sábado, 3 de março de 2012

Tijolo

Uma balada amarga do disco Whatever and Ever Amen, do trio Ben Folds Five: Brick



Seis da manhã no dia depois do Natal
Eu atiro umas roupas no escuro
O cheiro de frio
O banco do carro está congelando
O mundo está dormindo
Eu estou paralisado

Subindo as escadas ao apartamento dela
Ela está atirada no sofá
Seu pai e mãe foram para Charlotte
Eles não estão em casa para nos descobrirem
E nós digirimos

Agora que eu encontrei alguém
Estou me sentindo mais sozinho
Do que eu já me senti em toda a minha vida
Ela é um tijolo e eu estou afundando lentamente
Andando pela costa e eu não tenho para onde ir
Ela é um tijolo e eu estou afundando lentamente

Eles chamam por seu nome às 7:30
Eu passeio pelo estacionamento
E caminho para comprar flores a ela
E vender alguns presentes que ganhei
Você não pode ver
Não é por mim que você está morrendo
Agora ela está se sentindo mais sozinha
Do que ela já se sentiu em toda sua vida

Ela é um tijolo e eu estou afundando lentamente
Andando pela costa e estou sem destino
Ela é um tijolo e eu estou afundando lentamente

Enquanto as semanas se passavam
mostrou-se que ela não estava bem
Eles me disseram "filho é hora de contar a verdade" e
Ela acabou e eu acabei
Porque eu estava cansado de mentir

Dirigindo de casa a seu apartamento
Pelo momento que estamos sozinhos
Ela está sozinha
Eu estou sozinho
Agora eu sei

Ela é um tijolo e eu estou afundando lentamente
Andando pela costa e eu não tenho para onde ir
Ela é um tijolo e eu estou afundando lentamente

quinta-feira, 1 de março de 2012

Elton & John

Em 1982, Elton John fez uma canção para o seu grande amigo John Lennon, assassinado em 08/12/1980. A ligação entre eles era imensa.

Foi Elton que convenceu Lennon a voltar a excursionar. O ex-Beatle, porém, pediu que Elton o ajudasse a fazer um canção que chegasse ao topo da parada. Era o preço.

Juntos, gravaram "Whatever Gets You thru the Night", incluída no LP Walls and Bridges, de 1974. A música chegou ao número 1 e Lennon pagou a aposta. Elton é também padrinho de Sean Ono Lennon.

E, por mais oportunista que possa parecer, não quis faturar uns trocados a mais com o amigo morto, até porque dinheiro nunca foi problema para Reginald Kenneth Dwight.

Ignore o visual oitentista do clip. O que vale é a música.

Você faz muita falta Johnny. Precisamos de pessoas como você para lutar por nossas causas.

Rest in Peace.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Brasil da Europa

Quanto mais a seleção joga, mais a população e a crítica, xingam.

O futebol brasileiro hoje é uma pálida sombra do passado e boa parte disso se dá porque nossos jogadores ficaram excessivamente europeizados.

Pela primeira vez na história, os melhores futebolistas brasileiros na Europa são defensores. Não temos um meia ou atacante de primeiro nível, alguém para rivalizar com Messi, Van Persie, etc...

De quem é a culpa?

Desde que a Europa virou a meca de dinheiro e fama, ainda na década de 1930, os grandes talentos sul-americanos se mudaram para lá. No Brasil, o êxodo começou de maneira mais forte a partir da Copa de 1982.

Os europeus sonhavam com a elegância de Falcão, os gols de Romário e Ronaldo, os dribles e a magia de Ronaldinho, a extraordinária eficiência de Cerezo, Rivaldo, Mauro Silva o talento e o toque de classe Zico, Bebeto... etc.

Éramos os mágicos, o oásis no meio da botinada, dos passes de canela, dos gols feios...

Mas sempre se criticou demais a indolência do brasileiro, a falta de disciplina tática. Isso era visto como um defeito imperdoável. Que fossem assim com a camisa amarela, mas não nos times do Velho Continente.

Dessa maneira, começou a nascer uma segunda geração, mais aplicada, menos brilhante, ainda que ótima. E foi assim na Copa de 1994. Para um gol de Romário, um desarme de Mauro Silva. Para um passe de Bebeto, um carrinho de Dunga.

Os anos foram passando e o Brasil mostrou que sabia e podia - por que não? - exportar grandes defensores.

Defensores que viraram símbolos em seus times: Roberto Carlos - 11 anos titular no Real Madrid -, Mauro Silva, Cafu, Aldair - tantos anos como titular da Roma fizeram o número 6 ser aposentado - etc...

Agora o Brasil brilhava na frente e lá atrás.

Éramos perfeitos!

Mas, o que era doce, acabou.

Os craques que já não eram muitos, hoje minguam no futebol brasileiro. Se nossos defensores viraram um padrão de eficiência e técnica, pouca preocupação mostramos em criar novos meias e atacantes.

Sempre fomos levados a crer que o talento brota em qualquer campinho de terra - coisa cada vez mais rara nas nossas cidades - em qualquer esquina, em qualquer quadra com o piso quebrado.

Era assim. Era.

Assim, assistimos uma seleção totalmente perdida, com um técnico desesperado, que convoca jogadores mesmo sabendo que não há a menor possibilidade de formar um time decente com esses nomes.

E, pior, joga-se todo o peso de um time 5 vezes campeão mundial e pela segunda vez sede de uma Copa do Mundo, nas costas de um garoto de 20 anos, como Neymar.

Neymar é um excelente jogador. Pode virar gênio. Pode até superar Messi. Mas não pode ser o comandante de uma filosofia que vem errada por mais de 3 décadas, um país que exporta seu pé-de-obra cedo demais e espera que novos talentos brotem da terra, a todo instante.

Mano tem dois anos para montar uma seleção. E até pode sonhar em ver aparecer um outro Neymar nesse meio tempo e ajudar a azeitar um time que parece uma pizza coberta com óleo de rícino.

Pode. Mas não deve.

O Brasil perdeu suas raízes porque hoje se valoriza mais um segundo volante com bom passe e ótimo senso de cobertura do que aquele meia que entra driblando, fazendo gols e mandando esquemas táticos pro inferno.

O Brasil se deixou europeizar em todos os níveis. E não será em dois anos que iremos recuperar nossas raízes.

É claro que tudo pode acontecer em um torneio de sete jogos. Tudo depende de um bom sorteio, dos cruzamentos não serem complicados, dos rivais ficarem pelo caminho, da arbitragem dar aquela mão etc...

Eu não apostaria nisso.

E não queria ser o Neymar hoje, ainda que adoraria ter R$ 3 milhões pingando na minha conta a cada 30 dias.

É hora do Brasil voltar às suas raízes. Adoraria ver isso acontecer.

E você?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Avalanche

Leonard Cohen, ao vivo, em 1988, cantando uma de suas melhores composições, Avalanche.



Bem, eu adentrei uma avalanche,
Isso encobriu minha alma;
Quando não sou esse corcunda que você vê
Eu durmo embaixo do monte dourado.
Você que deseja conquistar a dor,
Deve aprender, aprender a me servir bem.

Você tomou meu lado por acidente
Enquanto descia pelo seu ouro.
O aleijado que você vestiu e alimentou
Não está mais faminto ou com frio;
Ele não procura por sua companhia,
Não no centro, o centro do mundo.

Quando estou em um pedestal,
Você não me armou lá.
Suas leis não me compelem
A ajoelhar, grotesco e desprotegido.
Eu mesmo sou o pedestal
Dessa feia corcunda que você encara.

Você que deseja conquistar a dor,
Deve aprender o que me torna amável;
As migalhas de amor que você me oferece,
São as migalhas que eu deixei pra trás.
Sua dor não é credencial aqui,
É só uma sombra, sombra da minha úlcera.

Eu comecei a ansiar por você,
Eu, que não tenho ambição;
Eu comecei a perguntar por você,
Eu, que não tenho necessidades.
Você diz que se afastou de mim,
Mas posso senti-la quando você respira.

Não vista esses trapos para mim,
Eu sei que você não é pobre;
Você não me ama tão ferozmente agora
Quando você sabe não estar certa.
É sua vez, adorada,
E é sua carne que eu visto.

Psychic TV

Brian Jones...they will never steal your glory!!!

Coisas lindas

Eu e minha avó Yolanda, por volta de 1970, 1971...

Fui realmente o bebê mais bonito da família! de longe!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pára tudo!

Pra coroar tudo! Dueto Ray Charles e Van Morrison cantando "Crazy Love", escrita pelo bardo irlandês para o LP Moondance, de 1969...