sexta-feira, 6 de maio de 2011

Gênio!

Discurso de Paraninfo


Meus afilhados:

Mais do que me qualquer outra época da História, a humanidade se vê numa encruzilhada. Uma estrada conduz ao desespero e à catástrofe . A outra, à absoluta extinção. Rezemos para que o homem tenha a sabedoria de fazer a escolha certa. Não pensem que falo desse jeito gratuitamente. Falo com a pânica convicção da mais completa falta de sentido da vida, o que pode ser facilmente confundido com pessimismo. Não confundam. Trata-se apenas de uma saudável preocupação sobre o que espera o homem moderno. (Por homem moderno, entenda-se todo o indivíduo nascido imediatamente depois da célebre frase de Nietzsche – “Deus morreu” – e imediatamente antes da gravação de I Wanna Hold Your Hand pelos Beatles.) Esta preocupação pode ser descrita de duas maneiras, embora certos estruturalistas prefiram reduzi-la a uma equação matemática, apenas porque, assim, ela pode ser mais facilmente resolvida e mesmo carregada no bolso, junto com o pente.

Para simplificar as coisas, o problema é o seguinte: Como é possível descobrir qualquer significado num mundo finito, considerando-se o tamanho do meu colarinho e de minha cintura? Uma pergunta ainda mais difícil quando nos damos conta de que a ciência – ah, a ciência! – vive fracassando. É verdade que ela derrotou várias doenças, quebrou o código genético e até botou gente na Lua, e, no entanto, quando um homem de 80 anos é deixado a sós numa sala com duas garçonetes de 18 anos, nada acontece. Porque os verdadeiros problemas nunca mudam. Afinal, poderá um dia a alma humana ser perscrutada através de um microscópio? Talvez, mas só se for um daqueles com duas lunetas. E sabemos perfeitamente que o mais moderno computador tem um cérebro pouco melhor que o de uma formiga. É verdade também que poderíamos dizer o mesmo de vários parentes nossos, mas, felizmente, só somos obrigados a encontrá-los em enterros ou casamentos.

Já a ciência é algo que dependemos o tempo todo. Se tenho dores no peito, mandam-me fazer uma radiografia. Mas, e se a radiação provocada pelos raios-X me causar problemas ainda maiores? Num piscar de olhos, vejo-me arriscado a acordar numa sala de operações. E, como sempre acontece, quando me depositam no balão de oxigênio, um interno resolve acender o cigarro. No dia seguinte, lê-se no jornal que um homem foi disparado sobre o World Trade Center envolto num lençol de plástico. Isto é a ciência?

Verdade também que a ciência nos ensinou a pasteurizar um queijo. O que não é má idéia, desde que na companhia de uma das Panteras.

Mas, e a bomba H? Já viram o que acontece quando um troço desses cai de uma escrivaninha, mesmo que o chão esteja bem acarpetado? E onde fica a ciência quando alguém lhe propõe os eternos mistério, tais como: De onde se originou o cosmos? (O próprio, não o time de futebol.) Há quanto tempo existe? A matéria iniciou-se com uma explosão, ou por ordem de Deus? Se a segunda hipótese é verdadeira, por que Ele não começou o serviço duas semanas antes, ainda a tempo de curtir o verão? O que queremos insinuar quando dizemos que o homem é mortal? Seja o que for não parece um elogio.

E a religião, infelizmente, não nos anda dizendo muito. Miguel de Unamuno escreveu com otimismo sobre “a eterna persistência da consciência”, mas isso não é mole. Principalmente quando lemos certos escritores de vanguarda. Fico sempre pensando sobre como a vida devia ser mais fácil para o homem da caverna. E apenas porque ele acreditava num Criador, Todo-Poderoso e benevolente, que tomava conta de tudo. Imagine o desapontamento dele quando constatava que sua mulher estava engordando?

O homem contemporâneo, como se sabe, não tem a mesma paz de espírito. Ele se vê imerso numa crise de fé. Encontra-se naquele estado que os mais eruditos costumam chamar de “desbundado”. É um homem que já penou em guerras, já presenciou catástrofes naturais e já freqüentou bares de solteiros.

Meu bom amigo Jacques Monod costumava falar da casualidade do cosmo. Ele acreditava em que tudo que existia na Terra era por puro acaso, exceto seu café-da-manhã, o qual ele tinha certeza, era preparado por sua empregada. É natural que a crença numa inteligência divina inspire tranqüilidade. Mas isto não nos liberta de nossas responsabilidades humanas. Serei eu o guardião de meu irmão? Sim, só que – também por acaso – sou irmão do tratador de feras do zoológico.

Portanto, sentindo-nos sem Deus, o que fizemos foi transformar a tecnologia em Deus. Mas será a tecnologia a verdadeira resposta, quando um Buick do ano, estalando de novo, dirigido por meu protegido Nat Zipsky, atravessa a vitrine de um prêt-à-porter da Sears, fazendo com que várias senhoras passassem o resto da vida pulando miudinho?

Como se não bastasse, minha torradeira não funciona direito há quatro anos. Sigo as instruções, ponho duas fatias de pão no buraco e, segundos depois, elas são disparadas como uma bala. Certa ocasião, uma delas quebrou o nariz de uma mulher que eu amava ternamente. Temos de contar com tomadas, interruptores e plugues para resolver nossos problemas?

Claro, o telefone é uma boa coisa – quando dá linha. Geladeiras também. E o ar condicionado igualmente. Mas não qualquer ar condicionado. Não o da minha prima Henny, por exemplo. Faz um ruído infernal e não esfria o quarto. Cada vez que ela chama o homem para consertar, piora. Ele vive dizendo que ela precisa comprar um novo. Quando ela se queixa, ele a manda parar de encher o saco. Quer dizer, esse homem está absolutamente desbundado. E não apenas isso, como não pára de dar risotas o tempo todo!

Portanto, nosso problema é: Nossos governantes não nos prepararam para uma sociedade tão mecanizada. Infelizmente, nossos políticos são simpáticos, mas incompetentes ou corruptos. Às vezes, ambas as coisas no mesmo dia. A partir de cinco e quinze da tarde, então, não há como segurá-los no serviço.

Não estou dizendo que a democracia não seja a melhor forma de governo. Numa democracia, pelo menos os direitos do cidadão são respeitados. Ninguém pode ser preso, torturado ou obrigado a assistir a uma novela de televisão do começo ao fim. O que já é muito diferente do que acontece na União Soviética. Segundo o totalitarismo daquele país, uma pessoa que seja flagrada assoviando pode ser condenada a 30 anos num campo de concentração. E se, depois de 15 anos, insistir em assoviar, acaba fuzilada.

Ao lado dessas novas demonstrações de fascismo, defrontamo-nos com o seu cruel assecla, o terrorismo. Em nenhuma outra época da História, o homem teve tanto medo de cortar um frango assado como hoje, temendo uma explosão. A violência gera a violência, e já se sabe que, por volta de 1990, os seqüestros serão a principal forma de convívio social. A superpopulação exacerbará todos os problemas até a explosão. As estatísticas já nos dizem que existe mais gente na Terra do que a capaz de mover até o mais pesado piano. Se não batalharmos já pelo crescimento zero, no ano 2000 não haverá mesas para todos em qualquer restaurante, a não ser que algumas delas se assentem sobre cabeças de estranhos, o que os obrigará a ficarem imóveis durante uma hora ou mais, até que acabemos de pedir o café. Tudo isso aumentará a crise de energia, obrigando qualquer proprietário de automóvel a encher o tanque o suficiente apenas para dar uma ré de alguns centímetros.

Só que, em vez de enfrentarmos esses desafios, preferimos nos virar para as drogas e o sexo. Vivemos numa sociedade excessivamente permissiva. Nunca a pornografia foi mais atrevida.

Para não falar dos filmes, que são umas merdas! Somos uma nação a que faltam objetivos definidos. Precisamos de líderes e de programas coerentes. Carecemos de um centro espiritual! Estamos sozinhos no cosmo, praticando monstruosas violência uns contra os outros, por causa da frustração e da dor. Felizmente, ainda não perdemos nosso senso de proporção. Em resumo, parece claro que o futuro nos reserva grande oportunidades. Mas também alguns perigos. O negócio é evitar esses perigos, aproveitar as oportunidades e, chegar em casa às seis da tarde.

(Woody Allen, Que loucura! L&PM. Tradução de Ruy Castro. 1980)

Palmeirense legítimo!


Que lindo, Bellucci! Venceu o bom tcheco Berdych, sétimo do mundo, por 2x0 e está nas semifinais do dificílimo Masters 1000 de Madrid.

Agora é torcer pra enfrentar o invicto Novak Djokovic, nas semi - o sérvio não perdeu uma partida sequer em 2011 e soma cinco títulos - para destronar o número 1, Rafael Nadal, em casa.

Quem disse que o Palmeiras não nos daria alegria hoje?

Adelante, Thomaz!

Canção do dia

Olha o refrão, não parece perfeito pro Palmeiras?

No future, no future
No future for you
No future, no future
No future for me
No future, no future
No future for you!!!



Sex Pistols - God Save the Queen

quinta-feira, 5 de maio de 2011

3 vira, 6 acaba

1 - Por que o Marcos voltou pro time se o Deola era o goleiro menos vazado do Brasil? Que atuação ridícula.

2 - Por que o Rivaldo é titular?

3 - Como pode um time que tinha tomado menos de 15 gols em mais de 25 jogos, tomar 6?

4 - Por que o Felipão colocou Adriano Michael Jackson após a expulsão de Rivaldo deixando o time com 4 atacantes - Luan, Kleber, Wellington e o próprio Adriano - e apenas dois no meio - Marcos Assunção e Chico? Não era melhor colocar alguém para fechar o lado esquerdo da defesa?

5 - E, Felipão, cai hoje? Porque ele merece. Após ter pilhado o time em excesso contra o Corinthians, o Palmeiras mostrou o que é falta de equilíbrio e nervosismo e falta de personalidade.

6 - Alguém vai explicar como pode um jogador quase caído dividir com três e ainda marcar um gol?

7 - Há anos eu não via 3 vira, 6 acaba.

Que vergonha, Palmeiras. Não tem desculpa.

Adelante, Thomaz!


Sou um tenista frustrado. Sempre sonhei em jogar bem, mas quando menino era medíocre. Meu saque era a vergonha da humanidade. Uma tristeza, porque sempre gostei de correr atrás da bolinha, especialmente em quadras rápidas.

Algumas fortes lembranças minhas foram as finais de Wimbledon, especialmente as de 1980 e 1981, entre Borg e McEnroe, que acompanhei na casa do meu avô.


Chorei muito quando Borg perdeu o hexa pro norte-americano, a última participação dele naquele gramado sagrado, bem diferente do atual.

Por isso, mais do que futebol, eu gosto de ver é tênis na tv a cabo. Nos esportes individuais é que vejo aflorar meu nacionalismo. Torço sempre pelo Brasil, o que não consigo mais fazer em esportes coletivos.

Adorava ver o Guga jogar, mas sempre me desespero com o Bellucci. Mas, hoje achei que venceria. O escocês Andy Murray é um daqueles cheio de talento nas mãos e nos pés, mas com uma cabecinha que faria o Madson parecer um Nobel de Literatura.

Coisa mui fina a cachola do scotchman...

E hoje o Bellucci fez exatamente o que todo mundo espera dele: paciência, consistência, firmeza no saque e segurou a cabecinha - é uma espécie de mini-Madson, nosso menino e, aliás, palmeirense - e soube explorar os momentos críticos e jogar como há muito prometia.

È impossível vencer o Masters 1000 de Madrid, com Nadal e Djokovic, mas ao menos mostrou que descobriu o caminho das pedras.

E, vá lá, outras surpresas serão bem vindas. Até porque do Palmeiras, duvido que venha coisa boa.

Adelante, Thomaz!

Como o blues ensina

Dizem que o blues tem função terapêutica, de curar as feridas. Que um bom bluesmen só pode verdadeiro com cicatrizes, internas e externas.

Bom, eu nunca soube cantar, tocar ou compôr ou jamais me meti em uma briga de salão, de facas ou em um campo de algodão. Nunca tive uma amante que quis envenenar minha bebida.


Sei ouvir, apreciar. Apenas isso.

A vida nem sempre é fácil, a minha nunca foi. Mas há semanas em que ela se torna pior. Aí uma das soluções é deixar que esses caras sofridos te mostrem o caminho das pedras.

Pode até não resolver, mas que lava a alma, ah, isso lava...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Blues

Palmeiras e outra derrota "impossível"

O que mais me cansa em ser palmeirense não são as derrotas. O que mais me cansa é ver que como tratam o time como equipe pequena.

Perdemos outra chance de chegarmos a uma final por causa disso. Por favor, a vaga ontem era outra daquelas impossíveis de perder!

Eu escolho dois culpados: Felipão e Danilo. O sr. Scolari já me encheu há tempos com essa psicologia do terror que adota: pilha jogadores, torcida e diretoria ao máximo achando que está indo pruma guerra. Não está.

Com isso, os jogadores entram nervosíssimos, confundindo aplicação e raça com violência. O Palmeiras entrou para rachar os rivais, que queriam jogar bola.

E o Danilo? Se tivesse honra, pegaria o primeiro vôo para Udine, hoje. É um bom zagueiro, mas burro demais. Por que foi dar um carrinho criminoso daquele, no início da partida, no meio-de-campo. Será que ele não sabia que seria expulso?

É muita estupidez.

Irrita você ver o Palmeiras, que dominava o adversário e chegava fácil ao ataque, deixar tudo isso sumir como um castelo de cartas, por outra expulsão sem sentido.

E o Palmeiras precisa - como falo há meses - dar um passa moleque no Valdívia e no Kléber. O primeiro só aparece em jogos não-decisivos, virou "polêmica" com essa bobagem de chute ao vento e, não satisfeito agora, tornou-se o mais novo podrinho do futebol brasileiro: não atua cinco partidas sem dor.

Aliás, o departamento médico têm muitas explicações a dar: não pode perder dois jogadores - além do chileno, saiu também o Cicinho - ainda no primeiro tempo, em um jogo crítico.

E o Gladiador? Bem, eu o chamo de Imbecil com razão. Atacante que toma cartão amarelo aos dois minutos de partida por empurrar pelas costas o zagueiro rival numa bola perdida não merece outro nome. E Kléber fez a mesmíssima falta no mesmo zagueiro quase no final da partida. Só não foi expulso porque o árbitro temia em não sair vivo do campo.

E mais uma coisa: o Palmeiras precisa arrumar uma maneira de não deixar suas tripas tão expostas. Todas as mazelas do clube - briga com a WTorre, falta de dinheiro, patrocínios, empréstimos, discussões políticas - sao escancaradas na mídia. Mas só as nossas.


O Palmeiras de ontem me lembrou aquelas famílias italianas de comédias pastelonas. Com uma diferença: ao final de duas horas, tudo termina bem na telona. Já no Palmeiras.... os jogadores vão pro twitter - esse câncer moderno - pra xingar os rivais e mostrar verdadeiramente o nível de quem representa hoje o meu alviverde imponente.

Que está cada vez mais impotente.

domingo, 1 de maio de 2011

Palpite

Super Porco 2x0 Gambás, gols de Kléber e Danilo.

Pai Rubão não falha.

Dubliners




While in the merry month of May from me home I started,
Left the girls of Tuam so sad and broken hearted,
Saluted father dear, kissed me darling mother,
Drank a pint of beer, me grief and tears to smother,
Then off to reap the corn, leave where I was born,
Cut a stout black thorn to banish ghosts and goblins;
Bought a pair of brogues rattling o'er the bogs
And fright'ning all the dogs on the rocky road to Dublin.

One, two, three four, five,
Hunt the Hare and turn her down the rocky road
all the way to Dublin, Whack follol de rah !

In Mullingar that night I rested limbs so weary,
Started by daylight next morning blithe and early,
Took a drop of pure to keep me heartfrom sinking;
Thats a Paddy's cure whenever he's on drinking.
See the lassies smile, laughing all the while
At me curious style, 'twould set your heart a bubblin'
Asked me was I hired, wages I required,
I was almost tired of the rocky road to Dublin.

One, two, three four, five,
Hunt the Hare and turn her down the rocky road
all the way to Dublin, Whack follol de rah !

In Dublin next arrived, I thought it such a pity
To be soon deprived a view of that fine city.
So then I took a stroll, all among the quality;
Me bundle it was stole, all in a neat locality.
Something crossed me mind, when I looked behind,
No bundle could I find upon me stick a wobblin'
Enquiring for the rogue, they said me Connaught brogue
Wasn't much in vogue on the rocky road to Dublin.

One, two, three four, five,
Hunt the Hare and turn her down the rocky road
all the way to Dublin, Whack follol de rah !

From there I got away, me spirits never falling,
Landed on the quay, just as the ship was sailing.
The Captain at me roared, said that no room had he;
When I jumped aboard, a cabin found for Paddy.
Down among the pigs, played some hearty rigs,
Danced some hearty jigs, the water round me bubbling;
When off Holyhead I wished meself was dead,
Or better for instead on the rocky road to Dublin.

One, two, three four, five,
Hunt the Hare and turn her down the rocky road
all the way to Dublin, Whack follol de rah !

Well the boys of Liverpool, when we safely landed,
Called meself a fool, I could no longer stand it.
Blood began to boil, temper I was losing;
Poor old Erin's Isle they began abusing.
"Hurrah me soul" says I, me Shillelagh I let fly.
Some Galway boys were nigh and saw I was a hobble in,
With a load "hurray !" joined in the affray.
We quitely cleared the way for the rocky road to Dublin.

One, two, three four, five,
Hunt the Hare and turn her down
the rocky road and all the way to Dublin,
Whack follol de rah !