Uma das minhas primeiras experiências que mostraram o quanto a lógica feminina é tão possível quanto corinthiano inteligente aconteceu por volta de 1995 ou 1996, na Folha.
Eu costumava ir sempre às quintas e aos sábados dançar no Nias, uma dancenteria que nem sei se ainda existe. Havia um pessoal fixo do jornal que ia comigo.
Numa noite qualquer de sábado, cansado, comprei uma cerveja e me dirigi a uma rara mesa vazia para descansar e ver os vídeos retrôs que passavam na tv, quando Renata pediu para sentar.
Eu costumava ir sempre às quintas e aos sábados dançar no Nias, uma dancenteria que nem sei se ainda existe. Havia um pessoal fixo do jornal que ia comigo.
Numa noite qualquer de sábado, cansado, comprei uma cerveja e me dirigi a uma rara mesa vazia para descansar e ver os vídeos retrôs que passavam na tv, quando Renata pediu para sentar.
Para minha surpresa, contudo, foi só charme comigo e ficamos mais ou menos uma hora bebendo e conversando. E nada mais aconteceu.
Na segunda ou terça, ela foi até a editoria de Esportes perguntar quem era o responsável por uma arte. Quando o Rodrigo Bueno disse que era dele, o agarrou pela mão e o levou para fechá-la.
Dez minutos depois de despachá-lo aparece com o print final para que revisasse e aprovasse. Enquanto esperava Bubu dar seu veridito, Júlio Veríssimo, o adjunto de esportes, lascou, em tom irônico:
- Mas, Renata, que negócio é esse de vir aqui pegar meus meninos e levá-los pelas mãos? Você quer desvirtuá-los?
- Júlio, vocês são todos enrolados e estou morrendo de pressa, tenho toneladas de coisas pra fechar.
- Mas, vem assim, do nada, e leva o Bubu pela mão?
- Querido, eu não quero nada com o Bueno. Prefiro muito mais o Rubens que beija muito bem.
Nesse exato momento, eu que estava mexendo no arquivo atrás de algo, vi o silêncio cair e todos olharem para mim.
- O Rubens? Quando? Como assim, Renata? Vocês se beijaram?
- Pergunte para ele, ué.
E, com a arte aprovada, saiu, me deixando a bomba na mão.
Júlio se contorcia de prazer e logo veio pra cima:
- Ah, seu malandrinho, quietinho com essas bochechinhas rosadas. Conte, conte tudo, tudinho pro seu Juju.
- Sai pra lá Júlio, a Renata inventou isso!
- Nah, para com isso. Ela acabou de confessar!
- Brincadeira dela.
- Pois vamos tirar a dúvida. Ô Renata você realmente beijou o Rubens, não? (E dessa vez berrando para toda a redação ouvir).
- Eu já falei que sim e duvido que alguém beije melhor que ele no Esportes.
Foi uma gozação. Júlio, Melk, Degas, etc. E não havia o que ser feito.
Dias depois lá fui eu fechar uma arte-final e perguntei quem era o responsável. Lógico que era a Renata, que me cumprimentou com aquele seu jeito distante e olhar cheio de coisas não ditas. Não resisti:
- Renata, por que você inventou aquilo?
- Rubens, Rubens, você é tão ingênuo. Eu te faço um favor e você nem me agradece! Isso são modos, menino?
- Agradecer de quê? Que favor você me fez?
- Oras, eu aumentei sua fama na redação. Você sabia que sou uma mulher disputada e que muitos querem me beijar?
- Ah, quer dizer que subi no conceito geral por causa do suposto beijo?
- Claro, meu querido. Agora é só capitalizar.
- Ah....
- Entendeu?
- Sim, sim, faz sentido.
- Então.
- Bom, Rê, mas tenho uma dúvida.
- Qual?
- Já que você espalhou posso ao menos te beijar?
- Que idéia, Rubens! Claro que não!
E lá fomos nós fechar a arte.
Mulheres.
