sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Claro que não, Rubens!"

Publicado originalmente em 01/03/2010.

Uma das minhas primeiras experiências que mostraram o quanto a lógica feminina é tão possível quanto corinthiano inteligente aconteceu por volta de 1995 ou 1996, na Folha.

Eu costumava ir sempre às quintas e aos sábados dançar no Nias, uma dancenteria que nem sei se ainda existe. Havia um pessoal fixo do jornal que ia comigo.

Numa noite qualquer de sábado, cansado, comprei uma cerveja e me dirigi a uma rara mesa vazia para descansar e ver os vídeos retrôs que passavam na tv, quando Renata pediu para sentar.

Ela era diagramadora do jornal, branquinha, loira e mais velha do que eu e extremamente difícil de se aproximar. Sempre misteriosa, nunca havia conseguido entabular um papo decente com ela, por quem eu tinha certo fascínio. Mas, como não havia brechas, nem tentava.

Para minha surpresa, contudo, foi só charme comigo e ficamos mais ou menos uma hora bebendo e conversando. E nada mais aconteceu.

Na segunda ou terça, ela foi até a editoria de Esportes perguntar quem era o responsável por uma arte. Quando o Rodrigo Bueno disse que era dele, o agarrou pela mão e o levou para fechá-la.

Dez minutos depois de despachá-lo aparece com o print final para que revisasse e aprovasse. Enquanto esperava Bubu dar seu veridito, Júlio Veríssimo, o adjunto de esportes, lascou, em tom irônico:

- Mas, Renata, que negócio é esse de vir aqui pegar meus meninos e levá-los pelas mãos? Você quer desvirtuá-los?
- Júlio, vocês são todos enrolados e estou morrendo de pressa, tenho toneladas de coisas pra fechar.
- Mas, vem assim, do nada, e leva o Bubu pela mão?
- Querido, eu não quero nada com o Bueno. Prefiro muito mais o Rubens que beija muito bem.


Nesse exato momento, eu que estava mexendo no arquivo atrás de algo, vi o silêncio cair e todos olharem para mim.

- O Rubens? Quando? Como assim, Renata? Vocês se beijaram?
- Pergunte para ele, ué.


E, com a arte aprovada, saiu, me deixando a bomba na mão.

Júlio se contorcia de prazer e logo veio pra cima:

- Ah, seu malandrinho, quietinho com essas bochechinhas rosadas. Conte, conte tudo, tudinho pro seu Juju.
- Sai pra lá Júlio, a Renata inventou isso!
- Nah, para com isso. Ela acabou de confessar!
- Brincadeira dela.
- Pois vamos tirar a dúvida. Ô Renata você realmente beijou o Rubens, não? (E dessa vez berrando para toda a redação ouvir).
- Eu já falei que sim e duvido que alguém beije melhor que ele no Esportes.

Foi uma gozação. Júlio, Melk, Degas, etc. E não havia o que ser feito.

Dias depois lá fui eu fechar uma arte-final e perguntei quem era o responsável. Lógico que era a Renata, que me cumprimentou com aquele seu jeito distante e olhar cheio de coisas não ditas. Não resisti:

- Renata, por que você inventou aquilo?
- Rubens, Rubens, você é tão ingênuo. Eu te faço um favor e você nem me agradece! Isso são modos, menino?
- Agradecer de quê? Que favor você me fez?
- Oras, eu aumentei sua fama na redação. Você sabia que sou uma mulher disputada e que muitos querem me beijar?
- Ah, quer dizer que subi no conceito geral por causa do suposto beijo?
- Claro, meu querido. Agora é só capitalizar.
- Ah....
- Entendeu?
- Sim, sim, faz sentido.
- Então.
- Bom, Rê, mas tenho uma dúvida.
- Qual?
- Já que você espalhou posso ao menos te beijar?
- Que idéia, Rubens! Claro que não!


E lá fomos nós fechar a arte.

Mulheres.

Yeah!!!!



How come when I got the ace of hearts
Ya always draw the ace of spades
How's it when your best friend
Brings you lillies on your birthday

Hey how come, hey how come
Well I ain't superstitious, but well these things I see
How come, how come
I ain't a superstitious fella, but it worries me

How come when your local clergy calls
He tells me that you shouldn't wear black
What kind of bread are you gonna' bake
With that hemlock in your spice rack

Hey how come, hey how come
Well I ain't superstitious, but well these things I see
How come, how come
I ain't a superstitious fella, but it worries me

The spider's run, the cobwebs gone
Did you eat it when the moon was new
I drowned your cat, what do you say about that
I've even broken up your broom

How come, how come
Well I ain't superstitious, but well these things I see
How come, how come
I ain't a superstitious fella, but it worries me
Well how come, how come
Well I ain't superstitious, but well these things I see
How come, how come
I ain't a superstitious fella, but it worries me

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

U2, 1981

Que sempre gostei do U2 não é novidade, especialmente a primeira fase, pré-The Joshua Tree. Tenho um bootleg do famoso show deles de Boston, em 1981, é do kct!

E hoje voltei a esse tempo. Saiu no Brasil um show da banda no anfiteatro Loreley, em St. Goarshausen, na Alemanha, em 20 de agosto de 1981. Em DVD.

A imagem é razoável apenas, com certeza tirada de alguma fita caseira gravada em televisão. Mas o som é excelente, muito bom mesmo. Digamos que é um "pirata oficial".

O U2 já tinha suas principais características, com Bono pulando o tempo todo, Larry mostrando muita competência nos tambores e The Edge... bom, The Edge é sozinho uma orquestra. Um arraso.

As músicas cobriam apenas os álbuns Boy e October. Claro que estava lá "Out of Control", minha favorita do período. A banda pegou meio leve nela, talvez pela platéia ser um pouco fria.

Um exemplo é quando chega um roadie para entregar uma guitarra para Bono, na canção "I Fall Down". Bono pede palmas a Steve, e elas são tímidas. "Na minha terra as pessoas são mais calorosas", ralhou. E reclamou o show inteiro que um canhão de luz o estava cegando e não podia ver o público.

Resumo da ópera: é o U2 ainda desconhecido, tocando em uma casa, para umas 400 pessoas, com claras deficiências técnicas. E é a banda dando seu costumeiro show de garra, de empolgação e com momentos divertidos.

Deu saudades.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ô vida dura, sô!

Sinceramente, esse negócio de ficar ouvindo música o dia todo, escrever sobre Kerouac, ver filmes e dormir com a chuvinha batendo na telha tá me deixando muito cansado. É um estresse danado tudo isso.

Ah, o que eu não daria por um bom engarrafamento, calor a pino, motor superaquecendo e um assaltante no próximo semáforo me esperando....

ZERO!