tem toda razão nessa briga.
A derrota para a Bolívia tem muito mais a ver com a fraca defesa, ou você vai me dizer que Zanetti não fez um penal infantil, que Carrizo não tomou frangos e que a dupla de trás não lembrava os piores momentos de Jeci e Gladstone?
um abraço do colega que tanto gosta dos hermanos como você.
Não me lembro exatamente as palavras, mas foi algo na linha "pois é, e ainda tem gente que escreve me criticando porque falei da falta do Riquelme nos 4x0 sobre a Venezuela, em um blog qualquer."
Alguns pontos:
Parece que foi ele mesmo quem entrou no post e escreveu, protestando. Tem um post de um anônimo indentificando-se como "Celso Cardoso". Pensei que era piada, mas parecia ser o próprio.
Bom, Celso, agradeço a audiência. Mas gostaria de fazer um adendo: meu caro amigo, nem se Diego Maradona e Batistuta estivessem em campo, evitariam a derrota. Talvez fosse 6x5, 6x4, sei lá...
O problema da Argentina é igual ao do meu amado Palmeiras: a defesa, meu caro, Celso! Olhe para aquela linha de zagueiros e me diga se não causa o mesmo medo que Fabinho Capixaba, Marcão, Danilo, Maurício Ramos, Jeci, Edmilson etc...
Então não falar sobre essa falha - que ocupa o time argentino há mais de uma década - é, no mínimo, não prestar muita atenção, ainda mais quem se considera um amante e expert do futebol praticado naquele país.
A Argentina sofre há quase duas décadas com a falta de um goleiro confiável. Carrizo é um goleiro fraco, como eram Burgos, Bonano, Goycochea (só pegava penais) e tantos outros. E uma zaga com Martín Demichelis e Gabriel Heinze não vai a lugar algum.
Por isso, a ausência de Riquelme não fez diferença alguma, até porque Roman vem numa fase terrível, sendo, inclusive, criticado dentro do próprio Boca Jrs. O time até tem rendido mais quando ele não está em campo, pois ganha em dinamismo e vontade. E o elenco claramente o detesta.
Entenda, ao falar de você naquele dia, queria mais chamar a atenção como as pessoas ficam presas aos lugares-comuns.
A Argentina não fez uma partida exuberante, mesmo goleando? Realmente não. Poderia até ser mais plástica com Riquelme, mas como ele só joga quando deseja e não se mostra confiável como era Maradona, Diego tem toda razão nessa briga.
A derrota para a Bolívia tem muito mais a ver com a fraca defesa, ou você vai me dizer que Zanetti não fez um penal infantil, que Carrizo não tomou frangos e que a dupla de trás não lembrava os piores momentos de Jeci e Gladstone?
um abraço do colega que tanto gosta dos hermanos como você.
terça-feira, 31 de março de 2009
Barbearia
Menon fez um texto bacana falando do salão de seu Renatinho e da lembrança da queda de Jango e me lembrei de uma passagem curiosa na minha vida.
Quando menino, em Ribeirão Preto, eu cortava o cabelo em dois locais: ou era no centro, no mesmo prédio do Banco Bradesco, ou em um local mais chique e perto de casa, na Nove de Julho.
O segundo eu ia já maior, sozinho. O primeiro era sempre com o meu pai e achava bacana, pois tinha que subir uma escada lateral, meio escura até chegar a um salão com ar-condicionado e um monte de revistas Playboy e Status (alguém se lembra delas?).
Mas a minha lembrança mais forte aconteceu já adulto. Eu fui morar em São Paulo, em 1988, e estava com uma juba horrível, a ponto da minha avó dizer: "ô Rubinho, vai tosar esse negócio aí" e me sugeriu o mesmo salão que meu avô aparava seus ralos cabelos.
O nome do salão era Stabile e tinham sempre 3 ou 4 tiozinhos, todos de branco, te atendendo. Conversador como sou, falei do meu avô achando que não se lembrariam, mas me enganei, lembravam do Coronel Jefferson. Como sou uma pessoa tradicionalista, no sentido de sempre voltar onde sou bem tratado, e por terem um preço honesto, me tornei cliente nos próximos 15 anos.
A conversa era sempre amena e cortava sempre da mesma maneira - máquina 2 atrás, bem batido em cima - e por isso era atendido por qualquer um dos barbeiros.
Eu era um cliente bom, discreto, não fazia exigências e em um dia, mais extravagante, fiz as mãos. Os pés, não, por causa do chulé, ia matar a mulher, coitada.
Bom, nesses anos todos, só uma vez perdi a cabeça. Era um sábado, o salão estava cheio e mesmo odiando filas, peguei uma revista e fiquei esperando paciente. Fui conduzido à cadeira e havia um velho decrépito, de uns 70 anos, cabelo pintado de preto, anel nos dedos, corrente de ouro reclamando que sentia saudades dos militares e da raiva que sentia dos empregados que o tinham processado por falta de pagamento.
Um nojo de ser humano. O dono do salão e os demais funcionários concordavam com tudo que falava, não sei por educação - "cliente sempre tem razão" - ou se pensavam igual. Achei que era mais a primeira opção e fiquei calado.
Mas a ladainha continuava do meu lado e bla bla bla sobre Medici e sua grandeza. Eu dava uns olhares pro sujeito com sonho de enfiar a lâmina na garganta do infeliz. Me mantive quieto, no entanto, lendo a revista.
De repente o senhor vira para mim:
- E aí, meu jovem, você que representa o futuro desse país, o que acha de tudo isso que falei?"
Era minha chance. Fulminei.
- Ainda bem que sua geração está morrendo.
Silêncio no salão. O homem me olhou com cara de ódio, o barbeiro acabou logo o serviço. Ele pagou me dando um olhar mediciano e saiu, resmungando contra minha pouca educação.
Minutos depois, paguei minha conta e me desculpei com o dono da casa, afinal, era um senhor de 60 anos.
- O senhor me perdoe, não desejo mal nenhum às pessoas mais velhas, mas não suporto ver gente aplaudir militares carniceiros.
O seu Stabile entendeu, mas disse que ficou surpreso por eu ter sempre sido um freguês tão dócil.
- Eu sou sim, senhor, mas há limite pra tudo.
E saí.
Quando menino, em Ribeirão Preto, eu cortava o cabelo em dois locais: ou era no centro, no mesmo prédio do Banco Bradesco, ou em um local mais chique e perto de casa, na Nove de Julho.
O segundo eu ia já maior, sozinho. O primeiro era sempre com o meu pai e achava bacana, pois tinha que subir uma escada lateral, meio escura até chegar a um salão com ar-condicionado e um monte de revistas Playboy e Status (alguém se lembra delas?).
Mas a minha lembrança mais forte aconteceu já adulto. Eu fui morar em São Paulo, em 1988, e estava com uma juba horrível, a ponto da minha avó dizer: "ô Rubinho, vai tosar esse negócio aí" e me sugeriu o mesmo salão que meu avô aparava seus ralos cabelos.
O nome do salão era Stabile e tinham sempre 3 ou 4 tiozinhos, todos de branco, te atendendo. Conversador como sou, falei do meu avô achando que não se lembrariam, mas me enganei, lembravam do Coronel Jefferson. Como sou uma pessoa tradicionalista, no sentido de sempre voltar onde sou bem tratado, e por terem um preço honesto, me tornei cliente nos próximos 15 anos.
A conversa era sempre amena e cortava sempre da mesma maneira - máquina 2 atrás, bem batido em cima - e por isso era atendido por qualquer um dos barbeiros.
Eu era um cliente bom, discreto, não fazia exigências e em um dia, mais extravagante, fiz as mãos. Os pés, não, por causa do chulé, ia matar a mulher, coitada.
Bom, nesses anos todos, só uma vez perdi a cabeça. Era um sábado, o salão estava cheio e mesmo odiando filas, peguei uma revista e fiquei esperando paciente. Fui conduzido à cadeira e havia um velho decrépito, de uns 70 anos, cabelo pintado de preto, anel nos dedos, corrente de ouro reclamando que sentia saudades dos militares e da raiva que sentia dos empregados que o tinham processado por falta de pagamento.
Um nojo de ser humano. O dono do salão e os demais funcionários concordavam com tudo que falava, não sei por educação - "cliente sempre tem razão" - ou se pensavam igual. Achei que era mais a primeira opção e fiquei calado.
Mas a ladainha continuava do meu lado e bla bla bla sobre Medici e sua grandeza. Eu dava uns olhares pro sujeito com sonho de enfiar a lâmina na garganta do infeliz. Me mantive quieto, no entanto, lendo a revista.
De repente o senhor vira para mim:
- E aí, meu jovem, você que representa o futuro desse país, o que acha de tudo isso que falei?"
Era minha chance. Fulminei.
- Ainda bem que sua geração está morrendo.
Silêncio no salão. O homem me olhou com cara de ódio, o barbeiro acabou logo o serviço. Ele pagou me dando um olhar mediciano e saiu, resmungando contra minha pouca educação.
Minutos depois, paguei minha conta e me desculpei com o dono da casa, afinal, era um senhor de 60 anos.
- O senhor me perdoe, não desejo mal nenhum às pessoas mais velhas, mas não suporto ver gente aplaudir militares carniceiros.
O seu Stabile entendeu, mas disse que ficou surpreso por eu ter sempre sido um freguês tão dócil.
- Eu sou sim, senhor, mas há limite pra tudo.
E saí.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Vida inteligente?
"O Dunga é um vencedor. Como jogador foi bicampeão paulista."
Minutos depois.
"Olha aqui, vou ler o currículo dele: bicampeão gaúcho pelo Inter (82.83), campeão paulista em 1984.."
Detalhe: Dunga jogou a final sim, mas pelo Corinthians...
Até quando teremos o cada vez mais esclerosado Bolacha e Neto Bacon Boy comentando uma partida? Até quando teremos que ver um jogo vendendo carros, motos e narradores que falam de tudo, menos da partida?
Até quando aguentaremos um Eduardo Savóia dizer que o Manchester é bom "mas faz o arroz com o feijão igual ao futebol brasileiro dos anos 80?"
Até quando ouviremos Celso Cardoso bradar pelo Riquelme na seleção argentina, mesmo com o time de Maradona enfiando 4x0?
Até quando Galvão Bueno e camarilha farão das transmissões esportivas algo mais insuportável do que um culto evangélico?
Até quando veremos o sensacional programa "Gol, o Grande Momento" ser arrasado pelo Milton Neves que vendeu o café com seu nome e mostra um jogo a cada 30 segundos de merchand?
É essa a vida inteligente na tv brasileira? Depois reclamam quando desço o pau na imprensa brasileira, uma das piores do planeta, sem dúvida alguma.
Minutos depois.
"Olha aqui, vou ler o currículo dele: bicampeão gaúcho pelo Inter (82.83), campeão paulista em 1984.."
Detalhe: Dunga jogou a final sim, mas pelo Corinthians...
Até quando teremos o cada vez mais esclerosado Bolacha e Neto Bacon Boy comentando uma partida? Até quando teremos que ver um jogo vendendo carros, motos e narradores que falam de tudo, menos da partida?
Até quando aguentaremos um Eduardo Savóia dizer que o Manchester é bom "mas faz o arroz com o feijão igual ao futebol brasileiro dos anos 80?"
Até quando ouviremos Celso Cardoso bradar pelo Riquelme na seleção argentina, mesmo com o time de Maradona enfiando 4x0?
Até quando Galvão Bueno e camarilha farão das transmissões esportivas algo mais insuportável do que um culto evangélico?
Até quando veremos o sensacional programa "Gol, o Grande Momento" ser arrasado pelo Milton Neves que vendeu o café com seu nome e mostra um jogo a cada 30 segundos de merchand?
É essa a vida inteligente na tv brasileira? Depois reclamam quando desço o pau na imprensa brasileira, uma das piores do planeta, sem dúvida alguma.
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